Escondido por Moro, Cunha finalmente é preso

Em mais uma prisão arbitrária e, no limite, ilegal, Sérgio Moro finalmente joga a tenda e transforma a democracia brasileira em um circo midiático.

Foram 5 meses de espera, mas finalmente Sérgio Moro “acatou” o pedido de Rodrigo Janot para que fosse efetuada a prisão de Eduardo Cunha. A prisão se deu no meio da tarde (ele embarcou às 15h de Brasília rumo a Curitiba), não nos noticiários matutinos, sem nenhum blogueiro mediúnico anunciar e sem absolutamente nenhuma foto de sua casa ou momento da chegada dos policiais.

Em entrevista ao site “Justificando”, o Professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Salah H. Khaled Jr. afirmou que “a regularidade da prisão preventiva de Cunha é tão questionável como infinitas outras barbáries recentes”.

Os crimes praticados por Eduardo Cunha são público e notórios desde pelo menos, novembro de 2015. Quase um ano atrás. A prisão decretada por Sérgio Moro é preventiva – risos – por afirmar que, embora não seja mais parlamentar, pode obstruir a justiça e ameaçar testemunhas.

A dúvida é saber quantas testemunhas ainda há para serem ameaçadas, depois de um ano ? Ou melhor, há mais de um ano, segundo o próprio despacho de Moro:

82. Reporto­-me, a esse respeito, às razões do eminente Ministro Teori Zavascki
constantes na memorável decisão de 04/05/2016 na Ação Cautelar 4070/DF, na qual foi
deferido pedido do Exmo. Procurador Geral da República de afastamento cautelar do então
Deputado Federal Eduardo Cosentino da Cunha da Presidência da Câmara dos Deputados. Tal
decisão foi, em seguida, em 05/05/2016, referendada pelo Plenário do Egrégio Supremo
Tribunal Federal.

Já no item 87, Moro cita um despacho sobre a atuação parlamentar de Cunha, durante o processo no conselho de ética. E isso é motivo para prisão preventiva de um deputado já cassado? Ora, se as manobras parlamentares são um risco às investigações, claramente, estas não podem ser citadas como, digamos, um case de sucesso.

Não há a menor dúvida de que Eduardo Cunha deveria estar preso, há motivos para tanto. A ausência de um pequeno detalhe, chamado julgamento, no entanto, não são motivos para comemoração. Ao contrário.

As línguas mais mediúnicas já voltam a prever a prisão de um líder da esquerda. O partido da mídia brasileira já começa a soltar cá e lá, notícias de que esta prisão mostra a imparcialidade da república de Curitiba. Ninguém se questiona quando é que Cunha foi levado coercitivamente a algum aeroporto?

A frase da vovó: “um erro não justifica o outro”, continua valendo?

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