Foto: EFE/Toni Albir

Contra a judicialização da política, 80 mil protestam em Barcelona

Assim como no Brasil, a judicialização da política se tornou assunto também na Espanha. Um grande ato neste domingo (13) reuniu mais de 80 mil pessoas, em defesa dos eleitos independentistas de Barcelona, acusados por terem organizado a consulta popular sobre a independência da Catalunha.

O protesto contou com a presença do ex-líder do governo catalão, Artur Mas, e de outros membros do seu executivo, acusados por Madri de promoverem a consulta popular à margem da lei espanhola. Também marcaram presença o atual chefe de governo Carles Puigdemont, a presidente do parlamento catalão, Carme Forcadell e dirigentes de outros partidos favoráveis à autodeterminação e independência catalã.

A concentração ocorreu este domingo (13) no centro de Barcelona com a participação de 80 mil pessoas, segundo a contagem da polícia, e foi convocada pela Assembleia Nacional Catalã, Ómnium Cultural e a Associação dos Municípios pela Independência (AMI). Pelo menos 250 das 947 autarquias catalãs também tem processos por se recusarem a hastear a bandeira espanhola ou pagarem quotas à AMI, que representa 800 municípios.

No seu discurso, o presidente da Assembleia Nacional Catalã reafirmou a solidariedade com os ex-governantes acusados, prometendo voltar a sair à rua quando for necessário. “Estamos aqui para defender a democracia”, prosseguiu Jordi Sánchez, garantindo que “não há revolução cívica e democrática no mundo como a catalã”.

A mobilização em Barcelona contra a “judicialização da política” é refletida ao redor do mundo, conforme a classe política começa a perder a confiança da população, tendo o Judiciário maiores poderes de atuação e decisões. É o caso do Brasil, por exemplo, onde setores da esquerda acusam uma perseguição do Judiciário contra políticos, lideranças e partidos de esquerda, como é o caso do Partido dos Trabalhadores, em relação ao juíz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato.

Apesar de contextos diferentes, para especialistas esse fenômeno da judicialização da política é um reflexo do cenário atual, onde vemos o crescimento de partidos de extrema-direita e de candidatos que negam se auto-denominar como políticos propriamente ditos, como é o caso do republicano Donald Trump nos Estados Unidos, e até mesmo do empresário e futuro prefeito de São Paulo, o tucano João Doria.

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