Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress

João Dória vende plano de metas à empresa estrangeira

O prefeito eleito em 1º turno para a cidade de São Paulo está, de fato, quebrando paradigmas. Além de acabar com a Virada Cultural ele agora pretende terceirizar o planejamento de seu governo.  A pergunta que fica é: quando o município terá ações em Wall Street ?

Depois de chamar o município no qual será gestor de “lixo vivo”, afirmar que todo baile funk da cidade é obra do PCC e decidir centralizar a Virada Cultural no autódromo de Interlagos – que pretende privatizar – , Dória Jr agora resolveu inovar no planejamento: “João Doria quer repassar a função de definir as ações que seu governo pretende implementar nos próximos 4 anos à iniciativa privada”, segundo matéria do jornal Estado de São Paulo.

Plano de Metas, que é o conjunto de ações e objetivos da gestão, deve ser terceirizado à empresa estadunidense “McKinsey & Company”, que é nada mais e nada menos que a maior empresa de consultoria empresarial do planeta.

A cidade passa, portanto, a focar objetivos como uma empresa faz ou seja, buscando lucro.

Em geral o plano de metas é construído em cima do plano de governo apresentado durante as eleições e a lógica para isso é das mais simples: eu prometi que faria isso e farei isso.

Como financiamento empresarial estava proibido durante as eleições municipais de 2016 (e mesmo quando era permitido, vetava a participação de empresas estrangeiras), supõe-se que a McKinsey & Company fará um serviço de consultoria baseado em sua expertise e receberá para isso.

Sobre a empresa, o jornal inglês Independent escreveu: “Mckinsey: por que ele sempre se safa?” enquanto o subtítulo dizia: “O consultor se vê como uma grande instituição, mas pode ser o caso “das novas roupas do imperador'”.

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Manchetes semelhantes podem ser vistas no New York Times (NYT). Já a emissora televisiva “CNBC” pergunta: “Existe uma cultura de corrupção no Mckinsey ?”, a matéria é datada de 2011. A do NYT data de 2014. A do Independent igualmente, 2014.

Nada que assuste alguém que tenha em seu novo secretariado pelo menos 3 denunciados por corrupção.

O que assusta, de verdade, é a capacidade do “não-político” de abrir mão do planejamento de sua própria gestão. Para quem se diz um profundo conhecedor dos negócios, soa como apenas mais alguns.

A expectativa é que a prefeitura passe mesmo a ser uma startup de vendas, cheia de patrimônios para serem vendidos. Convém guardar dinheiro para a compra de ações, quando a startup abrir seu capital, quiçá em Wall Street.

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