Após ser nomeado com o cargo de coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas no Ministério da Saúde, o ex-diretor de manicômio…

Ex-diretor de manicômio, Valencius Wurch é alvo de protestos após nomeação na Saúde

Ex-diretor de manicômio, Valencius Wurch é alvo de protestos após nomeação na SaúdeApós ser nomeado com o cargo de coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas no Ministério da Saúde, o ex-diretor de manicômio…


Ex-diretor de manicômio, Valencius Wurch é alvo de protestos após nomeação na Saúde

Foto: Alice V/Democratize

Após ser nomeado com o cargo de coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas no Ministério da Saúde, o ex-diretor de manicômio Valencius Wurch tem sido alvo de vários protestos pelo país. O assassinato do psicólogo e militante pelos direitos humanos, Marcus Vinicius de Oliveira, coloca ainda mais em evidência o avanço contra direitos no Brasil.

Nesta quinta-feira (18), centenas de pessoas participaram do terceiro ato pela saída de Valencius Wurch do seu cargo na Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, do Ministério da Saúde. Diretor do hospital Casa de Saúde Doutor Eiras, Wurch é acusado desde 2000 por diversos abusos. As denúncias motivaram o governo federal a pedir, na época, uma investigação do Ministério Público. A medida levou a um processo de intervenção que terminou com o fechamento do local, em 2012.

Mas, cerca de 3 anos depois, Wurch volta ao foco dos militantes de direitos humanos com sua nomeação no Ministério da Saúde.

O protesto ocorre após o assassinato do psicólogo e defensor dos direitos humanos Marcus Vinicius de Oliveira. Marcus atuava na mediação de conflitos de terra entre comunidades rurais e fazendeiros na Bahia, além de ser declaradamente militante pela luta antimanicomial. Ele foi assassinado na noite do dia 4 de fevereiro, no povoado de Pirajuia, município de Jaguaripe, numa emboscada.

Amigos e conhecidos relatam que Marcus tinha um papel emblemático para a construção de uma psicologia comprometida com os direitos humanos e as lutas sociais. Sua contribuição foi fundamental para a primeira coordenação do Brasil na Corte Interamericana, no caso Damião Ximenes — torturado até a morte em uma clínica psiquiátrica.

Foto: Alice V/Democratize

Os manifestantes temem um retrocesso na chamada reforma psiquiátrica, que acontece desde 2001, quando foi publicada a Lei 10.216, garantindo uma série de direitos a pacientes psiquiátricos.

Um dos principais objetivos da reforma psiquiátrica é acabar com os hospícios, considerados prisões por militantes da área que denunciam um histórico de internações indevidas e maus tratos nesse tipo de estabelecimento. Desde o início da reforma, manicômios vêm dando lugar aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que são serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) destinados a dedicar atenção a pessoas com transtornos mentais. O atendimento nessas instalações deve buscar estreitar os laços entre os pacientes e suas famílias. Para entidades contrárias à nomeação de Duarte Filho, o psiquiatra representa justamente o modelo antigo que se pretende aposentar.

Entidades como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme) e o Movimento Nacional pela Luta Antimanicomial (MNLA) já se posicionaram com preocupação sobre a nomeação de Wurch para o cargo.

“Quem foi diretor de um hospício com aquele histórico durante anos não tem legitimidade para assumir essa coordenação e conduzir o avanço da saúde mental comunitária brasileira”, ressaltou a professora e pesquisadora Cristina Ventura, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, em entrevista ao jornal O Globo.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

O Ministério da Saúde, pasta que fez parte da série de “trocas” realizadas pelo governo para manter o apoio do PMDB no Congresso, reafirma que a escolha de Wurch é um avanço social na questão da humanização do tratamento a doentes mentais.

Já para ativistas e partidos de oposição na esquerda, a pasta da Saúde hoje serve apenas para manter privilégios políticos aos aliados do governo petista, arriscando a qualidade do sistema de saúde ao redor do país por conta do governismo “a qualquer custo” da presidenta Dilma Rousseff.

By Democratize on February 19, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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