Defensora da proposta de novas eleições gerais, a ex-senadora Marina Silva (Rede) já começa a incomodar o Movimento Brasil Livre…

Depois de Dilma, o novo alvo dos movimentos pelo impeachment é Marina Silva

Depois de Dilma, o novo alvo dos movimentos pelo impeachment é Marina SilvaDefensora da proposta de novas eleições gerais, a ex-senadora Marina Silva (Rede) já começa a incomodar o Movimento Brasil Livre…


Depois de Dilma, o novo alvo dos movimentos pelo impeachment é Marina Silva

Foto: Adriana Spaca

Defensora da proposta de novas eleições gerais, a ex-senadora Marina Silva (Rede) já começa a incomodar o Movimento Brasil Livre, idealizador das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff. Para o grupo de Kim Kataguiri, seria um erro estratégico novas eleições, que colocariam em risco os interesses de quem os financiou.

Parece até piada, mas o novo líder mirim da política nacional já encontrou um novo inimigo, mesmo que não tenha de fato derrubado seu principal alvo, que é a presidenta Dilma Rousseff.

Trata-se do meu companheiro de blog no Huffpost Brasil, o Kim Kataguiri, e seu movimento bancado pela Students for Liberty, o Movimento Brasil Livre.

Em sua coluna de hoje no jornal Folha de São Paulo, Kataguiri decidiu esculachar a ex-presidenciável Marina Silva, da Rede. “O petismo verde”, disse. Separei alguns trechos aqui:

“[Marina] Diz acreditar que a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seja a solução de que o país precisa.

O que a ex-senadora esquece de mencionar é que o processo do TSE é muito lento. Na melhor das hipóteses, conseguirá adiantar as eleições de 2018 em 2 ou 3 meses. Marina sabe disso. E é por isso que diz o que diz.

O que ela realmente quer é aumentar seu capital político em cima do desgaste do governo — e, consequentemente, da desgraça do país — para garantir uma eleição tranquila em 2018. Muito nobre da parte daquela que “não desistiu do Brasil”, não é?”

No final das contas, o medo de Kataguiri é exatamente o mesmo que o de Marina: perder a chance de aumentar seu capital político.

Pra quem não sabe, o movimento bancado pelo Students for Liberty (organização estrangeira que atua em países como Venezuela e Ucrânia) deve lançar cerca de 200 candidatos para as eleições municipais deste ano em todo o país. Os partidos escolhidos pelos membros do Movimento Brasil Livre acabam variando entre siglas da oposição ao governo Dilma, como o DEM, PSDB, PP e até mesmo PSC e PMDB.

Não por acaso, são os mesmos partidos mais interessados pelo impeachment de Dilma Rousseff e, logo em seguida, em um possível governo de Michel Temer no Planalto.

Paulo Skaf, da Fiesp, na manifestação pelo impeachment da Paulista com membros do MBL | Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Representantes das siglas de oposição querem participar do futuro governo de Temer caso o impeachment seja aprovado pelo Congresso, e claro, seus guris articuladores das manifestações contra Dilma não querem perder a oportunidade de pegar algumas fatias do bolo. Seja através de capital político, ganhando espaço e reconhecimento dentro de núcleos em Brasília, ou até mesmo garantindo vitórias municipais para posteriormente se fortalecerem em 2018 para cargos no Congresso.

Por isso, a ideia de Marina Silva de esperar pela cassação do mandato Dilma/Temer seria considerada um desastre estratégico para Kim Kataguiri e seus colegas adoradores da escola do YouTube, mais conhecida como Ludwig von Mises.

Segurando bandeiras contra a corrupção de um, Kataguiri ignora completamente a corrupção de outro — no caso, Michel Temer. Utiliza do ódio generalizado contra o Partido dos Trabalhadores para justificar a seletividade em suas manifestações, e claro, faria o mesmo em um futuro governo do PMDB em Brasília.

Vale lembrar que Michel Temer foi mencionado por diversas vezes durante as investigações da Operação Lava Jato, desde 2014. Em reportagem publicada pela Agência Democratize, há um compilado de alguns detalhes envolvendo o vice-presidente:

“Conforme a delação premiada de Delcídio do Amaral (PT), diversos executivos da Petrobras que foram condenados eram “apadrinhados” por Temer, ou seja, tiveram suas indicações a partir do vice-presidente.

Anteriormente, em agosto do ano passado, Temer já havia sido citado por Camargo, onde apontava que Fernando Baiano era “representante” do PMDB no esquema de corrupção na estatal — ou seja, seu possível “apadrinhado”.

Ainda em 2014, documentos apreendidos na Camargo Corrêa pela Lava Jato já trazia planilhas com nomes de políticos tucanos, além do próprio Michel Temer. As tabelas eram dos anos 90, e relaciona políticos, obras e valores em dólar. Além de Temer, nomes importantes do PSDB fazem parte dos documentos: José Aníbal e o ex-governador e já falecido Mario Covas.

A PF suspeita que esses valores se refiram a propina paga a esses políticos, provavelmente entre 1990 e 1995.”

Mas quem se importa com a corrupção de Temer? Afinal, ele pode aplicar as medidas econômicas neoliberais defendidas pela Students for Liberty, como: privatizações em massa, diminuição drástica de ministérios, cortes nos gastos públicos com programas sociais (Bolsa Família, Prouni, Pronatec, entre outros) e políticas de austeridade que afetam direitos trabalhistas necessários para as classes C, D e E.

E claro, ele ainda pode dar um espaço considerável dentro de seu governo. Quer um aliado melhor que esse?

Se isso significar o sepultamento da Operação Lava Jato, quem se importa? O governo Dilma já teria ido embora, e o Partido dos Trabalhadores já teria aceitado sua derrota amarga e histórica. O principal inimigo teria desaparecido do cenário político.

Pena que, para a infelicidade de Kataguiri e seus mentores no Congresso e em ONGs estrangeiras, a oposição ao governo Dilma no Brasil não se concentra apenas na direita, como também na esquerda. Pena também que ele não tenha calculado a capacidade de articulação da sociedade civil, que já começa a entender que a corrupção é algo muito mais complexo do que o simplismo apresentado nas manifestações contra Dilma Rousseff. Não por acaso, o desespero precoce em esculachar Marina Silva e quem defende novas eleições gerais no Brasil.

Política é uma coisa feia mesmo. E não podemos fazer nada sobre isso.

Kataguiri, como figura política, representa o interesse daqueles que depositaram esperança e fé em um país sem corrupção. Porém, ele também representa o interesse político e econômico daqueles que depositaram bastante dinheiro na conta bancária do Movimento Brasil Livre.

Entre fé e dinheiro, parece que ele escolheu o lado que a maioria dos políticos costumam escolher: utilizar da fé alheia para ganhar dinheiro e aumentar seu capital político.

Que coisa, não?


Artigo originalmente publicado no blog do nosso colaborador Francisco Toledo, no Huffpost Brasil

By Democratize on March 30, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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