Os estudantes secundaristas do Rio de Janeiro continuam sua jornada de manifestações e ocupações contra a precarização do ensino. E como o…

Estudantes estão apanhando da polícia no Rio de Janeiro

Estudantes estão apanhando da polícia no Rio de JaneiroOs estudantes secundaristas do Rio de Janeiro continuam sua jornada de manifestações e ocupações contra a precarização do ensino. E como o…


Estudantes estão apanhando da polícia no Rio de Janeiro

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Os estudantes secundaristas do Rio de Janeiro continuam sua jornada de manifestações e ocupações contra a precarização do ensino. E como o governo do PMDB responde? Policiais agrediram e chegaram a apontar uma arma de fogo letal no rosto de um estudante menor de idade ontem (02), durante protesto.


Nesta quarta-feira (01), o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou um documento em que pede o diálogo na Venezuela.

A mídia tradicional alerta sobre casos de repressão e autoritarismo.

Mas o mesmo deveria ser feito sobre a reação policial e dos governos contra os estudantes no Brasil — principalmente agora, no Rio de Janeiro.

Mas não é feito.

Nesta quinta-feira (02), durante protesto de professores e alunos contra a precarização do ensino no estado governado pelo PMDB, policiais militares agiram de forma desproporcional contra os manifestantes. Com socos e agressões com cassetete, os PMs atacaram os alunos menores de idade nas proximidades no Palácio da Guanabara. Os professores tentaram reagir e defender os adolescentes, e foram também agredidos pela polícia.

Um aluno menor de idade chegou a ser imobilizado no chão. Mesmo com três policiais segurando o jovem, um dos oficiais ainda tirou sua arma de fogo letal e apontou para o estudante.

Mais um dia comum para aqueles que lutam por algo no Brasil.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

É a velha história da indignação seletiva.

Uma enorme campanha para denunciar os casos de abuso policial e ações anti-democráticas na Venezuela. Membros de partidos políticos da direita alegam que não é mais possível tolerar a violência do governo de Maduro. A mídia registra e dá todo o destaque sobre as manifestações. Organizações e instituições como a OEA alertam sobre a necessidade de diálogo.

Mas quando é aqui, essa mesma mídia e essa mesma classe política se calam.

Talvez porque o PMDB seja o mesmo partido do presidente interino Michel Temer, que foi colocado lá por eles.

Podemos dizer o mesmo de outros casos de violência contra estudantes menores de idade que também se manifestaram em São Paulo.

O atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, foi escolhido pelo próprio Temer em pessoa. O presidente interino ignorou o fato de Moraes ter sido o responsável pela violência policial contra secundaristas no final do ano passado e também neste ano. Ou pior: talvez ele não tenha ignorado esses fatos, e o tenha escolhido justamente por isso.

Estudantes sendo agredidos por policiais em São Paulo, no final de 2015 | Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Afinal, será preciso de alguém com perfil autoritário para conseguir lidar com as revoltas que devem surgir nos próximos meses contra um governo ilegítimo e não-eleito. Quem melhor do que Alexandre de Moraes para ocupar tal cargo?

É bom lembrar que não são apenas os estudantes que estão apanhando da polícia.

Pela segunda vez em menos de 2 semanas, militantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) foram reprimidos covardemente pela Polícia Militar em São Paulo. Nas duas oportunidades, foram em protestos contra o governo interino de Michel Temer. A mais recente, acabou com uma mulher sendo agredida por um policial na frente das câmeras.

Mas o mais grave dessas agressões e casos de violação de direitos humanos é definitivamente os estudantes.

São, em sua maioria, menores de idade.

Talvez seja a primeira participação ativa política desses jovens que provavelmente, em sua maioria, nunca votaram [com menos de 16 anos não se vota no Brasil].

São jovens de classe C, D e E que frequentam escolas públicas ao redor do Brasil, precarizadas pelo esquecimento do Estado, que prefere dar atenção para as multinacionais e bancos, ou os investidores financeiros que determinam se existe crise ou não.

Com o rosto cheio de sangue, o jovem estudante questiona a ação da polícia no Rio | Foto: Bárbara Dias/Democratize

É o setor marginalizado da sociedade que aprende desde jovem “onde é o seu lugar”.

Questionando as falhas do sistema, da classe política e econômica?

Jamais.

Seu lugar, segundo o Estado, é dentro da escola precarizada para não aprender, não crescer, não se desenvolver. Se quer algo melhor, vá para alguma escola privada. Depois de formado, sem oportunidades, é melhor escolher alguma universidade que não seja pública; de preferência aquelas que vendem diploma em shoppings centers, onde você deve ficar afinal, já que não existem espaços públicos suficientes para o entretenimento e cultura no Brasil.

No mesmo dia em que a OEA pediu diálogo na Venezuela, a Justiça do Rio determinou o retorno das aulas em todos os colégios estaduais que estavam ocupados por estudantes.

Ou seja, ignoraram mais uma vez aquilo que os jovens estão pedindo.

Alguns ocupantes já afirmam que não devem acatar a decisão da Justiça. Consideram a medida totalmente em benefício ao governo, que desde o começo tem incentivado práticas criminosas contra os jovens que ocuparam mais de 70 escolas ao redor do estado.

Provavelmente mais casos de violência devem acontecer nos próximos dias.

Será que a TV Globo irá colocar como destaque em seus noticiários?

Será que os políticos que integram o atual governo de Michel Temer vão se colocar ao lado dos alunos contra a violação de direitos humanos?

Será que a OEA irá ouvir o grito de socorro desses jovens?


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on June 3, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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