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Eleições neste domingo: desta vez o resultado vai valer?

Durante os 12 últimos anos, ouvimos teorias de conspiração sobre a legitimidade das urnas eletrônicas, além de assistirmos um governo democraticamento eleito sendo retirado do poder por causa de interesses de um grupo da sociedade. Afinal, o resultado das urnas agora irá valer, já que a direita é a favorita nas grandes capitais?

Quando o resultado de qualquer eleição desagrada certo grupo da sociedade, o papo é sempre aquele mesmo: as urnas eletrônicas não funcionam; as urnas eletrônicas foram fraudadas; como vou saber se meu voto realmente foi para o meu candidato?

Ironicamente, esse tipo de argumento foi muito utilizado nos últimos 14 anos. Talvez pelo fato do Partido dos Trabalhadores protagonizar o cenário político nacionalmente, elegendo por quatro vezes seguidas um Presidente da República, além de vencer em várias capitais importantes do país neste período de tempo.

Mas agora o cenário mudou.

Não temos mais “filósofos de Youtube” profetizando sobre as urnas eletrônicas. Muito menos colunistas de revistas semanais criticando a transparência do processo eleitoral brasileiro.

Como se fosse uma mágica, as eleições no Brasil se tornaram novamente uma prática democrática e civilizatória, de ampla legitimidade e confiabilidade.

Talvez isso aconteça justamente porque o resultado das urnas em 2014 não foi respeitado.

Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, oficializado no final de agosto deste ano, mais de 54 milhões de votos foram “anulados”. Podemos aqui debater a constitucionalidade do processo, ou se Dilma realmente praticou as chamadas “pedaladas” ou não. Mas não podemos negar que tratou-se de uma manobra política de um grupo em particular da sociedade brasileira que, por meros interesses financeiros e políticos, resolveu arquitetar um verdadeiro teatro de moralidade.

E o nosso povo caiu no papo.

Por isso a pergunta: desta vez o resultado das eleições vai valer?

Talvez acabe valendo.

Afinal, são os partidos de centro-direita e até mesmo extrema-direita os favoritos nas grandes capitais. Em Porto Alegre, por exemplo, corremos o risco de termos PSDB e PMDB disputando o segundo turno. Em São Paulo, o empresário e sósia do republicano Donald Trump, João Doria (PSDB), é o grande favorito. No Rio de Janeiro, com muito custo, teremos Marcelo Freixo (PSOL) disputando o segundo turno com o então favorito Marcelo Crivella (PRB), homem forte da Igreja Universal e da Bancada da Bíblia.

Isso sem falar em outras capitais como Belo Horizonte e Curitiba, onde o resultado deve seguir a mesma tendência.

Com isso, não teremos mais tantos questionamentos sobre a legitimidade das urnas eletrônicas. Isso já pode ser constatado pelo “sumiço” da Reforma Política nas pautas das manifestações de rua — que na realidade, também sumiram (pelo menos as “contra a corrupção”).

Mas, e se o resultado for o oposto propagado pelos grandes meios de comunicação e suas pesquisas questionáveis?

E se Freixo vencer no segundo turno no Rio, e Haddad vencer em São Paulo contra Doria. Ou se Luciana Genro ou Raul Pont protagonizarem o segundo turno em Porto Alegre, tirando a prefeitura das mãos da centro-direita?

Se isso acontecer, desta vez o resultado vai valer?

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