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Crise econômica causa queda consecutiva no PIB; última vez que isso ocorreu foi durante crise do café

Os dados da crise. O PIB brasileiro recuará 4,3% em 2016, segundo previsão do OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Em 2015, o recuo foi de 3,8%. A última vez em que o PIB brasileiro sofreu queda durante dois anos consecutivos foi em 1930 e 1931, logo após a crise mundial de 1929 e a queda nos preços do café, principal produto de exportação do Brasil, que na época perdeu um terço de seu valor.

Por Fernanda Folster de Paula*

Do início do ano até agora, a taxa de desemprego subiu de 6,8% para 11,2%, segundos dados do PNAD. Isso significa perda de 2 milhões de postos de trabalho, dos quais 1,4 milhões são empregos formais.

Como entender isso?

O professor de macroeconomia do Instituto de Economia da UNICAMP Bruno de Conti atrela três principais motivos à crise econômica atual: a crise internacional e a queda no preço das commodities; as políticas econômicas do primeiro governo de Dilma Rousseff; e os problemas estruturais da economia brasileira.

Segundo o professor, a crise internacional diz respeito aos efeitos ainda presentes da crise de 2008, que começou com o mercado imobiliário estadunidense e que tem efeitos globalmente. Com a diminuição do comércio internacional, muitos países pararam de comprar commodities brasileiras; além disso, ocorreu um acirramento entre os países pelo mercado que sobrou.

Bruno ainda explica que as políticas econômicas do primeiro governo de Dilma Rousseff  adotaram diversas medidas para estimular o investimento privado, como desonerações e o congelamento no preço de água e energia. Isso acarretou numa menor arrecadação de impostos, o que enxugou o orçamento do governo justamente num momento em que o comércio externo já estava desacelerando.

Os problemas estruturais da economia brasileira, que dizem respeito a posição do Brasil na divisão internacional do trabalho, contribuem para a atual crise econômica segundo o professor. A dependência do Brasil da exploração de recursos naturais e da venda das commodities, dada desde sua colonização, coloca a economia num lugar bastante frágil, já que dependente dos preços internacionais dessas commodities. Num momento de crise internacional como a de 2008, o professor Bruno de Conti diz que “ficamos refém”, já que o fluxo de capital estrangeiro diminui e a nossa economia é dependente dele.

Crise tem causado tensão entre os trabalhadores | Foto: Bárbara Dias/Democratize
Crise tem causado tensão entre os trabalhadores | Foto: Bárbara Dias/Democratize

Perspectivas

Segundo a professora de ciência política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP Andreia Galvão, o projeto apresentado por Michel Temer no documento “Ponte para  Futuro” retoma a agenda neoliberal dos anos 1990 como saída para a crise. O neoliberalismo no Brasil teria caracterizado os governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, que incentivaram as privatizações, a flexibilização das leis trabalhistas e pregaram baixa intervenção do Estado na economia, além da diminuição do investimento em gastos sociais.


*Fernanda Folster de Paula é estudante de Ciências Sociais pela Unicamp

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