Foto: Bárbara Dias/Democratize

Entre a sobrevivência e o corporativismo militar: como lutar diante da calamidade no Rio

Os trabalhadores da educação, juntos com todos os servidores públicos estaduais  estão na luta contra o pacotão de maldades do Pezão, não caberia numa hora dessas, haver uma divisão nos atos com os demais servidores, pois, isso racharia o movimento, é questão de sobrevivência. Porém, não podemos deixar de avaliar as dificuldades da educação e demais trabalhadores do funcionalismo público em ombrear com os milicos, principalmente os fascistas.

No ato da “queda da Bastilha Carioca” realizado na última quarta-feira (16), havia uma nítida separação espacial: servidores da segurança pública de um lado, e do outro os professores, estudantes, trabalhadores da saúde entre outros… Do lado dos militares, observamos cartazes e camisetas exaltando as figuras de Bolsonaro, o “Batman dos protestos” (que apoiou Flávio Bolsonaro a prefeitura) e uma mulher com bandeira do Brasil, posavam para fotos. Dessa vez não havia a faixa com pedido de intervenção militar, mas havia pedido de socorro ao Juiz Sergio Moro.

Foto: Bárbara Dias/Democratize
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Nesse ato unificado, algumas situações, causadas pelos militares foram e são dignas de críticas. Observamos ao menos umas duas brigas, iniciadas pelos militares,  e na primeira tentativa da derrubada da primeira grade que protegia a Alerj, os policiais decidiram fazer um cordão de isolamento humano, para impedir os demais trabalhadores de acessarem as escadarias da Alerj, diziam que: “não era o momento”.

Na segunda tentativa, onde não houve como impedir a massa de trabalhadores de chegarem as escadarias, o comando dado do carro de som dava a seguinte ordem: “Segurança pública se afasta, deixem apenas os baderneiros”, sim é assim que eles veem os outros manifestantes, como  baderneiros. Mesmo estando todos no mesmo barco, e afundando, ainda houve espaço para que os militares, que agora estão na posição também de manifestantes, criminalizem os demais trabalhadores presentes no ato.

Foto: Bárbara Dias/Democratize
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Numa avaliação rápida, porém objetiva podemos dizer que eles se acham os “donos do ato”, intimidam pessoas com bandeiras de partidos,  dão “duras” em estudantes e manifestantes independentes que cobrem o rosto para proteção contra os gases lacrimogêneos e sprays de pimenta,  e dizem: “mascarado não”, repetem isso como robôs ou cães adestrados…

É a sobrevivência que está em jogo, o Governo tenta fazer os servidores públicos pagarem uma conta que não é sua,  tão aí as prisões do Garotinho e o Cabral que não nos deixam dúvidas, o que levou a falência o Estado do Rio de Janeiro foi a corrupção severa, associada as isenções fiscais a grandes empresas. A má gestão desses governos fez com que chegássemos nesse ponto, mas como é difícil essa unificação para lutar contra o pacotão de maldades… Mas como tudo tem um lado bom, é interessante ver os milicos sofrendo na pele a repressão que eles mesmo causam.

Fatos inusitados aconteceram diante da repressão da Tropa de Choque, muitos  policiais que estavam na manifestação, ora feridos por balas de borracha ou por estilhados de bombas, iam reclamar com seus “parceiros” dizendo frases do tipo “policial atirando em policial, isso não pode”… A pergunta que fica é, atirar em professor, estudante, morador de favela pode? Só lembrando  que na favela as balas não são de borracha.

Foto: Bárbara Dias/Democratize
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Dois policiais do Choque abandonaram a linha de frente da repressão, e foram ovacionados pelos seus “colegas”, não podemos acreditar sinceramente que isso aconteceria se fosse em qualquer outro tipo de ato ou manifestação de movimentos sociais. Dói quando é na própria carne, no caso na carne de quem é seu parceiro de profissão, dói tanto que o coronel Fiorentini, que comandou a operação, chegou a pegar um megafone para justificar a repressão aos seus, como ele mesmo diz “irmãos de farda” e propor uma trégua entre as partes.

Devemos avaliar todas essas questões que estão postas, estar sim nos atos unificados, mas estar ciente dessas dificuldades, e reconhecer sobretudo algo muito maior que é a  luta diante de um estado de calamidade pública, a falência do Estado do Rio de Janeiro e o proveito que o Governo que tirar dessa situação e empurrar para os trabalhadores essa conta, através de pacotes de austeridade.  Sigamos em frente,  mas sigamos atentos.

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