A direita brasileira está desesperada para encontrar um líder; a bola da vez é Sergio Moro, inquisidor dos processos da Lava Jato.

Direita brasileira: “procura-se um líder, paga-se bem”

Direita brasileira: “procura-se um líder, paga-se bem”A direita brasileira está desesperada para encontrar um líder; a bola da vez é Sergio Moro, inquisidor dos processos da Lava Jato.


Direita brasileira: “procura-se um líder, paga-se bem”

Foto: Alice V/Democratize

A direita brasileira está desesperada para encontrar um líder; a bola da vez é Sergio Moro, inquisidor dos processos da Lava Jato.

Por Tatiana Oliveira
Blog A Última Crônica, exclusivo para o Democratize

Não têm sido tempos fáceis para a direita brasileira, desesperada por assumir um papel de liderança sob parte da população que está abertamente contra quaisquer partidos políticos, independente de seu espectro e projeto de governo.

Bom exemplo foram as manifestações “contra corrupção” deste domingo, 13 de março. Apesar do forte investimento de mídia para levar a população às ruas, lambes colados nas madrugadas com mão de obra paga para realizar o trabalho e vários caminhões de som no dia do evento, lideranças que financiavam o carnaval foram duramente hostilizadas e expulsas da própria festa.

Mas isto não vem de hoje. Em 2012, o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, foi chamado de herói do Brasil e se tornou uma celebridade política ao acompanhar o Mensalão. Barbosa se aposentou em 31 julho de 2014 e, junto com ele, foi-se o glamour dos tempos em que achava ter o direito de interferir até mesmo nos poderes Executivo e Legislativo, coisa que a Constituição que — em tese — ele deveria honrar, não permite.

Já em 2015, desavisados pediam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na esperança de que Aécio Neves — o bobo da corte do PSDB — assumisse a presidência do país. Mas os dias de palco também não são mais os mesmos para Aécio, recebido com vaias e gritos de “Fora Corrupto”, na manifestação deste domingo, assim como o governador Geraldo Alckmin, que há 20 anos tenta sair de Merendópolis [São Paulo] para ganhar a República, sem receber o apoio sequer de seu partido.

A senadora Marta Suplicy, atual promoter do PMDB, foi outra a conseguir feito inédito neste domingo. Escoltada por seguranças, foi expulsa do ato sob gritos de “perua”, “vira casaca” e “fora PT”. Marta é unanimidade: hostilizada há tempos pela esquerda e agora também pela direita; resta a ela o mesmo limbo de grande parte dos políticos do PMDB.

O que se vê é uma direita desesperada por encontrar uma liderança para se apoiar, a exemplo de parte da esquerda brasileira, que apesar de duros golpes, há décadas se mantém sustentada pela figura política de Lula. Não é a toa que, em 2016, o novo superstar de eleitores da direta seja o juiz federal Sergio Moro, inquisidor dos processos da Lava Jato, criticado recentemente pelo Ministro do STF, Marco Aurélio, por seu autoritarismo.

Foto: Alice V/Democratize

Fato é que, a cada novo líder que a direita tenta levantar, esbarra no mesmo problema: só se pode mudar a política entrando no jogo político. Mas, no momento em que sua imagem se alia a um partido, o ícone deixa de ser desejado pela população que o colocou em um pedestal.

Há quem peça intervenção militar. Há quem braveje “fora Lula”, ainda que o ex-presidente não exerça — oficialmente — nenhum cargo político. Há até mesmo aqueles que acreditam que a salvação estaria na monarquia. Incompetência da direita, que não consegue nem desmobilizar a esquerda, nem liderar a população que pede o ”fora PT”.

By Democratize on March 14, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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