Nilufer Demir estava cruzando uma praia em Brodum, Turquia, na quarta­feira quando ela o viu: um pequeno garoto em uma camiseta vermelha…

Fotógrafa descreve o “grito” do “corpo silencioso” do garoto imigrante

Fotógrafa descreve o “grito” do “corpo silencioso” do garoto imigranteNilufer Demir estava cruzando uma praia em Brodum, Turquia, na quarta­feira quando ela o viu: um pequeno garoto em uma camiseta vermelha…


Foto: Nilufer Demir

Fotógrafa descreve o “grito” do “corpo silencioso” do garoto imigrante

Nilufer Demir estava cruzando uma praia em Brodum, Turquia, na quarta­feira quando ela o viu: um pequeno garoto em uma camiseta vermelha, calça azul e sapatos pretos, deitado com o rosto na areia.

Ondas quebravam em seu rosto sem vida.

Ela congelou.

“Não havia nada que podia ser feito por ele mais. Não havia nada que pudesse traze­lo de volta à vida”, ela contou à CNN Turca, uma filial da CNN com base na Turquia.

“Não havia nada a ser feito exceto bater a sua fotografia… e isso foi exatamente o que eu fiz,” ela disse na quinta-­feira em entrevista ao vivo. “Eu pensei, ‘Esse é o único jeito que eu tenho de expressar o grito do seu corpo silencioso.’”

Esse grito silencioso agora está reverberando ao redor do mundo. A imagem de Demir do garoto refugiado afogado, Aylan Kurdi de 2 anos, apareceu nas primeiras páginas de jornais e sites de notícia pelo mundo, e colocou um rosto mórbido à crise de imigração que está engolindo a Europa. A imagem também tem sido amplificada nas redes sociais, onde ilustrações do corpo de Aylan tem sido transformadas em memes comoventes.

Nadim Houry, Vice­-Diretor do Humans Right Watch no Oriente Médio e Norte da África, descreveu a foto como “assombrosa”.

A rede BBC até perguntou “Teria uma imagem mudado a nossa visão dos imigrantes?”

Refugiados entram em confronto com policiais na Macedônia — Foto: EPA

O garoto e sua família eram Curdos da Síria devastada pela guerra tentando cruzar o Mar Egeu para a Grécia, de acordo com a parceira da CNN, CTV. Doze pessoas morreram quando o pequeno barco onde estavam, cheio de refugiados deixando o Oriente Médio, naufragou no mar agitado.

Demir, 29 anos, trabalha para a Dogan News Agency, também conhecida como DHA, desde sua adolescência. Com case em Bodrum, ela respondeu a chamados de atividade na praia e descobriu diversos corpos levados pelo mar.

Ao se aproximar, “nós vimos que eram corpos de crianças mortas,” ela disse.

Ela e seus colegas da DHA acharam o corpo de Aylan primeiro. Pouco depois, um pouco mais abaixo na praia, encontraram o corpo de seu irmão Galip, de 4 anos.

“Ele estava deitado na areia da mesma forma. Ele também ainda estava com sua camiseta, shorts e sapatos. Eles não tinham nada — nenhum colete salva­vidas, bóias de braços, nenhuma bóia para para os manter flutuando na água,” Demir disse. “Isso revelou o quão trágico aquele momento foi.”

Mais abaixo na orla, eles encontraram um terceiro corpo: o de um garoto de 11 anos que não tinha laço familiar com os dois irmãos. Como os outros, ele não estava usando um colete salva­-vidas.

O garoto Aylan Kurdi — Foto: Reprodução

Demir disse que mais tarde naquele mesmo dia descobriu que a mãe de Aylan e Galip, Rehen Kurdi, foi encontrada em outra praia Turca a cerca de 240 quilômetros dali.

“Eu pensei que a única coisa que podia fazer era bater fotografias deles para ter certeza de que a Turquia e o mundo vissem isso,” ela disse.

O pai dos garotos foi o único membro da família Kurdi que sobreviveu ao destino fatal da viagem de barco.

“Eu não quero mais nada desse mundo,” Abdullah Kurdi disse para a CNN na quinta-­feira. “Tudo com o que eu sonhava se foi. Eu quero enterrar meus filhos e sentar ao lado deles até eu morrer.”

Demir estava cobrindo a crise dos refugiados há meses e já tinha fotografado muito imigrantes mortos. Mas nenhuma foto teve tanto impacto quanto suas imagens do corpo de Aylan.

“Eu não achei que traria tanta atenção quando estava fotografando,” ela disse na CNN Turca. “Entretanto, com a dor que senti quando vi Aylan, a única coisa que passou pela minha cabeça era passar isso para o público. Eu não pensei em mais nada. Eu só queria mostrar a tragédia deles.”

Texto por CNN
Tradução: Sarah Ferreira / Democratize

By Democratize on September 4, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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