E se fosse o senador Aécio Neves, o vencedor das eleições em 2014? Nome citado na Lava Jato, recentes escândalos de viagens, defensor…

E se fosse Aécio na presidência?

E se fosse Aécio na presidência?E se fosse o senador Aécio Neves, o vencedor das eleições em 2014? Nome citado na Lava Jato, recentes escândalos de viagens, defensor…


E se fosse Aécio na presidência?

Foto: Marcos Fernandes

E se fosse o senador Aécio Neves, o vencedor das eleições em 2014? Nome citado na Lava Jato, recentes escândalos de viagens, defensor publicamente de uma política de cortes de gastos públicos e austeridade. Como seria?

Por Francisco Toledo

Antes de qualquer coisa, precisamos analisar os dois motivos principais que fizeram pelo menos 90% da população brasileira ficar insatisfeita com o primeiro ano da segunda gestão de Dilma Rousseff no Planalto.

Os grupos sociais que dão margem para esse largo número são dois: a classe média — de média pra baixa — e as classes C e D.

O primeiro motivo principal é a economia. Alto índice de inflação, aumento dos juros, corte de gastos, ajuste fiscal, políticas de austeridade… são muitos os fatores que fizeram boa parte desse grupo da sociedade perderem a paciência com o governo petista. O Congresso também não ajuda, com a aprovação e lobby de planos como a expansão da terceirização no Brasil, entre outros.

O segundo motivo principal é claro, a corrupção. Bombardeados diariamente com manchetes nos jornais citando a cada semana um novo caso de corrupção envolvendo pessoas ligadas ao governo ou ao PT, esse cidadão acaba se indignando com a facilidade na qual um político profissional consegue mentir e omitir em público. E pior: com a cultura da pizza, onde tudo tradicionalmente não vai pra frente, tal cidadão fica ainda mais bravo ao pensar que esse político talvez nem sequer será preso ou responsabilizado por seus atos. Enquanto isso, ele, cidadão trabalhador de classe média baixa, precisa seguir na linha a Ordem.

Pensa: são mais de 12 anos de Partido dos Trabalhadores no poder. Uma geração inteira que nasceu no primeiro governo Lula, e agora, no começo da pré-adolescência, não faz ideia do que é viver em um país administrado por outro partido. Caso Dilma fique no poder até o final do seu mandato, esse jovem completará 16 anos — onde poderá enfim votar. Não é pouco tempo, é muito tempo.

Não por acaso, o senso comum do cidadão brasileiro médio já associa a palavra corrupção com PT. E, sinceramente, a culpa não é dele.

Mas não entraremos nos méritos disso tudo. A questão aqui é: e se fosse Aécio Neves, o senador tucano de Minas Gerais, o vencedor das eleições presidenciais do ano passado?

Para analisarmos como seria esse governo, precisamos de dois planos de destaque: o primeiro é a sua plataforma de governo defendida na campanha eleitoral de 2014. O segundo são as acusações contra o seu nome pós-eleições, em 2015 — aliás, não apenas o seu nome como também do seu partido. Afinal, a presidenta Dilma Rousseff sofre um duro golpe a cada novo membro do Partido dos Trabalhadores atrás das grades.

Foto: Luciano Marra

Em sua plataforma de governo durante as eleições no ano passado, o tucano já assumia que o país vivia uma grave crise — negada até o fim pela então candidata Dilma Rousseff. Claro que ele falou a verdade. Mas falou porque era oposição, e não situação. Se fosse o contrário… enfim.

Por conta disso, o então candidato do PSDB já articulava uma defesa de corte de gastos públicos, com uma série de privatizações, concessões e ajuste fiscal. Ou seja, tudo o que temos hoje com o governo petista.

Pensando dessa forma, a insatisfação com a economia não seria muito diferente da que temos hoje. Sinceramente, a única diferença talvez seja a mais problemática. Não foi Aécio Neves o responsável pela crise, que já dava sinais de início em meados de 2012 e 2013. Portanto, ele teria um argumento de defesa levemente concreto — de que ele não foi o responsável pela bagunça, tinha apenas herdado o caos deixado pelo governo petista.

Sim, faz sentido. Mas não é bem por ai.

O ex-presidente Lula também herdou uma situação bem complicada em 2003. Claro, não vamos comparar a gravidade de ambas, mas serve para análise. Lula manteve parte da política econômica de FHC, mas soube driblar a responsabilidade de herdar uma possível crise, bancando uma série de programas sociais que dariam uma margem de aprovação a seu favor contra uma possível crise econômica. E ele conseguiu — e conseguiu muito bem, aliás.

Mas se formos seguir a lógica neoliberal defendida pelos economistas tucanos dessa nova geração, não haveria espaço para quaisquer aventuras sociais diante da atual situação. Portanto, nada além de austeridade para equilibrar as contas e trazer de volta a economia aos poucos.

No final das contas, o então ex-futuro-presidente Aécio Neves conseguiria, com certa dificuldade, não arcar tanto quanto Dilma em tal cenário.

Mas no segundo, já fica difícil. O nome de Aécio Neves foi citado na investigação da Operação Lava Jato neste ano. O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, mencionou o nome do senador tucano em troca de mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal. As conversas indicavam que Aécio teria se encontrado com o empreiteiro em 2012. Em agosto deste ano, Youssef e Costa falaram sobre as propinas para políticos tucanos. Segundo os dois delatores da Operação Lava Jato, o ex-presidente nacional do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2014, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) estariam entre os beneficiários do desvio de recursos.

Youssef voltou a afirmar que Aécio Neves recebeu recursos desviados de Furnas quando ainda era deputado federal. Segundo o doleiro, o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010 e condenado no processo do mensalão, contou que operava um esquema de corrupção dentro de Furnas e que Aécio seria um dos beneficiários. “Eu confirmo (a participação) por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre”, disse Youssef, que também fez essas mesmas declarações ao Ministério Público durante as investigações da Lava Jato. De acordo com Youssef, Aécio recebia o dinheiro “através de sua irmã”.

Imagine só. Um recém eleito presidente, que ganhou no grito contra a corrupção, logo nos seis primeiros de governo tendo seu nome diretamente citado na maior investigação contra corrupção da história do país.

Mais recentemente, o nome do atual senador apareceu novamente em escândalos de corrupção e má conduta pública. Aécio Neves omitiu voos para o Rio de Janeiro em aeronaves oficiais quando era o governador do estado de Minas. Em documento solicitado por meio da Lei de Acesso à Informação, não constava nenhum voo particular realizado por Aécio com aeronaves oficiais do Estado, que governou entre 2003 e 2010, segundo informações publicadas na edição desta quinta-feira (24) do jornal Folha de S.Paulo.

Todo esse escândalo ao redor do seu nome, aliado com a crise e sua política de austeridade, renderia em uma desaprovação por parte da população tão grande quanto a de Dilma Rousseff. Mas não igual, nem maior. Afinal, ele estaria apenas começando. Sem contar que não haveria, provavelmente, um bombardeio midiático contra seu governo. Afinal, os grupos tradicionais de mídia o queriam — ou talvez ainda o querem — lá. Também não haveria a massa da classe média alta e baixa ocupando as ruas de São Paulo e do Brasil exigindo o seu impeachment. Afinal, muitos teriam votado nele.

Afinal de contas, o que podemos aprender com essa análise?

Podemos aprender que vivemos em uma sociedade muito seletiva, que ainda não entendeu que o problema não se encontra em um partido específico, ou em um político específico. Claro, boa parte deles possuem seus problemas de caráter, mas não são exclusivos. A corrupção é uma armadilha impregnada no sistema o qual chamamos de democracia. Instituições democráticas que não são de fato democráticas.

O ajuste fiscal, a austeridade, também entra no mesmo barco. Quem financia a campanha do PT, e quem financia a campanha do PSDB? São os mesmos. E os mesmos exigem retorno do seu investimento. Não vão injetar milhões de reais em uma campanha que, posteriormente — caso vitoriosa — vá investir mais em serviços públicos e menos em aberturas de privatizações e concessões para elas mesmas.

A inocência, já perdemos. O que falta é a apenas a ingenuidade.

By Democratize on September 24, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: