Foto: Reprodução/Google

Filme sobre Snowden é um aviso sobre perigo da extrema-direita em ascensão

Dirigido por Oliver Stone, filme que conta a história do ex-agente da NSA serve de alerta sobre os perigos de governos ultra-conservadores quando o assunto é privacidade na Internet. No final do longa, Snowden aparece falando sobre o risco de governos populistas assumirem o poder em países como os Estados Unidos, e como isso será refletido na espionagem contra cidadãos comuns na luta “contra o terrorismo”.

AVISO DE SPOILER: o texto a seguir detalha alguns trechos do filme Snowden

Edward Snowden é considerado um herói para muitos daqueles que acreditam na liberdade e privacidade dentro da Internet. Para outros é um mero traidor que resolveu se auto-promover expondo segredos de Estado.

De qualquer forma, o filme dirigido por Oliver Stone mostra claramente as boas intenções do ex-agente da NSA, que em 2013 decidiu abandonar seu trabalho para se encontrar com jornalistas como Glenn Greenwald (The Intercept) para denunciar os casos de espionagem do governo norte-americano contra governos, empresas, lideranças políticas e principalmente contra cidadãos comuns – tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo.

O longa retrata a vida de Snowden desde a sua entrada no Exército, passando ainda pelo seu começo da carreira na CIA, além de seu relacionamento amoroso com Lindsay Mills.

Porém, além de toda essa trama por trás dos últimos anos do ex-agente da NSA, parte importante do filme alerta sobre a possibilidade de governos populistas assumirem o poder no Ocidente, colocando em risco a já fragilizada privacidade na rede.

Por exemplo, em determinado momento do filme, Snowden se demonstra esperançoso com a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2008. Muito por conta do discurso do democrata sobre a questão de espionagem contra cidadãos comuns no país. Porém isso é logo desmontado com o tempo, enquanto Snowden acaba assumindo novos projetos nas agências de segurança do país, que passam por cima de qualquer direito de privacidade dos usuários nas redes.

No fundo, o recado do filme é: se com um centrista democrata o problema da espionagem cresceu ainda mais nos Estados Unidos e ao redor do mundo, imaginem se um populista de extrema-direita se tornar presidente?

Antes mesmo da vitória do republicano Donald Trump, Snowden alertou no final do filme sobre essa terrível possibilidade. O ex-agente falou sobre a verdadeira máquina super-avançada de espionagem que países como os Estados Unidos possuem, e o risco que isso representa “se cair nas mãos erradas”. Isso representaria, segundo Snowden, uma verdadeira ofensiva contra a privacidade na rede, com a espionagem sendo utilizada cada vez mais como desculpa para barrar o terrorismo.

Não por acaso, Trump já deixou clara sua opinião sobre o ex-agente da NSA, que vive hoje na Rússia.

Dirigente do grupo de extrema-direita Tea Party, um dos responsáveis por eleger dentro do Partido Republicano o bilionário futuro presidente, Mike Pompeo foi nomeado diretor da CIA por Trump. Em fevereiro do ano passado, Pompeo defendeu que Snowden deveria ser condenado à morte.

“[Snowden] deveria ser trazido da Rússia e ser processado. Acho que um resultado apropriado seria que ele fosse condenado à morte por ter posto amigos meus e seus, que serviram no exército, num risco enorme, por causa das informações que ele roubou e deu a potências estrangeiras”, disse o futuro diretor da CIA. Pompeo é contra o encerramento da prisão de Guantanamo, em Cuba, além de se opor ao acordo nuclear com o Irã. Veja no vídeo abaixo sua declaração sobre Snowden.

A tendência é o cenário piorar ainda mais. Isso porque o presidente russo Vladimir Putin é visto como um aliado próximo de Donald Trump. Existe a possibilidade de, então, ambos realizarem um acordo para facilitar a extradição do ex-agente da NSA para os Estados Unidos.

Além disso, o crescimento de partidos e políticos de extrema-direita na Europa também assombra questões como liberdade de expressão e imprensa, como também privacidade na rede. É o caso da ultra-direitista Le Pen, da Frente Nacional, vista como a favorita para ocupar a presidência da França em 2017. Ou até mesmo um caso mais recente, envolvendo o presidente turco Erdogan, que além de manipular informações nas redes sociais, monitorando cada ação e publicação da sua própria população, tem realizado prisões em ações de espionagem contra opositores.

De qualquer forma, após a vitória de Trump, Snowden bateu o pé e disse para todos ficarem tranquilos. “Se quisermos um mundo melhor, não devemos esperar por um Obama nem devemos temer Donald Trump. Devemos construí-los nós mesmos”, disse durante uma audiência holandesa através de videoconferência na Rússia. Snowden ainda questionou sobre “como defenderemos os direitos de todos, em todas as partes, além das fronteiras?”.

Antes do resultado eleitoral deste ano nos Estados Unidos, Snowden pediu pelo perdão do presidente Barack Obama, para evitar uma possível extradição em caso de vitória de Trump. Obama negou o pedido.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: