Depois de querer determinar o trajeto das manifestações em São Paulo, foi a vez dos blocos de carnaval sofrerem intervenção do governo…

Governo do estado interfere no carnaval e faz bloco mudar trajeto

Governo do estado interfere no carnaval e faz bloco mudar trajetoDepois de querer determinar o trajeto das manifestações em São Paulo, foi a vez dos blocos de carnaval sofrerem intervenção do governo…


Governo do estado interfere no carnaval e faz bloco mudar trajeto

Bloco “Agora Vai”, em 2015 na região do Minhocão | Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Depois de querer determinar o trajeto das manifestações em São Paulo, foi a vez dos blocos de carnaval sofrerem intervenção do governo estadual. O tradicional bloco de rua “Agora Vai”, que há 11 anos tem como principal atrativo de seu percurso o Elevado Costa e Silva, o famoso Minhocão, foi obrigado pelo Ministério Público e governo do estado a mudar seu trajeto.

Em uma reunião convocada pelo Ministério Público e pelo governo do estado de São Paulo nesta quarta-feira (03), os organizadores do tradicional bloco de carnaval “Agora Vai” foram pegos de surpresa. O motivo foi uma exigência do MPSP de alterar o trajeto percorrido pelo bloco nos últimos 11 anos, alegando falta de segurança no Elevado Costa e Silva, o Minhocão.

A prefeitura da capital já havia permitido que o bloco seguisse seu trajeto tradicional, mas com essa interferência do governo estadual já não será mais possível. Os organizadores relatam que, durante a reunião, tentaram argumentar que por se tratar de um bloco organizado e frequentado geralmente por famílias, incluindo idosos e crianças, não seria problema — já que nos últimos 11 anos não houve nenhum incidente.

Em depoimento ao Democratize, Fabinho, um dos organizadores do “Agora Vai”, contou que depois do “clima de tensão” imposto na reunião, os organizadores ainda propuseram um trajeto alternativo que passaria pela Av. Francisco Matarazzo, na região da Barra Funda, mas a proposta acabou vetada por representantes da CET. No final das contas, o trajeto definido acabou sendo influenciado diretamente pela presença dos representantes do governo do estado e órgãos como CET e MPSP.

“Não se trata de uma decisão de segurança, e sim de uma decisão política”, alegou Fabinho. Para ele, o sucesso do carnaval de rua na cidade de São Paulo nos últimos três anos tem incomodado politicamente o governo do estado de São Paulo. Como exemplo, cita a expansão da Virada Cultural — organizada pelo município — , que no ano passado desenvolveria atividades em uma área do Minhocão, o que acabou sendo vetado pelo governo do estado.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

“Todo o nosso bloco tem uma ligação histórica com o nosso trajeto, a região da Barra Funda, o Minhocão… as canções compostas pelo bloco, as fantasias, tudo tem uma relação direta com o percurso e a região na qual marchamos nos últimos 11 anos”, lamenta Fabinho.

Na reunião, os organizadores ainda foram persuadidos pelo governo do estado a não seguir um caminho “de enfrentamento”, pois isso poderia dificultar a saída do bloco no próximo ano ou até acarretar multas contra a organização caso o Minhocão fizesse parte do trajeto.

Por se tratar de uma questão política, Fabinho ainda afirmou que nos próximos dias os organizadores e artistas que compõe o bloco devem compor uma nova canção para o carnaval deste ano, citando exatamente a interferência política do governo tucano contra o carnaval de rua.

Vale lembrar que, neste ano, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado já havia sido acionada em uma pauta que, a princípio, não compete à pasta — as manifestações contra o aumento da tarifa no transporte público, promovidas pelo Movimento Passe Livre (MPL).

Em uma atitude inédita, o governo do estado, por intermédio da SSP, resolveu “definir o trajeto” das mobilizações do MPL. Caso os manifestantes resolvessem seguir por outro caminho que não o imposto, a Polícia Militar fazia o uso da força para impedir que o protesto seguisse a rota alternativa. Esse tipo de atitude autoritária do governo estadual acabou rendendo uma série de ações repressivas, resultando em dezenas de feridos — incluindo casos graves envolvendo jornalistas e trabalhadores que passavam pela região.

O Agora Vai espera reunir neste carnaval cerca de 10 mil pessoas, que tal como a organização, serão pegas de surpresa pela impossibilidade de subir o Elevado. Procurada pela reportagem, a SSP não quis se pronunciar sobre o caso. O Ministério Público do estado afirmou que “segue apenas os padrões de segurança para evitar possíveis incidentes”.

Veja abaixo os documentos do MPSP na reunião desta quarta-feira com a organização do “Agora Vai”:

By Democratize on February 4, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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