Em editorial neste domingo (12), o jornal O Globo prega por “conciliação entre patrões e empregados” na quebra de conquistas históricas dos…

Depois de apoiar impeachment, a Globo quer que você pague o pato

Depois de apoiar impeachment, a Globo quer que você pague o patoEm editorial neste domingo (12), o jornal O Globo prega por “conciliação entre patrões e empregados” na quebra de conquistas históricas dos…


Depois de apoiar impeachment, a Globo quer que você pague o pato

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Em editorial neste domingo (12), o jornal O Globo prega por “conciliação entre patrões e empregados” na quebra de conquistas históricas dos trabalhadores. O jornal que apoiou o afastamento de Dilma Rousseff agora pede por políticas neoliberais e de austeridade.


“Foi puro teatro”. Assim começa o editorial do jornal O Globo deste domingo (12).

O teatro no qual se refere um dos maiores jornais impressos do país seria os “13 anos de lulopetismo”, nos quais muito se debateu sobre quebrar conquistas históricas da população brasileira, como a Previdência (INSS) e os sindicatos, mas segundo o jornal, nada foi feito: “Criaram-se fóruns em que representantes do capital, do trabalho e governo gastaram tempo em debates inconclusos, porque os sindicatos dos trabalhadores jamais concordaram com avanços nas legislações previdenciária e trabalhista”.

Troque ‘avanços’ por ‘fim’.

É isso que O Globo pede em seu editorial.

O fim dos sindicatos combativos que não permitiram, pelo menos até o momento, que nenhum governo pudesse tocar em leis trabalhistas conquistadas pela população brasileira durante décadas.

No ano passado, em clima de “pré-impeachment”, eles já haviam conseguido um avanço, com adesão do próprio governo Dilma: o ajuste fiscal com alterações dramáticas em benefícios como o Seguro Desemprego, além da ampliação da terceirização no país — com o apoio da Força Sindical, hoje aliada do governo interino de Michel Temer.

De forma completamente manipuladora, o jornal ainda afirma que a crise “criada no país pelo lulopetismo” é a maior recessão da História, sendo ainda “superior à da Grande Depressão mundial de 1929/30”.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

A realidade é que O Globo, assim como quase todos aqueles que articularam o impeachment de Dilma Rousseff nos bastidores, quer que o Brasil se transforme em uma nova Grécia. Um país dependente de investidores e instituições financeiras estrangeiras, com políticas de austeridade que devem afetar conquistas históricas da classe trabalhadora.

Resumindo: eles querem mesmo é que você, cidadão, pague o pato.

O jornal ainda fala que é necessário “flexibilidade” nas leis trabalhistas, com o objetivo de “geração de empregos”. Afirmam que “a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) tem a rigidez da idade — vem de 1943, da ditadura do Estado Novo”.

Além de “flexibilizar” (leia-se: quebrar) a CLT, que sobreviveu até mesmo durante a Ditadura Militar e o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, o jornal continua sua criminalização contra os sindicatos, na tentativa de colocar no colo deles a crise.

Citam ainda a França: “As ruas de Paris estão agitadas, mas agitação não remove os gargalos da economia francesa, ou de qualquer outra. Pode piorá-los. Acontece o mesmo no Brasil. Não é dificil fazer discursos contra o neoliberalismo”.

Se existe uma crise na França, ela acontece pelo mesmo motivo que ocorre no Brasil: trata-se do capitalismo.

É o mecanismo da crise que mantém as rodas do capitalismo em pleno funcionamento. Foi assim na década de 70: a crise global fez com que as indústrias perdessem seu espaço na economia, gerando a necessidade de uma nova forma para a sociedade consumir. Nascendo assim o cartão de crédito, gerando uma nova lei no mercado, onde bancos e fundos investidores ganharam maior força.

Agora, esses bancos e investidores acabaram gerando a crise de 2008, e eles precisam de uma solução para ela.

Seja na França ou no Brasil, a intenção é realmente a mesma: quebrar as leis trabalhistas e as conquistas históricas da nossa sociedade, fazendo com que a população em geral (os 99%, da classe média até o mais pobre) pague pela crise. Pagar o pato.

By Democratize on June 13, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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