O filósofo russo anarquista Bakunin figurou nos atos da Polícia Civil do Rio de Janeiro como “organizador de ações violentas em protestos…

Delegado afastado no caso do estupro coletivo investigou Bakunin por vandalismo em 2014

Delegado afastado no caso do estupro coletivo investigou Bakunin por vandalismo em 2014O filósofo russo anarquista Bakunin figurou nos atos da Polícia Civil do Rio de Janeiro como “organizador de ações violentas em protestos…


Delegado afastado no caso do estupro coletivo investigou Bakunin por vandalismo em 2014

Foto: Reprodução/Google

O filósofo russo anarquista Bakunin figurou nos atos da Polícia Civil do Rio de Janeiro como “organizador de ações violentas em protestos” em 2014. O inquérito veio do titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), delegado Alessandro Thiers, responsável afastado pelas investigações do estupro coletivo ocorrido no Rio.


Segundo as investigações da Polícia Civil em 2014, o filósofo russo Bakunin teria sido um dos responsáveis por “ações de vandalismo em protestos”. Uma professora universitária carioca, que acabou sendo perseguida pelo Estado por conta das manifestações de 2013 e 2014, era considerada uma das “organizadoras das ações violentas em protestos” na capital fluminense. Ela teria utilizado o nome do filósofo anarquista em um telefonema interceptado pela Polícia. A partir dai, Bakunin passou a figurar como um dos participantes dos protestos considerados violentos pelo Estado.

As investigações eram da responsabilidade da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), sob o comando do delegado Alessandro Thiers.

O problema é que Bakunin morreu.

E foi há muito tempo atrás.

Foto: AP

Na época, o caso foi ridicularizado pela opinião pública, mostrando a incapacidade da polícia brasileira de lidar com questões políticas.

Esse processo resultou na perseguição de ativistas políticos no Rio de Janeiro, rendendo a prisão de pelo menos 23 pessoas. Toda a operação foi baseada nas investigações do delegado Alessandro Thiers, que por acaso foi o mesmo responsável pela apuração dos crimes contra uma jovem adolescente no Rio recentemente, vítima de um absurdo caso de estupro coletivo por mais de 30 homens.

Mais uma vez, o trabalho de Thiers foi questionado, resultando no seu afastamento do caso.

O jornal Extra publicou recentemente uma conversa pelo WhatsApp, onde o delegado desqualificava a vítima de estupro coletivo.

Nas conversas, Thiers afirma que “não houve estupro”. Ele vai além, comentando a entrevista que a jovem deu ao programa Fantástico, da TV Globo: “No ‘Fantástico’ era outra pessoa. Sabe que temos fortes indícios de que não existiu estupro”.

Sobre o número de pessoas que, segundo a jovem, a estupraram, Thiers diz que ele é alusão a um funk: “Os 33 no vídeo foi alusão a um funk onde diz mais de 20 engravidou (sic), onde o autor do vídeo diz que engravidou mais de 30 em alusão ao funk para tirar onda de ‘comedor’”.

No final, Thiers ainda questiona a participação da então advogada da jovem, Eloisa Samy Santiago, junto com a ativista Sininho. Ambas foram vítimas do processo de perseguição política comandado pelo delegado.

O delegado insinua que a adolescente teria sido influenciada por Sininho e Eloisa: “Por fim, tem que ser melhor investigado a participação de Eloisa Samy e Sininho influenciando a adolescente a apresentar a versão de estupro coletivo na polícia”, diz por mensagem Thiers.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) assumiu a coordenação das investigações neste domingo (29), após o pedido da então advogada Eloisa Samy — dispensada pela família da jovem. Segundo Eloisa, o delegado Thiers chegou a perguntar à menor, durante seu depoimento, se ela tinha o hábito de praticar sexo em grupo. A juíza de plantão, porém, alegou não ter tomado uma decisão imediata em relação a Thiers porque precisava, antes, ter acesso aos autos do inquérito, que já haviam sido requisitados pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ).

By Democratize on May 30, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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