Movimento chamado #DEMexit pede a saída imediata de todos os apoiadores de Bernie Sanders do partido, diante da escolha da ex-senadora…

Derrota de Bernie Sanders gera ruptura dentro do Partido Democrata nos EUA

Derrota de Bernie Sanders gera ruptura dentro do Partido Democrata nos EUAMovimento chamado #DEMexit pede a saída imediata de todos os apoiadores de Bernie Sanders do partido, diante da escolha da ex-senadora…


Derrota de Bernie Sanders gera ruptura dentro do Partido Democrata nos EUA

Foto: Mary Altaffer/AP

Movimento chamado #DEMexit pede a saída imediata de todos os apoiadores de Bernie Sanders do partido, diante da escolha da ex-senadora Hillary Clinton para concorrer ao cargo de presidente nos Estados Unidos pelos Democratas. Seguidores de Sanders cogitam apoiar Jill Stein, candidata pelo Partido Verde.


A grande maioria dos eleitores de Bernie Sanders, pré-candidato na nomeação do Partido Democrata para a presidência dos Estados Unidos, não ficaram nada satisfeitos com a escolha da senadora Hillary Clinton pelo partido, para disputar contra Donald Trump o cargo mais importante do planeta.

São vários os motivos que levam essa resistência contra Hillary na base de Sanders, que conseguiu cerca de 1.865 delegados no partido — mil a menos que Hillary. Foram 23 estados conquistados por Bernie, que se auto-denomina “socialista democrático”, com mais de 13 milhões de votos; a ex-senadora teve 3 milhões a mais.

Um deles é o discurso do próprio Bernie, principalmente quando o assunto é economia.

Foi Bernie quem colocou em debate os questionamentos sobre a interferência de grandes empresas e multinacionais no processo eleitoral democrático dos Estados Unidos, através das doações de campanha — os superpacs.

Não por acaso, Hillary recebeu milhões de dólares de financiamento para sua pré-campanha através dessas doações. Por isso, para os seguidores de Bernie, chega a ser irracional acreditar que a candidata democrata realmente vai batalhar contra a influência de Wall Street na política nacional, principalmente no processo eleitoral.

Outro fator decisivo para os eleitores de Bernie decidirem não votar em Hillary é o fato dela fazer parte de um núcleo bem privilegiado do Partido Democrata, mais tradicional e que comanda internamente o senso comum de seus partidários. Assim como os eleitores de Donald Trump, os seguidores de Bernie não acreditam mais na solução tradicional para a política, negando a possibilidade de seguir e apoiar candidatos que representem o chamado establishment.

Mas o que realmente fez os eleitores do pré-candidato socialista ficaram bravos foi a recente divulgação de e-mails da elite do Partido Democrata planejamento uma forma de “barrar” uma possível indicação de Bernie Sanders.

O caso, divulgado pelo site Wikileaks, resultou na demissão da presidente do partido, Debbie Wasserman Schultz. Foram mais de 20 mil mensagens trocadas por figuras internas do partido, apontando em uma tentativa de desestabilizar a candidatura de Bernie, favorecendo Hillary para a indicação final.

Agora oficialmente candidata pelos Democratas, a ex-senadora acusou a Rússia de ter fornecido os documentos para o Wikileaks, em uma tentativa de favorecer a campanha de Donald Trump, dividindo o Partido Democrata.

E foi exatamente isso que aconteceu: uma divisão drástica, jamais vista nas últimas décadas dentro do partido.

Seguidores de Bernie criaram o movimento #DEMexit, inspirados pelo Reino Unido, oficializando uma espécie de “saída coletiva” do partido. Na própria convenção do partido, realizada na semana passada, os delegados e eleitores de Bernie deram as costas para a candidata democrata, durante seu discurso. Posteriormente, realizaram uma manifestação do lado de fora do local.

Apesar de Bernie ter aceitado a indicação de Hillary, pedindo aos seus delegados e eleitores que seguissem a indicação do partido, trata-se exatamente daquilo que ele tanto falava durante sua campanha: não se trata de uma mobilização por uma pessoa, um individuo político, e sim uma mobilização popular, acima de qualquer interesse.

E foi isso que seus seguidores resolveram praticar.

Por outro lado, quem sai fortalecida é Jill Stein, candidata pelo Partido Verde para a presidência dos Estados Unidos.

Apesar do sistema eleital norte-americano privilegiar o bipartidarismo (Democratas e Republicanos), além da própria mídia dar mais atenção para ambos, Stein acredita que se conseguir repetir a mobilização feita por Sanders, é possível “hackear” a eleição deste ano.

Não por acaso, boa parte dos seguidores de Bernie resolveram declarar seu apoio para a candidata do Partido Verde, que esteve do lado de fora da convenção democrata, dialogando com os delegados e eleitores de Sanders.

By Democratize on August 1, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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