Foto: Gabriel Soares/Democratize

Grupos “anti-corrupção” se calam diante de caso Geddel e Temer

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieria Lima, se tornou o assunto do momento em Brasília. Tudo por causa de seu escândalo relacionado ao empreedimento La Vue Ladeira da Barra, em Salvador. Mas, ao contrário do que os “grupos anti-corrupção” faziam no governo Dilma, o silêncio tem sido regra entre Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua diante desse caso.

Todo o drama envolvendo Geddel começou após o pedido de demissão do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ele acusou o títular da Secretaria de Governo de pressão para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador no qual ele tinha comprado um apartamento.

A politicagem partia do braço direito do presidente Michel Temer (PMDB), historicamente envolvido em declarações polêmicas e casos de corrupção e investigações.

A reação do Congresso, terreno de confiança de Geddel Vieira, foi tragicamente cômica. Nos últimos dias, parlamentares criaram um abaixo-assinado defendendo o ministro das acusações de Calero. Ao mesmo tempo, o Planalto afirmava nos bastidores que Geddel sobreviveria ao escândalo e ficaria no cargo, causando indignação por parte da opinião pública.

O deputado André Moura entrega o manifesto de apoio ao ministro chefe da secretaria de governo, Geddel Vieira, acompanhado do deputado Rogério Rosso (Valter Campanato/Agência Brasil)
O deputado André Moura entrega o manifesto de apoio ao ministro chefe da secretaria de governo, Geddel Vieira, acompanhado do deputado Rogério Rosso (Valter Campanato/Agência Brasil)

Apesar disso, os chamados “grupos anti-corrupção”, como o Vem pra Rua e o Movimento Brasil Livre, continuam em silêncio sobre o caso. Já é conhecida a ligação entre eles e o governo de Michel Temer – que os colocou como “protetores das ruas” contra um possível avanço dos grupos de esquerda contra seu governo. Porém, esse silêncio começa a causar uma certa perplexidade de seus seguidores.

Mas isso não ocorre por acaso.

Vale lembrar que Geddel nomeoui em julho deste ano um dos líderes do movimento Vem pra Rua, Jailton Almeida. Agora, ele assume o cargo de coordenador-geral de participação social na gestão pública do Palácio do Planalto. Anteriormente, Jailton já trabalhava como funcionário público, na função de carreira de analista técnico administrativo do Ministério da Integração.

A promoção dada por Geddel foi significativa: de R$5.900 por mês, Jailton passou a receber um salário de R$10,8 mil.

Isso tudo foi o suficiente para silenciar o grupo sobre o empreedimento de Geddel, o La Vue Ladeira da Barra. Com apartamentos avaliados em 2,6 milhões de reais, o La Vue foi projetado para ter 30 andares, uma altura que destoaria do restante da região e descaracterizaria o local. Por isso, o projeto recebeu parecer contrário do Escritório Técnico de Licenciamento e Fiscalização de Salvador (Etelf) em 2014, causando indignação por parte de Geddel, que aproveitou sua situação no atual governo para pressionar os órgãos responsáveis.

Já o Movimento Brasil Livre, que tem sido convidado várias vezes pelo governo Temer para conversar e montar estratégias para “acalmar as ruas” sobre projetos polêmicos como a PEC 55/241 e a Reforma Tributária, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Preocupados com as ocupações nas escolas e universidades, que afetam diretamente seu principal aliado em Brasília – o ministro da Educação Mendonça Filho -, o grupo até tentou ocupar as ruas nesta semana para se posicionar contra uma eventual “ofensiva petista contra a Lava Jato”, mas falhou reunindo poucas pessoas em Brasília, e centenas em cidades como São Paulo no fim de semana. Para uma organização que já reuniu mais de 1 milhão de manifestantes na Avenida Paulista, isso mostra como o MBL anda perdendo a confiança do seu próprio público diante de sua parceria questionável com o governo Temer.

Para o lugar de Calero, conhecido por ser uma figura mais “técnica” e menos política, Temer indicou uma pessoa de confiança para Geddel: o deputado Roberto Freire, líder do PPS. Para muitos analistas, Freire teria um perfil muito mais manipulável para colocar em prática os desejos do braço direito de Temer, sem expor situações similares nos meios de comunicação.

E assim caminha o já legitimamente questionável governo de Michel Temer, mostrando cada vez mais que os grupos que realizaram as manifestações contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) não o colocaram lá por acaso.

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