Fechados com o PMDB e partidos da oposição que fariam parte de um possível governo Temer, os movimentos pró-impeachment da presidenta Dilma…

Grupos pró-impeachment começam a se incomodar com adesão por novas eleições

Grupos pró-impeachment começam a se incomodar com adesão por novas eleiçõesFechados com o PMDB e partidos da oposição que fariam parte de um possível governo Temer, os movimentos pró-impeachment da presidenta Dilma…


Grupos pró-impeachment começam a se incomodar com adesão por novas eleições

Foto: Alice V/Democratize

Fechados com o PMDB e partidos da oposição que fariam parte de um possível governo Temer, os movimentos pró-impeachment da presidenta Dilma Rousseff já se articularam para barrar proposta por novas eleições gerais, que se tornou uma bandeira para partidos como a Rede, PSTU e setores do PSOL.

“Até quando a Rede vai ficar de fora do impeachment e ajudar o PT?” — essa é a chamada em uma das postagens feitas pelo Movimento Brasil Livre no Facebook, nesta sexta-feira (25).

O MBL, um dos principais articuladores de manifestações nas ruas pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, já demonstra preocupação com o aumento nas adesões por novas eleições gerais. Uma das provas disso é querer colocar para seus seguidores que Marina Silva e a Rede “ajudam o PT” não apoiando necessariamente o impeachment de Dilma — o que na realidade é uma falácia, já que o partido e a ex-presidenciável já se mobilizam pela saída da chapa que hoje ocupa a presidência, ou seja, tanto de Dilma quanto de seu vice, Michel Temer (PMDB).

Mas qual o motivo de tanta preocupação por parte dos movimentos pró-impeachment com o crescimento da mobilização por novas eleições gerais?

Para o MBL e o grupo Vem Pra Rua, o fim da chapa Dilma/Temer e a convocação de novas eleições seria um desastre político.

Articulados com figuras importantes dentro do PMDB, que é encorajado por lobistas e membros do MBL e Vem Pra Rua para deixarem a base do governo Dilma, um possível governo Temer representaria uma “vitória” dos protestos que ocorrem desde 2015, além de aumentar a capacidade de influência desses movimentos dentro de decisões do Planalto e do Congresso.

Outro fator importante é a presença de membros desses movimentos dentro de partidos políticos da oposição, como o DEM e o Partido Progressista. Só neste ano, o Movimento Brasil Livre tem a intenção de lançar quase 100 candidatos para cargos políticos nas eleições municipais. O objetivo é se estabelecer nos partidos que fazem atual oposição ao governo Dilma e, caso o impeachment ocorra, participar de um possível governo Temer.

Além disso, os partidos de oposição como PSDB e DEM já começam a cortejar o PMDB de Michel Temer, para uma possível participação em seu futuro governo. A ideia é criar uma base que sustente o apoio do PMDB para algum candidato tucano nas eleições presidenciais de 2018.

Caso a chapa Dilma/Temer seja cassada, essa possível articulação não ocorreria, por conta das divisões internas dentro dos partidos envolvidos.

Para os movimentos de rua pró-impeachment, outro fator determinante que pesa na crítica contra eleições gerais é o protagonismo. Anteriormente, uma bandeira do próprio PSDB, hoje a possibilidade de novas eleições é defendida por quadros da esquerda de oposição ao governo Dilma, além da própria Rede de Marina Silva. Para o dia 1 de abril, movimentos que fazem parte do Espaço Unidade e Ação — um fórum com mais de 60 organizações sociais — prometem uma mobilização nacional contra o governo Dilma e contra os partidos de direita. Alguns dos que fazem parte dessa mobilização, como o PSTU e o sindicato CSP-Conlutas, além de setores do PSOL, pregam por novas eleições gerais.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Os movimentos pelo impeachment também já começam a se incomodar com o enfraquecimento das manifestações contra o governo Dilma nas ruas, que teve seu ápice na semana passada. Um pequeno ‘acampamento’ se mantém na Avenida Paulista, com poucas barracas em frente ao prédio da Fiesp. Comparado ao que ocorreu na semana passada, quando por três noites milhares de pessoas fechavam a avenida, trata-se de um queda brusca na adesão ao movimento. Em Brasília e em outras capitais a situação é semelhante.

Um dos culpados seria a própria Operação Lava Jato. Recentemente, documentos da Odebrecht foram divulgados pela imprensa, onde mostrava os nomes de 200 políticos que teriam recebido doações da empresa — boa parte não compatível com o valor declarado. Os nomes que mais impressionam são de membros da oposição que fazem front pelo impeachment da presidenta Dilma, como o senador Aécio Neves (PSDB) e os deputados Paulinho da Força (Solidariedade) e Eduardo Cunha (PMDB). Tanto o Vem Pra Rua quanto o MBL são ‘fechados’ com tais figuras políticas nos bastidores, o que limita a atuação de ambos os movimentos em uma possível mobilização por ‘fora todos’.

Com isso, esse sentimento de revolta e indignação por parte da população contra toda a classe política começa a ficar órfã. Os movimentos pelo impeachment já não são capazes de se articular por algo que não seja o impeachment de Dilma, temendo perder o apoio de partidos políticos da oposição e de figuras importantes para o crescimento de seus quadros internos na política institucional. Nisso, abre uma oportunidade para a esquerda de oposição atuar nas ruas por novas eleições gerais e trazer de volta parte da sociedade para manifestações lideradas por movimentos sociais.

Porém, muitos continuam críticos com a proposta de novas eleições, até mesmo dentro da esquerda — principalmente os quadros petistas, além de movimentos sociais e sindicais que atuam em defesa do governo Dilma, em manifestações pela ‘democracia e legalidade’ nas últimas semanas.

Por isso ainda não se sabe o que de fato acontecerá nos próximos dias. A perda de protagonismo dos movimentos pró-impeachment já ligaram o sinal de alerta para a oposição de direita, enquanto o governo Dilma começa a se fortalecer, mas ao mesmo tempo ser alvo de uma nova mobilização que agora parte de setores da esquerda.

O que sabemos é uma coisa: ainda vai demorar para existir uma definição concreta do que acontecerá com o governo Dilma este ano.

By Democratize on March 25, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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