Somando as três capitais — São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — mais de 200 mil pessoas estiveram presentes em um dia marcado por…

Depois de sexta, mídia não consegue mais ignorar manifestações contra Temer

Depois de sexta, mídia não consegue mais ignorar manifestações contra TemerSomando as três capitais — São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — mais de 200 mil pessoas estiveram presentes em um dia marcado por…


Depois de sexta, mídia não consegue mais ignorar manifestações contra Temer

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Somando as três capitais — São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — mais de 200 mil pessoas estiveram presentes em um dia marcado por grandes atos contra o presidente interino Michel Temer. A mídia que anteriormente tratava os protestos como algo questionável, hoje já não consegue ignorar os gritos contra o governo interino.


Durante o governo Dilma Rousseff em 2015, os grandes meios de comunicação ficaram conhecidos pela sua cobertura “exagerada” das manifestações a favor do impeachment da presidente petista. A Globonews, canal de notícias por assinatura da Rede Globo, realizava coberturas do começo até o final das manifestações — praticamente 24 horas.

Em alguns casos, tais veículos até “promoviam” os atos, debatendo sobre o tema durante a semana anterior dos protestos.

“Expectativa de adesão popular”, “vai ser maior do que o último”, “insatisfação com o governo refletida nas ruas”. Muito se falava sobre, mas pouco foi de fato debatido.

Chegamos em 2016, e agora o então vice-presidente Michel Temer assume o governo interino, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff ser aprovado em primeira fase pelo Senado Federal, neste mês de maio.

Novas manifestações ocorrem. Mas desta vez contra o novo governo.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Manifestações que foram inicialmente consideradas “pequenas” ou “articuladas pela militância política do PT”.

Mas quase um mês após a votação no Senado, a situação vai se mostrando um pouco mais complexa do que aquela informada pela mídia convencional: é a população que não concorda com o novo governo.

Para aqueles que não se lembram: a insatisfação com o governo Dilma incluia o seu vice-presidente, que hoje é interino. Na maioria das pesquisas, boa parte dos que defendiam o impeachment de Dilma Rousseff também não concordavam com um eventual governo liderado por Michel Temer. E até hoje é assim.

Prova disso é que depois dos escândalos do governo interino em menos de um mês de gestão, com um ex-ministro do Planejamento quase na cadeia, novas pesquisas surgem mostrando que o atual governo é tão rejeitado quanto o anterior.

E isso se reflete nas ruas.

Fora Temer no Rio de Janeiro | Foto: Wagner Maia/Democratize

Em um dia de mobilização nacional, com protestos em praticamente todas as capitais do país, movimentos sociais e centrais sindicais mostraram sua já tradicional força — mas contaram ainda com o apoio da sociedade civil, que também participou e foi pra rua.

Só em São Paulo, mais de 100 mil pessoas ocuparam a Avenida Paulista em uma das noites mais geladas do ano. Convocados pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo, grupos pró-PT e de oposição de esquerda ao governo Dilma se unificaram em protesto contra o presidente interino Michel Temer.

Com um discurso de mais de 30 minutos, o ex-presidente Lula esteve presente no ato, criticando por diversas vezes o governo interino do PMDB: “Por favor, permita que o povo retome o goberno com a Dilma e participe das eleições em 2018 para ver se você vai ser presidente”, desafiou o petista, aplaudido pela multidão na Paulista.

Mas o próprio Lula fugiu do principal grito dos manifestantes: “Não vou falar fora Temer porque, da minha parte, não fica bem”.

Essa posição “light” das lideranças petistas abrem espaço para o protagonismo de outros setores da esquerda, como foi o caso do Rio de Janeiro, onde o pré-candidato a prefeito da capital, Marcelo Freixo (PSOL), se juntou ao deputado federal do mesmo partido, Jean Wyllys, para discursar contra o presidente interino.

Foto: Wagner Maia/Democratize

A cobertura da mídia acabou se tornando uma obrigação para os meios de comunicação. Em plena sexta-feira, mais de 200 mil pessoas em três capitais do país — sem somar as demais — protestaram contra o presidente interino, que vive um momento de “crise permanente” em seu governo, com a adesão da classe política e artística — como foi o caso do Rio de Janeiro, onde o ato contou com apresentações de cantores como o vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz.

A cobertura do jornal Folha de S. Paulo, por exemplo, gerou “ciúmes” por parte dos movimentos anti-PT que convocaram as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff — como é o caso do Movimento Brasil Live e do Vem pra Rua.

Com a atenção da mídia, que mesmo assim continua tentando ao máximo considerar algo relativo a capacidade de articulação dos movimentos sociais, o “fora Temer” alcança uma nova fase que pode se tornar ainda maior nos próximos meses — principalmente dependendo dos novos escândalos que devem surgir no governo interino em relação ao processo da operação Lava Jato.

A aposta dos movimentos sociais e da esquerda é que as manifestações consideradas “espontâneas” contra Michel Temer ganhem força, e alcancem a mesma capacidade de articulação dos protestos convocados por centrais sindicais.

Veja a galeria de fotos dos protestos no Rio de Janeiro e em São Paulo:

Foto: Reinaldo Meneguim/DemocratizeFotos: Gustavo Oliveira/DemocratizeFotos: Reinaldo Meneguim/DemocratizeFotos: Wagner Maia/Democratize

By Democratize on June 11, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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