No Rio de Janeiro grande mobilização. Foto: Kaue Pallone/Democratize

Em ato contra reforma na previdência, milhares resistem à repressão no Rio de Janeiro

Tarde de 15 de março, um dia de resistência para os trabalhadores que lutam contra a perda de direitos e que buscam um futuro com menos austeridade e repressão. Convocado por diversos movimentos sociais, ativistas independentes e centrais sindicais, os atos contra a reforma na previdência, proposta pelo governo de Michel Temer, ocuparam todo o território nacional, com milhares de pessoas indo às ruas em, pelo menos, todas as capitais e o Distrito Federal.

No Rio de Janeiro, onde há uma falência do estado afetando principalmente os mais pobres, um ato reunindo milhares de pessoas tomou a Av. Presidente Vargas, no centro da cidade. A concentração da manifestação foi na Praça da Candelária a partir das 16 horas, quando no relógio já apontava quase 18h começou a movimentação para sair em caminhada até a Central do Brasil.

Sem quase nenhum sinal de polícia, o trajeto foi tranquilo e a população que passava pela região indo ou voltando do trabalho parava para se juntar à multidão ou então apenas registrar em seus celulares aquele mar de gente que passava na avenida. Até que chegando ao destino final do ato, a Estação Central do Brasil, o clima começou a mudar e a partir daquele momento a resistência do trabalhador seria testada não só pela repressão do Estado, mas também pelos líderes sindicais que do alto de seus caminhões faziam palanque.

Guardas municipais que estavam em um ponto da avenida, próximo ao terminal de ônibus da Central, tentaram provocar alguns manifestantes autônomos que iniciavam uma ação direta como protesto. Bombas de gás foram lançadas e a tensão começou a se instalar na linha de frente do ato, foi nesse momento que seguranças das centrais sindicais, os famosos bate-paus, tentaram arrancar escudos dos manifestantes independentes e impedir a desobediência civil na linha de frente do ato diante dos guardas municipais.

Manifestante autônomo discute com bate-pau da CUT. Foto: Bárbara Dias/Democratize

Uma discussão começou a se generalizar entre os manifestantes enquanto líderes sindicais tentavam através dos microfones criminalizar os ativistas que iniciaram a ação direta. Porém, os sindicatos não esperavam que de uma discussão iniciada pelos seus bate-paus saísse a união entre os manifestantes de diversas vertentes da esquerda, da mais partidária aos mais revolucionários. A partir desse momento a luta se voltou para a repressão dos guardas municipais e a resistência contra os tiros de bala de borracha e bombas começou.

Os guardas do GTM (Grupamento Tático Movel da Guarda Municipal) começaram a atacar de forma arbitrária a todos que estavam por perto deles, bombas de gás eram atiradas na direção das cabeças dos manifestantes, que como revide lançavam garrafas e rojões para atrasar o grupamento. Minutos depois o Batalhão de Choque foi chamado e uma verdadeira perseguição a ativistas foi iniciada pelo centro do Rio. Muitas bombas e tiros de bala de borracha eram atiradas na direção da mídia e de pessoas que nem parte da manifestação faziam, mas que se indignavam com a violência policial.

A dispersão do ato chegou até a Cinelândia, onde ocorreram abordagens ilegais e prisões arbitrárias contra pessoas que frequentavam a região, além disso, um policial atirou uma bomba de gás contra o bar Amarelinho, deixando idosos e crianças intoxicadas. Houveram relatos de tiro por arma letal disparados por agentes da Operação Centro Presente, que sacaram armas contra manifestantes. 

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Rio De Janeiro: Ato Contra A Reforma Da Previdência

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