Foto: Reprodução

Crivella e sua “experiência bíblica”: o engenheiro Universal

Muitas perguntas ficaram sem respostas após a reportagem da Revista Veja sobre o candidato Marcelo Crivella (PRB). Afinal, quem é a pessoa por trás da máscara do “homem de Deus”? Quais são os demais fatos sobre a carreira de engenheiro de Crivella, o moralista da Igreja Universal?

Como já era de se esperar, o segundo turno ficou ainda mais acirrado e quente. Enquanto o candidato do PRB mantinha o tom manso e a oratória tranquila em todos os seus programas de TV, Marcelo Freixo subia o tom e denunciava que a campanha e a imagem que o adversário queria passar era, na verdade, uma farsa.

A cada dia que se passava novas denúncias surgiam e o passado, em muitas vezes recente, de Crivella ia sendo exposto nos programas do candidato do PSOL.

Durante o debate da RedeTV (primeiro do segundo turno realizado, já que Crivella havia faltado em 2 anteriores — SBT e Record) Crivella demonstrou o primeiro sinal de descontrole e se irritou com as denúncias e se livrou da oratória mansa e calma e ficou visivelmente abalado durante o restante do debate.

Não obstante a isso, as propagandas da semana seguinte, que já tinham elevado o tom por parte de Crivella, vieram com mais especulações e acusações acerca, inclusive, de competências que não cabem à Prefeitura definir, por serem temas de âmbito estadual, e muitos até de âmbito federal, o que anunciava o que estava por vir.

A primeira pesquisa do segundo turno após o início das propagandas na televisão mostrando um redução drástica na diferença entre os dois candidatos, que passava de 26% para apena 12% dos votos válidos.

Para apimentar ainda mais essa reta final, a revista ‘Veja’ traz em sua capa exclusiva para o estado do Rio de Janeiro, a foto de Crivella em 1990 com uma placa de identificação prisional. Obviamente a internet quebrou com isso.

 

Foto: Reprodução/Globo

Muito foi especulado, e por fim, foi descoberto nesse sábado (22) que Crivella havia sido detido após tentar, em uma fiscalização de obras, expulsar moradores sem-teto que ocupavam o terreno de posso da Igreja Universal.

O que fica, para além da reportagem sensacionalista da Veja, é a reflexão sobre as funções profissionais de Crivella, que tem como basicamente um jargão a sua profissão: Engenheiro.

Durante todo o seu programa de TV e nos debates, o candidato do PRB sempre se identifica como engenheiro experiente com mais de 100 obras assinadas, e que por isso teria competência técnica para gerir a cidade, pois ele (como o ex-candidato Índio da Costa) saberia como fazer, teria o famoso “know-how”.

Ficamos intrigados com a relação entre a Igreja Universal e os feitos de Crivella na engenharia civil. Pesquisando foi possível encontrar uma matéria do Jornal “O Globo” de 2014 que, intitulada de “Preto no Branco” traz a quantificação das obras do candidato.

Pois bem, durante toda sua vida, Crivella assinou, no Brasil 141 obras, destas obras, constam nos registros do CREA-RJ e CREA-SP que 132 obras foram fiscalizações ou construções de templos da Igreja Universal do Reino de Deus. Ou seja, mais de 93% das obras feitas por Crivella estão relacionadas com a IURD.

As outras 9 obras, segundo a reportagem d’O Globo são referentes à construção de seu projeto social Nova Canaã, no nordeste do Brasil, e a CIEPs e presídios durante sua função na EMOP (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro).

Quem seria Marcelo Crivella, como engenheiro, caso não existisse a Igreja Universal, do seu tio Edir Macedo?

Foto: Reprodução/Google

Não acaba por aí. Durante toda sua candidatura, Crivella fez menção ao tempo de missionário que passou na África evangelizando o povo africano. O período o qual se refere data de 1991 a 2000, os quase dez anos em que passou vivendo na África, onde inclusive, segundo sua assessoria, ergueu mais 2 templos.

O interessante é que durante esse intervalo de tempo existem várias obras no Brasil que constam como fiscalizadas ou construídas pelo candidato. Por exemplo: foram erguidas 57 IURDs em São Paulo, todas obras assinadas por Crivella no período de 1990 a 1992. Período que, em teoria, o candidato estava na África.

Em Salvador, Amazonas e Pará foram erguidas outras 3 igrejas em 1999, também rubricadas por Crivella.

Em Junho de 1997, a sede mundial da IURD, localizada no Rio de Janeiro (até a inauguração do Templo de Salomão em São Paulo, em 2014), também sido fiscalizada por Crivella.

Vale citar também que Crivella assinou obras da IURD enquanto exercia cargo na EMOP (Empresa de Obras do Estado do Rio de Janeiro) segundo outra reportagem do jornal O Globo.

Ou seja, são muitas questões sem respostas que nos deixas indagando: onde está a mentira? Se a religião não estará na política, por que esteve tanto nas funções profissionais?

Esperamos respostas.

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