Na manhã desta quarta-feira (7), movimentos sociais, centrais sindicais e pastorais católicas realizaram a tradicional caminhada do “Grito…

Grito dos Excluídos mobiliza milhares em São Paulo, nesta manhã

Grito dos Excluídos mobiliza milhares em São Paulo, nesta manhãNa manhã desta quarta-feira (7), movimentos sociais, centrais sindicais e pastorais católicas realizaram a tradicional caminhada do “Grito…


Grito dos Excluídos mobiliza milhares em São Paulo, nesta manhã

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Na manhã desta quarta-feira (7), movimentos sociais, centrais sindicais e pastorais católicas realizaram a tradicional caminhada do “Grito dos Excluídos”, em cidades de 24 estados brasileiros. No exterior, protestos foram marcados na Irlanda, Canadá, Buenos Aires, Espanha e Alemanha.


Por Tatiana Oliveira

O Grito dos Excluídos existe há 22 anos e acontece sempre no feriado que comemora o Dia da Independência; na cidade de São Paulo, esta foi sua 20ª edição. Dois atos com organizações diferentes aconteceram simultaneamente na capital paulista, com concentrações na Praça da Sé e na Praça Oswaldo Cruz.

Na Praça da Sé, centenas pessoas participaram da manifestação, que caminhou até a Igreja Nossa Senhora da Paz, bairro do Glicério, onde funciona também um trabalho de acolhida para imigrantes e refugiados, um dos temas de reflexão propostos pela equipe organizadora. Entre as principais lideranças estavam representantes de movimentos sociais como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Pastoral do Povo de Rua e Fórum de Pastorais Sociais, entre outros.

De acordo com o coordenador da Pastoral Operária, Paulo Pedrini, o ato realizado na Sé buscou denunciar problemas sociais a partir do lema proposto para o Grito dos Excluídos deste ano: “A vida em primeiro lugar — Este Sistema é Insuportável: Exclui, Degrada, Mata”, inspirado em um discurso feito pelo papa Francisco durante o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, na Bolívia, em julho do ano passado. “Pensamos o que degrada e mata na cidade, como a questão da moradia, do trabalho, da saúde, da educação, das pessoas em situação de rua e também com destaque aos imigrantes e refugiados”, explicou Pedrini.

Já o Grito dos Excluídos que teve início na praça Oswaldo Cruz seguiu até o Monumento às Bandeiras. Participaram dele representantes da CMP (Central de Movimentos Populares), FLM (Frente de Luta por Moradia), CUT (Central Única dos Trabalhadores), entre outros. Cerca de 5 mil manifestantes estiveram na manifestação.

O coordenador estadual da Central de Movimentos Populares (CMP) em São Paulo, Raimundo Bonfim, falou ao Democratize que, este ano, além das denúncias sobre os mecanismos de exclusão social tradicionais do Grito dos Excluídos foi levantada a bandeira “Fora Temer, Nenhum Direito a Menos e Diretas Já”. Também teve destaque a repressão policial como tentativa de conter a reação popular contra o impeachment de Dilma Rousseff, nos últimos dias. “A cada repressão, a cada manifestação, nós aumentamos o número de pessoas nas ruas, haja visto o grande ato, com monstruosa mobilização que realizamos no domingo e hoje, em vários pontos do País”, afirmou.

Bonfim também comentou a mobilização popular contrária às propostas e medidas propostas pelo governo Temer, como o desmanche da Previdência Social, mudanças na CLT, corte de verba em programas sociais e entrega de riquezas naturais do País às multinacionais. “Este governo é autoritário, ilegítimo, não tem moral e a tentativa dele é de reprimir as manifestações, mas nós vamos reagir e estamos reagindo.”

EM CAMPANHA
Os candidatos à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (Psol), estiveram presentes no Grito dos Excluídos. Haddad, que estava acompanhado dos candidatos a vereador Eduardo Suplicy e Simão Pedro, foi ao ato que caminhou da Praça Oswaldo Cruz até o Monumento às Bandeiras, onde tirou selfies e conversou com manifestantes no local. Já Luiza Erundina, que estava acompanhada de Ivan Valente (vice-prefeito em sua candidatura), participou do ato na Praça da Sé e, no início da manifestação, fez uma fala sobre a sobrevivência em grandes cidades, que não acolhem aos menos favorecidos; ao terminar, chorou e foi abraçada. Nenhum dos candidatos à Prefeitura havia ido ao Grito dos Excluídos no ano passado.


Fotos: Gustavo Oliveira/Democratize


Tatiana Oliveira é repórter pela Agência Democratize e blogueira pelo Última Crônica

By Democratize on September 7, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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