Ragnar Lodbrok, um mero fazendeiro e guerreiro escandinavo, passa por cima da hierarquia. Primeiro, derruba o earl — uma espécie de “chefe…

Game of Thrones nada: agora é Vikings e a luta de classes

Game of Thrones nada: agora é Vikings e a luta de classesRagnar Lodbrok, um mero fazendeiro e guerreiro escandinavo, passa por cima da hierarquia. Primeiro, derruba o earl — uma espécie de “chefe…


Game of Thrones nada: agora é Vikings e a luta de classes

Foto: Reprodução/Vikings

Ragnar Lodbrok, um mero fazendeiro e guerreiro escandinavo, passa por cima da hierarquia. Primeiro, derruba o earl — uma espécie de “chefe da vila” — e depois o Rei nórdico, Horik I. A ascensão de Ragnar na série Vikings tem como plano de fundo batalhas sangrentas, religião e tradições escandinavas, mas também um tema que é preciso enxergar com olhos críticos: a luta de classes.

Antes de qualquer coisa, dois avisos:

  1. SPOILER ALERT! Não leia o texto caso você esteja acompanhando a série e não queira saber mais do que já sabe.
  2. Perdão aos fãs de Game of Thrones, mas Vikings carrega em si um enredo baseado em uma história real, incluindo até mesmo o próprio personagem principal, e também tradições e funcionamento da sociedade nórdica na época.

É muito bacana quando você, enfim, encontra alguma série para substituir aquela que você geralmente assiste, mas que chegou ao fim da temporada. Foi assim com Vikings, pelo menos para mim. Não acompanhava, e nem conhecia. Foi através de colegas de trabalho que, enfim, tomei coragem — e tempo — para sentar com a minha namorada e assistir os primeiros episódios. Pra você ter ideia, a série já conta com três temporadas, e só começamos a assistir nos últimos três, quatro meses.

Mais legal ainda é quando, depois de um certo tempo assistindo a série, você começa a enxergar alguns detalhes que por causa do enredo e da adrenalina acabam por passando batido.

Primeiramente, a série Vikings conta a história de Ragnar Lodbrok. Um aventureiro escandinavo do século X, que segundo a história, era um rei semi-lendário da Suécia e Dinamarca, que reinou durante os séculos VIII e IX (apesar de que na série, o enredo esteja no século X). Em comparação com possível história real de Ragnar com a série, apenas seu nome. E claro, a sua fama de conquistador. Os relatos contam que o real Ragnar era filho de Sigurd Ring, um rei da Suécia que conquistou a Dinamarca. Já na série, Ragnar é apenas um mero fazendeiro, que se considera um herdeiro de Odin — principal deus da mitologia nórdica. Porém, esses relatos batem em cheio com outro fator de Ragnar: sua fama em expandir os limites dos nórdicos. O saque em Paris, a invasão no Reino Unido, entre outros.

Segundo o enredo da série — produzida pela History Channel — Ragnar, que anseia descobrir novos rumos e destinos para invasões vikings, descobre uma forma de navegar para o oeste. Com a ajuda de seus amigos, como Floki, e seu irmão Rollo, ele começa o seu grande plano de invasão para saquear o terreno nunca visto antes pela sua população. Porém, o earl Haraldson, um homem nobre escandinavo, não permite que Ragnar e seus colegas façam a missão. Mesmo assim, escondido e sem permissão, os guerreiros começam a sua preparação para a missão. Com um barco construido por Floki, Ragnar e dezenas de vikings partem para o mar, onde descobrem enfim a Inglaterra.

A partir dai, o enredo da série começa a mostrar como a fama de Ragnar Lodbrok se espalhava pelas vilas nórdicas, a ponto do earl Haraldson temer um possível levante contra o seu trono. Por isso, ele começa a perseguir Ragnar e seus amigos. E acaba, claro, morto pelas mãos de Lodbrok, que pega para si o trono de earl da pequena vila onde mora.

O fazendeiro, mero guerreiro nos olhos dos nobres, se tornava earl.

Foto: Reprodução/Youtube

É importante analisar outros detalhes muito importantes da série, que mostram o padrão progressista adotado pelos escandinavos na época — que, de fato, existiam. As mulheres, principalmente das famílias mais pobres, tinham para si a liberdade que muitas em território anglo-saxão não tinham. Por exemplo, uma espécie de igualdade de escolha sobre qual destino tomar na vida após certa idade: de poder lutar nas batalhas e invasões vikings, ou se tornar uma earl — como a ex-esposa de Ragnar, Lagertha, se tornou posteriormente na segunda temporada.

Temas como divórcio e aborto eram amplamente aceitáveis para a população escandinava na época. Em partes, por conta da própria religião adotada por eles, que tolerava tais ações. Mas é claro que, não era tudo uma maravilha. Segundo a série, os chamados casamentos arranjados existiam, atitudes de estupro contra servas e estrangeiras por parte dos guerreiros nórdicos também.

Mas, de fato, o que torna a série interessante é o contexto de luta de classes, traduzido pela imagem de Ragnar. Um mero fazendeiro, que através de uma união entre guerreiros e a própria população, derruba o chefe da vila, e posteriormente o Rei Horik I, ocupando para si o cargo mais importante do seu povo nórdico. Apesar dos saques e de ocupar o trono de todo um reino, na série Ragnar não demonstra interesse pelas riquezas ou pela hierarquia, e sim pela própria fama que havia conquistado. Em momento algum — pelo menos até agora — abandonou a sua origem. Por exemplo: durante o final da segunda e começo da terceira temporada, Ragnar fecha um tratado com o Rei Ecbert, de Wessex (Inglaterra), onde em troca de um terreno fértil na ilha anglo-saxã, ele e seus guerreiros lutariam ao lado dos ingleses em batalhas internas a favor de Ecbert. Com o terreno, Ragnar dava para a sua população mais pobre — de onde havia vindo — terras para plantação e colheita, igualmente entre todos, para o ódio e inveja dos nobres, tanto ingleses quanto escandinavos.

A queda do nobre, depois o fim de um reinado pelas mãos de um fazendeiro pobre, e posteriormente a distribuição de terras, o desapego com as riquezas, tudo isso mostra como a série Vikings trata sobre a guerra de classes. Claro que, isso não é o fator principal. Batalhas, sangue, sexo, política, invasões, entre outras muitas coisas também. Mas a luta de classes, o pobre tomando o poder para si e distribuindo entre seus próximos, isso é inegável.

Vale assistir, mas vale mesmo! A série, além de tudo isso que foi dito aqui, é muito bem produzida, e conta com um elenco com ótimas atuações. Para quem gosta de Game of Thrones e está de saco cheio de esperar a próxima temporada começar, dá uma pesquisada e assista Vikings.

Vikings do mundo, uni-vos!

Veja o trailer da primeira temporada de Vikings:


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on October 1, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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