Na última sexta-feira (6), uma testemunha em casos de chacina na região de Osasco foi assassinada. A vítima ajudou a identificar seis…

Distorção, sigilo e chacinas marcam gestão tucana em São Paulo

Distorção, sigilo e chacinas marcam gestão tucana em São PauloNa última sexta-feira (6), uma testemunha em casos de chacina na região de Osasco foi assassinada. A vítima ajudou a identificar seis…


Distorção, sigilo e chacinas marcam gestão tucana em São Paulo

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Na última sexta-feira (6), uma testemunha em casos de chacina na região de Osasco foi assassinada. A vítima ajudou a identificar seis suspeitos, entre eles policiais militares. No momento em que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tenta ao máximo esconder informações sobre a violência no estado, segue o padrão de “queima de arquivo”.

O ex-segurança particular, David Sabino de Oliveira Filho, foi assassinado em frente ao seu comércio, nesta sexta-feira (6). Ele ajudou a Polícia Civil a identificar pelo menos seis pessoas envolvidas em casos de chacina entre 2012 e 2013 na região de Osasco, incluindo três policiais militares.

O caso ocorre apenas alguns meses após agosto deste ano, onde mais de 19 pessoas foram brutalmente assassinadas em um dos casos de chacina mais violentos da última década, também em Osasco. A investigação deste caso específico segue polêmica, com um conflito entre a Polícia Militar e Polícia Civil, que alega que PM’s estariam dificultando o acesso à informações por conta do já esperado envolvimento de diversos policiais da organização na série de assassinatos.

Jornalistas tentaram entrevistar o governador Geraldo Alckmin sobre o assassinato de David, mas foram ignorados pelo tucano — e também por seu pupilo, o Secretário de Segurança e futuro candidato para prefeito da capital, Alexandre de Moraes.

Ambos se encontram em outra grave polêmica: uma manobra de sua gestão distorceu o número de homicídios em São Paulo, fazendo com que os casos acabassem diminuindo. Tal “redução da criminalidade” tem sido usada como bandeira política do secretário Alexandre de Moraes, que não esconde sua intenção de se candidatar para prefeito de São Paulo em 2016. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a mudança da metodologia começou em abril e sem divulgação, quando a gestão tucana passou a excluir das estatísticas de homicídios dolosos as mortes cometidas por PMs de folga em legítima defesa. Tal estratégia permitiu ao Estado retirar, em apenas seis meses, 102 mortes das estatísticas oficiais de homicídios — equivalentes a mais de cinco chacinas como a registrada no dia 13 de agosto em Osasco e Barueri.

Não é novidade que o gestão do PSDB em São Paulo acabe distorcendo e escondendo informações. Só neste ano, polêmicas envolvendo dados sigilosos da Sabesp, Metrô e da própria PM acabaram sendo alvo de indignação da população. Desta vez, o governo estadual tenta maquiar com objetivos meramente políticos e eleitorais as informações de segurança pública.

O governador Geraldo Alckmin, e Alexandre de Moraes ao fundo | Foto: Fabio Rodrigues/Agência Brasil

Já é conhecido o uso da imagem de “forte e rigoroso” pelo secretário Alexandre de Moraes, que apenas três dias após a chacina em agosto, preferiu estar passeando em uma manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff na Paulista, do que ir dialogar com a população, moradores e família do Jardim Munhoz, bairro mais afetado pela série de assassinatos. A equipe do Democratize tentou por diversas vezes entrevistar o secretário sobre a chacina durante a manifestação do dia 16, e foi ignorada em todas as tentativas. Trata-se de uma postura clara do governo estadual de tentar ao máximo fortalecer a imagem de Alexandre de Moraes, utilizando da máquina pública para distorcer informações, esconder outras através de sigilo, para então prepará-lo como nome em potencial para substituir o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), nas eleições do ano que vem.

Desde a chacina em agosto deste ano, a ONG Rio da Paz realiza diversos atos simbólicos para lembrar ao governo do estado e também para a população, que a justiça em relação aos assassinatos segue indevida, como mostrou o Democratize recentemente, em entrevista com a ativista Fernanda Vallim Martos. A ativista relatou sobre a demora nas investigações envolvendo chacinas no estado de São Paulo, o que se trata de uma verdadeira interferência do Estado através do seu principal órgão de segurança, que é a Polícia Militar, de esconder informações e atrapalhar investigações:

“Se analisarmos todas essa chacinas, vamos ver que há fortes indícios de um modus operandi de grupos organizados para a prática de extermínio. Em vários deles há policias envolvidos. Não se pode afirmar que haja policias envolvidos em todos os casos, porque inclusive o índice de elucidação desses crimes é baixíssimo. Das 20 chacinas que ocorreram este ano, apenas 3 tiveram produziram a prisão de suspeitos e andamento nos inquéritos.”

No começo de outubro, o Democratize conseguiu com exclusividade o relatório do Condepe — Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana — sobre a chacina de agosto. No relatório, o relator especial para Violência Policial, Luis Carlos dos Santos, concluiu sua preocupação com a presença do secretário Alexandre de Moraes no andamento das investigações. Em Deliberações preliminares do relatório feito pelo Condepe no dia 5 de outubro, após reunião do conselho, é possível ver como tópico número 7 a frase: discutir a postura do Secretário de Segurança em referência a Chacina.

Trata-se de um sinal claro de preocupação de juristas, advogados e ativistas de direitos humanos sobre a influência negativa do secretário nas investigações sobre a chacina.

O secretário Alexandre de Moraes, sendo alvo de “fãs” durante protesto anti-Dilma três dias após a chacina em Osasco | Foto: Wesley Passos/Democratize

By Democratize on November 11, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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