Após conclusão do inquérito da Polícia Civil de São Paulo, o delegado Luiz Roberto Hellmeister pediu a prisão preventiva de Patrícia Lelis…

Delegado pede a prisão de jovem abusada por Feliciano, que continua solto

Delegado pede a prisão de jovem abusada por Feliciano, que continua soltoApós conclusão do inquérito da Polícia Civil de São Paulo, o delegado Luiz Roberto Hellmeister pediu a prisão preventiva de Patrícia Lelis…


Delegado pede a prisão de jovem abusada por Feliciano, que continua solto

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após conclusão do inquérito da Polícia Civil de São Paulo, o delegado Luiz Roberto Hellmeister pediu a prisão preventiva de Patrícia Lelis, jovem que foi abusada e agredida pelo deputado e pastor Marco Feliciano (PSC) — que continua solto, mesmo após denúncias.


Por Francisco Toledo

A frase “a culpa é da vítima” nunca fez tanto sentido como nesta semana em São Paulo.

A jovem jornalista Patrícia Lelis, que acusa o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC) de agressão física e sexual, tornou-se alvo das investigações da Polícia Civil em São Paulo. Segundo o delegado responsável, Luiz Roberto Hellmeister, a jovem teria mentido na investigação, além de extorquir dinheiro de Talma Bauer, assessor do deputado.

Porém, não é de hoje que se questiona a imparcialidade do delegado responsável pelo caso, diante do fato de ser filiado ao PSDB e pelo seu histórico de polêmicas.

Recentemente, Hellmeister havia mentido no inquérito para incriminar a jovem abusada por Feliciano, alegando que ela sofreria de “mitomania”, além de ser uma pessoa que tende a mentir de forma compulsiva.

Porém, segundo laudo feito por duas psicólogas de Brasília em 2015, a versão apresentada pelo inquérito da Polícia Civil é incorreta. Segundo laudo, Patrícia sofre apenas com “indícios de imaturidade, isolamento emocional, dificuldades nos contatos sociais, vivências nocivas/traumáticas e sensibilidade depressiva”. Em nenhum momento, as psicólogas registraram qualquer indício de mitomania por parte da jornalista.

A parcialidade de Hellmeister no caso vai além.

Filiado ao PSDB, partido aliado do PSC nacionalmente, existe um grave conflito de interesses que tornam questionáveis as ações do delegado diante deste caso, que envolve uma das figuras mais importantes do partido.

Hellmeister é acusado de já ter agredido uma jornalista da TV Record em 2011, além de ter permitido a manipulação de uma investigação sobre agressões contra uma travesti. O delegado também é proprietário de uma empresa em Franco da Rocha, que é alvo de investigações por corrupção e superfaturamento.

Em sua declaração para a imprensa sobre Patrícia Lelis, o delegado apresentou uma versão completamente pessoal sobre o caso, alegando que teria pedido a prisão da jornalista “porque ela destrói as pessoas que estão ao redor dela”.

Apesar de toda a rapidez e agilidade nas investigações contra Lelis, o mesmo não é repetido em relação ao deputado Marco Feliciano.

É comprovado que o congressista usou o seu principal assessor para silenciar a jovem jornalista, através de suborno e ameaças. Vários vídeos já divulgados comprovam tal versão, incluindo uma conversa entre Lelis e o próprio deputado, interceptada por Talma Bauer.

Ex-policial, Bauer é peça chave do caso. Sua proximidade com a corporação policial em São Paulo também afeta gravemente o imparcialidade e o rumo das investigações contra Patrícia Lelis.


Francisco Toledo é co-fundador e escritor pela Agência Democratize em São Paulo

By Democratize on September 7, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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