O dia 11 foi histórico na Argentina e na América Latina. As Mães da Praça de Maio, associação que reúne mães e familiares de desaparecidos…

Histórico: multidão acompanha as Mães da Praça de Maio em sua 2.000ª marcha

Histórico: multidão acompanha as Mães da Praça de Maio em sua 2.000ª marchaO dia 11 foi histórico na Argentina e na América Latina. As Mães da Praça de Maio, associação que reúne mães e familiares de desaparecidos…


Histórico: multidão acompanha as Mães da Praça de Maio em sua 2.000ª marcha

Foto: Sebastián Puenzo/Democratize

O dia 11 foi histórico na Argentina e na América Latina. As Mães da Praça de Maio, associação que reúne mães e familiares de desaparecidos da ditadura militar argentina (1976–1983), realizaram sua 2.000ª marcha semanal na praça de Buenos Aires, acompanhadas de uma verdadeira multidão.


“A mídia boicotou, vocês viram? Mas olha esse povo, essa massa gigante”.

A frase acima é de Hebe de Bonafini, líder da associação, perseguida durante a ditadura por se posicionar em defesa de seu filho, sobre a histórica marcha realizada pelas Mães de Maio neste dia 11 de agosto em Buenos Aires.

Trata-se da 2.000ª vez que o grupo caminha pela Praça de Maio, em uma marcha que já virou um verdadeiro ritual na Argentina.

Mas desta vez, uma verdadeira multidão acompanhou a associação na caminhada — mesmo com o boicote feito pela grande mídia argentina, como disse Hebe.

“Este país deve aos desaparecidos uma explicação”, continuou Bonafini. “Vamos ter que encher muitas praças para essa reivindicação”. A ativista também destacou os governos de Néstor e Cristina Kirchner e afirmou que o kirchnerismo “nos deu 12 anos de felicidade”.

Antes da marcha histórica, a ex-presidente argentina Cristina Kirchner visitou a sede da associação e almoçou com as Mães. “Naquela época tão dura ninguém se animou [a lutar] mais do que elas”, disse Cristina, acrescentando que as ativistas “falam como se estivessem para completar 20 anos de idade e falam das quintas-feiras [as marchas passadas] como se fosse ontem”.

A primeira marcha das Mães foi realizada no dia 30 de abril de 1977, ano seguinte à instauração do regime militar liderado por Jorge Videla. Desde então, elas se reúnem todas as quintas-feiras na Praça de Maio e marcham ao redor da Pirâmide de Maio, monumento do local.

A 2.000ª marcha das ativistas foi realizada nesta quinta-feira em meio à controvérsia entre a Justiça argentina e Bonafini, investigada em caso sobre desvio de fundos no programa de moradias sociais Sueños Compartidos. O juiz Marcelo de Martínez de Giorgi determinou e depois retirou uma ordem de prisão contra a líder da associação, depois de ela ter se recusado a comparecer a duas audiências para ser interrogada sobre o caso.

A expedição da ordem de prisão contra Bonafini, que tem 87 anos, causou clamor entre argentinos e ativistas por direitos humanos por todo o mundo. Na quinta-feira (04/08), após a expedição da ordem de prisão, uma multidão se reuniu na Praça de Maio em solidariedade a Bonafini. Os manifestantes formaram um cordão de proteção ao redor da ativista e a acompanharam até a sede da associação, diante da qual se postaram para impedir sua prisão. A manifestação popular fez fracassar as duas tentativas da polícia federal de prendê-la, segundo a Télam.

O fotógrafo Sebastián Puenzo fotografou esse momento histórico, e compartilhou com a Agência Democratize.

By Democratize on August 15, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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