Na semana passada, partidos como PSDB e DEM seguiram o discurso de perseguição política sugerido pelo jornal Estadão, pedindo uma investiga…

E se fosse Guilherme Boulos segurando uma arma?

E se fosse Guilherme Boulos segurando uma arma?Na semana passada, partidos como PSDB e DEM seguiram o discurso de perseguição política sugerido pelo jornal Estadão, pedindo uma investiga…


E se fosse Guilherme Boulos segurando uma arma?

Foto: Reprodução/Democratize

Na semana passada, partidos como PSDB e DEM seguiram o discurso de perseguição política sugerido pelo jornal Estadão, pedindo uma investigação sobre o coordenador nacional do MTST por “incitação à violência”.

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) adora exibir seu arsenal de armas de fogo. Não é novidade. Parte do discurso do deputado de extrema-direita é aquele velho populismo pelo fim do estatuto do desarmamento. Ele quer “armar os cidadãos de bem”, diz, contra a escória protegida pelos “direitos humanos”.

Esse é apenas um pequeno detalhe no discurso de ódio de Bolsonaro, seja contra minorias ou por puro prazer.

Quando um deputado federal, um homem público e “formador de opinião” diz que agrediria seu filho caso ele fosse gay, o que seria isso se não incitar a violência?

É claro. Não vimos nenhum deputado do PSDB ou do DEM se preocupando com as declarações de Bolsonaro. Por que? Bom, primeiramente porque isso não representa nenhum capital político para eles. E segundo porque, na teoria (e na prática), Bolsonaro é um aliado distante deles. Aquele cara que você não tiraria uma foto abraçando, mas que fica ali atrás das cortinas, te representando para um setor mais marginalizado da sociedade — os velhos brancos de classe média.

Por isso, tanto faz se Bolsonaro resolve tirar uma foto segurando um rifle, postando nas redes sociais logo em seguida. O máximo que aconteceria seriam alguns comentários o chamando de “mito”, ou pedindo sua candidatura para 2018.

Eu poderia chamar isso de masturbação ideológica, ou intelectual. Mas como Bolsonaro não representa nenhuma ideologia se não a do ódio, e que de intelectual não tem nada, é apenas masturbação de ego.

Agora e se o líder mirim da nova direita brasileira, o Kim Kataguiri do Movimento Brasil Livre, resolve postar uma foto segurando um rifle?

Bem, ele como liberal é adepto do armamento da população, do “cidadão de bem”.

Ele, como líder das manifestações pelo impeachment, logo então poderia ser responsabilizado pelas agressões sofridas por pessoas em seus protestos? Nas últimas semanas ouvimos diversos relatos de homens e mulheres sendo ameaçados, espancados e hostilizados quando passavam em frente ao prédio da Fiesp, onde existe um acampamento de lunáticos pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Se formos analisar, foi Kataguiri e seu movimento que os colocou ali. Foram eles que convocaram as manifestações e prometeram ocupar a Paulista até a Dilma Rousseff renunciar. Logo, são responsáveis pelas agressões, pelos crimes cometidos até o momento.

Mas não. Você não verá o senador Aécio Neves e o deputado Rodrigo Maia pedindo investigação sobre Kim Kataguiri e seu movimento bancado por ONGs estrangeiras, alegando incitação à violência.

Mas e se fosse Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST?

E se fosse Boulos segurando um rifle e postando em seu perfil público nas redes sociais?

E se fosse Boulos sugerindo que seus militantes espancassem quem pensa diferente deles?

E se fosse Boulos promovendo uma ocupação política na Avenida Paulista, onde os ocupantes agredissem quem fosse passar por lá de verde e amarelo?

Pois é.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on April 4, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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