No último domingo, (24), completamos 1 ano sem o jornalista e ativista pela democratização das comunicações Vito Giannotti, a resistência…

Famílias ocupam prédio abandonado e homenageiam jornalista Vito Giannotti

Famílias ocupam prédio abandonado e homenageiam jornalista Vito GiannottiNo último domingo, (24), completamos 1 ano sem o jornalista e ativista pela democratização das comunicações Vito Giannotti, a resistência…


Famílias ocupam prédio abandonado e homenageiam jornalista Vito Giannotti

Foto: Rapha Silva/Democratize

No último domingo, (24), completamos 1 ano sem o jornalista e ativista pela democratização das comunicações Vito Giannotti, a resistência ganhou seu nome, desde janeiro, famílias transformaram um edifício abandonado há 10 anos em moradia popular, renomearam o antigo e esquecido prédio do INSS em Ocupação Vito Giannotti, definitivamente Vito Vive.


Por Rapha Silva

Ao entrar no local fui recebido como membro da família, dividimos o almoço, lanche e os sonhos. Percorri corredores e andares do prédio, e em meio a paredes descascadas e focos de entulho, resquícios de esperança iam surgindo.

Do terraço, um edifício enorme da o tom de uma região central gentrificada pela especulação imobiliária devido à supervalorização do solo. Nesse contexto e sem espaço para habitação popular foram expulsas da vizinhança as ocupações Zumbi dos Palmares, Boa Vista, Flor do Asfalto, Machado de Assis, Casarão Azul, Guerreiros do 234, Guerreiros do 510 e Quilombo das Guerreiras. Em compensação, destoando na paisagem, um novo empreendimento rasga o céu, é a Trump Towers, do bilionário americano Donald Trump.

Foto: Rapha Silva/Democratize

Na atual gestão do prefeito Eduardo Paes, cerca de 67 mil pessoas foram removidas ou sofreram deslocamentos forçados. Para completar, dados preliminares da Fundação João Pinheiro indica que a cidade olímpica possui déficit habitacional de 399 mil unidades, sendo que, deste quantitativo, 237 mil comprometem 30% ou mais da sua renda com aluguel. O estudo é relativo ao ano de 2013 e utiliza dados do mesmo ano da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O deficit habitacional é calculado segundo fatores como o total de casas compartilhadas por mais de uma família e as residências com mais de três moradores em média por cômodo. O principal componente do indicador, no entanto, é o peso do aluguel no orçamento familiar.

Os índices evidenciam uma cidade partida, reorganizada por estratos sociais, na qual resta às camadas com menor poder aquisitivo os territórios mais distantes da cidade.

Foto: Rapha Silva/Democratize

> Quem foi Vito Giannotti?

Vito foi um dis nomes mais importantes da comunicação sindical, popular e comunitária no Brasil. Trabalhou como metalúrgico e foi líder sindical, sendo perseguido político durante o regime militar brasileiro, preso e torturado. Escreveu mais de 20 livros sobre sindicalismo e comunicação, e fundou o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) que realiza cursos de comunicação popular em todo o país.

O jornalista nasceu na Itália, em 1943. Andou por várias paragens antes de se radicar no Brasil.

Gianotti também estimulou várias gerações de comunicadores populares e sindicais e empunharem a bandeira da luta pela democratização da comunicação, assunto que dominava como poucos e sobre o qual dedicou grande parte de sua produção intelectual.

Incansável, Gianotti nunca desanimava frente às dificuldades da conjuntura, fossem elas quais fossem. Como lembrou o jornalista carioca Gustavo Barreto, quando todos já estavam cansados de tanta injustiça, tanta dor e tanta exploração, lá vinha ele gritando: ‘levanta garoto’. “Ele reenergizava todos”, resumiu. Sua enteada, Luiza Santiago, lembrou a frase do padrasto que se tornou célebre no mundo sindical brasileiro: “A luta continua, porra!”

Foto: Rapha Silva/Democratize

Junto com a companheira Claudia Santiago, era proprietário da livraria Antônio Gramsci, no coração do Rio de Janeiro, que acabou se tornando um ponto de encontro de intelectuais de esquerda e lutadores populares. Dono de um coração enorme, Vito acumulava amigos por onde passava: tinha sempre uma palavra de carinho, de consolo, de esperança. Sabia fazer o enfrentamento “sem perder a ternura jamais”, como propôs certa vez um dos ídolos que ele ostentava nas suas camisetas.

Vito sempre insistiu que um jornal para a classe trabalhadora deve ser bonito, agradável e possível de ser lido, por exemplo, nos meios de transporte público. Assim, com grande influência dele, no dia 1 de maio de 2014, foi lançada a primeira edição do Jornal de Brasil de Fato, em formato tablóide, distribuído gratuitamente na ruas da cidade. Atualmente, a edição regional do jornal também é produzida em Minas Gerais e São Paulo.

Vito faleceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de julho de 2015.

Foto: Rapha Silva/Democratize


Rapha Silva é formado em Jornalismo, atua como repórter fotográfico pela Agência Democratize no Rio de Janeiro

By Democratize on July 27, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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