Em mais uma ação coordenada entre veículos de comunicação e governo do estado de São Paulo, continua uma articulação para criminalizar os…

Governo e mídia querem que você pense que estudantes são vândalos

Governo e mídia querem que você pense que estudantes são vândalosEm mais uma ação coordenada entre veículos de comunicação e governo do estado de São Paulo, continua uma articulação para criminalizar os…


Governo e mídia querem que você pense que estudantes são vândalos

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Em mais uma ação coordenada entre veículos de comunicação e governo do estado de São Paulo, continua uma articulação para criminalizar os secundaristas que continuam ocupando escolas ao redor do estado. A escola vítima da vez foi a Salvador Allende, na zona leste da cidade, alvo de depredação e furto.

A Secretaria da Educação do estado divulgou fotos dentro da E.E. Presidente Salvador Allende Gossens, em Itaquera. Nas fotos, um cenário de vandalismo que, segundo os funcionários do governo, teria sido causado pelos próprios alunos que ocupavam o prédio.

A simples nota do governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB) já foi motivo para que a imprensa realizasse uma verdadeira cobertura de plantão sobre o “vandalismo causado por alunos”. Na TV Globo, desde cedo os noticiários locais mostravam a situação dentro da Salvador Allende. Enquanto exibiam imagens da destruição, colocavam o áudio de funcionários do governo e Direção da escola criticando o que teria sido a atitude dos alunos. Não houve sequer questionamento ou dúvida: a versão oficial do governo era a verdadeira para a grande imprensa.

Isso tem sido um padrão já conhecido para quem tem acompanhado a mobilização dos secundaristas em São Paulo. A primeira escola ocupada a ser vítima de uma possível ação de vandalismo foi em Sorocaba. Porém, a mais conhecida até hoje foi a E.E. Coronel Antonio Paiva, em Osasco.

A mídia não deu ouvidos aos estudantes que alegavam que a escola havia sido invadida por homens encapuzados, que ameaçaram os alunos e colocaram fogo dentro das salas de aula, além de furtar televisões e computadores. Preferiu seguir a versão oficial: obra dos próprios alunos. Porém, já são mais de quatro ocupações ao redor do estado que utilizam do mesmo argumento que denuncia invasões por homens mascarados e armados, expulsando os ocupantes e depredando o patrimônio da escola.

Na Salvador Allende, não foi diferente. Veja a nota oficial divulgada pelos alunos que ocupavam a escola:

“ No dia de hoje, 14 de dezembro de 2015, segunda-feira, fomos surpreendidos pela cobertura da Rede Globo (no programa SPTV) sobre a depredação e o furto dos bens da escola durante o último sábado. Na matéria, o diretor e a vice-diretora da escola afirmam que foram os estudantes que participaram da ocupação — terminada no próprio sábado — os responsáveis pelos danos. É UM ABSURDO QUE ESSA ACUSAÇÃO TENHA SIDO FEITA!

Em primeiro lugar, os estudantes que ocuparam a escola há um mês cuidaram e zelaram pelo espaço por entenderem que um movimento de DEFESA da escola contra o seu fechamento tem que atuar para beneficiar e melhorar a escola. Isso foi feito pelos estudantes durante todos os dias da ocupação — limpeza, cozinha, grafites por artistas nas paredes, capinagem, limpeza do mato externo e por aí vai! Infelizmente, a ocupação só terminou porque os estudantes estavam com muito medo e já não tinham forças para barrar as invasões por pessoas desconhecidas que saquearam a escola e assaltaram os estudantes. Na madrugada de sexta para sábado, houve mais um ataque por pessoas estranhas, o que determinou a situação de desocupação. O próprio delegado de polícia reconhece que no momento da última invasão e saque por essas pessoas (no sábado a tarde) já não existia mais ocupação pelo movimento. Por isso, GRITAMOS NOSSO REPÚDIO pelas más intenções­ do Moisés, diretor, e Maria de Jesus, vice-diretora, que desde o começo do movimento tentam criminalizá-lo! O movimento foi e continua sendo justo, tendo chegado a uma conquista legítima da escola continuar funcionando em 2016!

Professores, mães, pais e vizinhos são testemunhas do esforço que os alunos da escola fizeram na luta para ­reivindicar e fazer um espaço melhor que também poderia melhorar a própria educação que recebemos do Estado.”

Alunos que ocupavam a E.E. Salvador Allende enviaram ao Democratize fotos de como estava a situação da escola enquanto ocupada pelos estudantes:

Quem já entrou em uma escola ocupada sabe como os alunos tem se esforçado ao máximo para manter a opinião pública ao lado da causa contra a reorganização — os prédios conseguiam ficar mais bem cuidados do que sob administração da própria direção das escolas.

Pelo contrário: muitos alunos denunciaram, como na E.E. Maria José, uma série de equipamentos e materiais importantes que poderiam ser utilizados durante as aulas, que estavam guardados em salas fechadas com acesso proibido pela própria direção da escola. Computadores, biblioteca, livros de história, sociologia, filosofia e geografia, tudo armazenado entro de uma sala fechada onde apenas funcionários da escola possuem acesso.

Ao mesmo tempo, seguindo um bom senso, os próprios ocupantes trancavam as salas dos professores e direção para que nenhum aluno acabasse entrando nelas. Isso foi constatado em todas as escolas ocupadas pelas quais o Democratize passou: E.E. Heloisa Assumpção, E.E. Caetano de Campos, E.E. Maria José, e várias outras.

O que segue em curso é uma tentativa clara de criminalização contra as ocupações, que ainda resistem contra o adiamento do projeto de reorganização escolar — que tem sido divulgado como “suspensão”, quando na realidade foi apenas deixado para 2017.

Ações criminosas tem ocorrido nas escolas citadas, onde homens armados invadem os prédios e ameaçam os estudantes, colocando em risco vidas. Quem poderia orquestrar tais ações, se não os mais interessados pelas desocupações?

Cabe aos veículos de comunicação investigar tais casos e não fechar os olhos, copiando e colando notas partindo de secretarias do governo, como se jornalismo fosse CTRL C + CTRL V.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize


Financie o documentário Ocupar e Resistir, sobre as ocupações nas escolas de São Paulo

By Democratize on December 14, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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