Foto: Wagner Maia/Democratize

Crise? Vereadores do Rio querem salário vitalício de R$15 mil – Bolsonaro defende medida

O estado do Rio de Janeiro viveu momentos de crise que ainda não foram superados neste ano – chegando a pedir a ajuda do governo federal para manter uma segurança estável para os Jogos Olímpicos. Agora, vereadores da capital querem aprovar um projeto de lei que prevê salário vitalício no valor de R$15 mil para todos da Câmara. Filho de Bolsonaro defende medida.

De autoria do vereador João Cabral (PMDB), a Câmara do Rio de Janeiro deve votar nesta terça-feira (1) um projeto que tem como objetivo manter o salário dos vereadores mesmo após o fim do mandato. Tal valor seria de R$15 mil – ou seja, similar ao de um secretário da prefeitura.

Outros 35 parlamentares já assinaram o projeto demonstrando apoio ao vereador do PMDB. Ele prevê que o vereador que já é funcionário público municipal e tenha três mandatos seguidos ou quatro intercalados recebe salário pelo resto da vida.

O projeto tem sido tratado como “questão de urgência” na Câmara. Para justificar o tema, João Cabral disse que é “uma questão de justiça, de igualdade”. Não por acaso, o vereador do PMDB não foi reeleito nas últimas eleições para um próximo mandato.

Ironicamente, isso ocorre em tempos complicados para os cofres públicos do estado do Rio e sua capital. Neste ano, o governo estadual precisou de ajuda do presidente Michel Temer (PMDB) para conseguir arcar com as despesas e investimentos na área da Segurança Pública para os Jogos Olímpicos, realizados no mês de agosto.

Ao mesmo tempo, funcionários públicos questionam o fato de não receberem seus salários, com vários setores em greve em todo o estado. Os professores da rede estadual, por exemplo, ficaram em greve por mais de 3 meses no primeiro semestre – sendo acompanhados por uma onda de ocupações nas escolas do Rio, onde os estudantes secundaristas exigiam maior investimento na educação pública do estado, por conta da precarização das condições de aula. Nenhuma das exigências – tanto dos professores quanto dos estudantes – foram atendidas pelo governo do estado, que também é do PMDB.

Foto: Bárbara Dias/Democratize
Protestos no Rio de Janeiro contra a política de austeridade se tornaram algo comum neste ano de 2016 Foto: Bárbara Dias/Democratize

Filho de Bolsonaro defende medida

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC) é um dos políticos que assinaram a carta em apoio ao projeto de João Cabral.

Ele foi o vereador mais votado no Rio de Janeiro, com cerca de 106 mil votos neste ano. Carlos é filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC).

Apesar da sua família criticar abertamente o uso da máquina pública para “enriquecimento” da classe política, Carlos deve votar a favor do projeto que determina salário vitalício para os vereadores do Rio de Janeiro nesta terça-feira.

Apesar de usar com frequência as redes sociais para defender seus projetos e iniciativas, além de criticar figuras de esquerda, nenhuma publicação foi feita sobre o projeto.

Além de Carlos e João Cabral, constam como autores também os vereadores Alexandre Isquierdo, Átila A. Nunes, Carlo Caiado, Carlos Bolsonaro, Chiquinho Brazão, Dr.Carlos Eduardo, Dr.Eduardo Moura, Dr.Jairinho, Dr.João Ricardo, Dr.Jorge Manaia, Edson Zanata, Eduardão, Eliseu Kessler, Jimmy Pereira, João Mendes de Jesus, Jorge Braz, Jorginho da SOS, Laura Carneiro, Leila do Flamengo, Leonel Brizola, Marcelino D’almeida, Marcelo Arar, Marcio Garcia, Paulo Messina, Prof.Uoston, Prof. Célio Lupparelli, Professor Rogério Rocal, Rafael Aloisio Freitas, Rosa Fernandes, Tânia Bastos, Thiago K. Ribeiro, Veronica Costa, Willian coelho, Zico.

Resposta de Brizola Neto

Segundo nota do vereador Brizola Neto (PSOL), João Cabral colocou seu nome de forma equivocada “na intenção de fazer a discussão suprapartidária”. Além disso, o vereador mencionou que o projeto não contemplaria os vereadoras, mas apenas os servidores públicos que exercem mandato na CMRJ. De qualquer forma, seu voto seria contra. Veja na íntegra:

“Boa tarde, amigos. Essa matéria foi capiciosa e já pedi para tirar o meu nome. Sou contra esse projeto. Na verdade, o projeto não contemplaria os vereadores, como deixa a entender a reportagem, apenas os servidores públicos que exercem mandato na CMRJ. Algo que já tramitava e que precisava ser votado, ou tirado de pauta, que era o meu entendimento. O vereador João Cabral, do PMDB, colocou meu nome equivocadamente na intenção de fazer a discussão suprapartidária. Examinei a matéria e não é o momento dessa discussão, mesmo que beneficie apenas os funcionários públicos concursados, dois ou três. Por isso, meu voto é contra. Vou fazer um post sobre isso e peço que vocês, por favor, compartilhem! Saudações brizolistas!”

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