Na última sexta-feira de carnaval, 5 de fevereiro, o bloco Ilú Obá de Min levou para as ruas do centro de São Paulo muito Asé e cultura…

Ilú Obá de Min e a cultura afro-brasileira no Carnaval de São Paulo

Ilú Obá de Min e a cultura afro-brasileira no Carnaval de São PauloNa última sexta-feira de carnaval, 5 de fevereiro, o bloco Ilú Obá de Min levou para as ruas do centro de São Paulo muito Asé e cultura…


Ilú Obá de Min e a cultura afro-brasileira no Carnaval de São Paulo

Foto: Fernando DK/Democratize

Na última sexta-feira de carnaval, 5 de fevereiro, o bloco Ilú Obá de Min levou para as ruas do centro de São Paulo muito Asé e cultura afro-brasileira. O cortejo também se repetiu no domingo a tarde, na região da Barra Funda.

Traduzido para o português, o nome do bloco significa “Mãos femininas que tocam para o Rei Xangô’’. A bateria é formada só por mulheres, que tocam músicas que resgatam as histórias e tradições dos ancestrais africanos.

No Candomblé, religião de matriz africana, as mulheres não são autorizadas a tocar instrumentos musicais. Mas para formar uma bateria exclusivamente feminina, a organizadora Beth Beli teve como referência outras tradições nigerianas em que tocar também era permitido às mulheres.

Sobre pernas de pau, os brincantes que usam vestimentas representando Orixás fazem danças típicas e desfilam ao som da bateria, que é embalada por ritmos como maracatu, jongo e afoxé.

Todo ano, uma mulher negra influente é homenageada. A escolhida de 2016 foi a cantora Elza Soares, que se apresentou antes da saída do bloco. Durante o cortejo, foram tocadas composições que contam a trajetória da cantora, nascida na favela de Vila Vintém, no Rio de Janeiro.

Foto: Fernando DK/Democratize

Em meio a folia e a festança de carnaval, encontramos no Ilú Obá de Min um grito de resistência contra o machismo, racismo e a intolerância religiosa. A representatividade também marca presença, já que a maioria das atrações são protagonizadas por mulheres negras.

É de grande importância relembrar com respeito as raízes de nossos ancestrais em um carnaval tão embranquecido e banalizado pela grande mídia, onde vemos escolas de samba como a Mocidade Alegre pintando a pele de dançarinas brancas para parecerem negras. Fora isso, em outros blocos de rua vemos homens brancos fantasiados de ‘’nega maluca’’, o famoso Black Face, que é usado há anos para satirizar e zombar de pessoas negras.

Fotos: Fernando DK/Democratize


Reportagem por Mariana Lacerda, jornalista e escritora pela Agência Democratize, estudante de Rádio e TV

By Democratize on February 8, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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