Além de denúncias envolvendo o fechamento de classes, o governador de São Paulo também irá utilizar “youtubers” para defender o projeto de…

Como o governador Alckmin tenta por trás da cortina reviver reorganização escolar

Como o governador Alckmin tenta por trás da cortina reviver reorganização escolarAlém de denúncias envolvendo o fechamento de classes, o governador de São Paulo também irá utilizar “youtubers” para defender o projeto de…


Como o governador Alckmin tenta por trás da cortina reviver reorganização escolar

Foto: Alice V/Democratize

Além de denúncias envolvendo o fechamento de classes, o governador de São Paulo também irá utilizar “youtubers” para defender o projeto de reorganização escolar, derrotado no final do ano passado quando mais de 200 escolas foram ocupadas em todo o estado, resultando na queda do então secretário de Educação, Herman Voorwald.

“A reorganização me parece uma ideia sensata”. Essa foi uma das primeiras frases ditas em público pelo novo secretário de Educação do estado, José Roberto Nalini. Mesmo depois de uma onda de protestos e ocupações nas escolas públicas de São Paulo, parece que o governo estadual já começa 2016 mantendo seu posicionamento sobre o projeto de reorganização escolar.

No final de 2015, ainda com Herman Voorwald na pasta, o governo tucano pretendia fechar mais de 90 escolas, adaptando a educação pública por “ciclos de turmas”. O projeto não foi bem recebido tanto por alunos quanto por professores, principalmente pela exclusão dos principais interessados no debate: eles próprios.

Ao ser pressionado e ver sua popularidade caindo, o governador Geraldo Alckmin decidiu suspender o projeto, afirmando que em 2016 uma série de debates seriam realizados entre comunidade e governo do estado, para explicar como funcionaria o projeto de reorganização escolar.

E claro, mais uma vez, a sociedade vem sendo excluída.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Agora, ao invés de abrir para o diálogo, o governo estadual já declarou abertamente para a imprensa uma suposta nova tática para conseguir convencer o público jovem sobre o projeto: a ajuda de “youtubers”.

O novo secretário Nalini não passou mais detalhes sobre como funcionaria essa possível “ajuda” — quem financiaria, com qual dinheiro, quais youtubers, etc.

Alguns youtubers paulistas que conquistam grandes volumes de visualizações relataram ao Democratize que foram procurados pelo governo estadual com a proposta de criar um “grupo/força tarefa”. O objetivo seria encontrar maneiras de defender o projeto de reorganização escolar de forma “moderada” e sem maiores questionamentos.

“Nos falaram que o vídeo precisaria seguir o nosso padrão, mas sendo meio explicativo e didático. Ainda não nos passaram nada concreto, apenas isso, e que é preciso não tocar diretamente na política, em nomes e partidos, e sim no projeto”, conta um youtuber que prefere não se identificar, mas cujo canal soma mais de 700 mil assinantes — a maioria dos vídeos aborda temas como games e cultura geek. Questionado sobre a possibilidade de algum tipo de retorno financeiro por parte do Estado, o youtuber desconversou: “Não sei, não nos passaram nada sobre dinheiro. Estamos com o pé atrás, são políticos, sabemos que eles vão oferecer algo em troca”.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Por outro lado, o governo do estado vem recebendo denúncias mais graves relacionadas ao fechamento de classes, conforme apurado pelo sindicato dos professores.

A Apeoesp afirma que mesmo com a decisão judicial que impede a reorganização escolar de ser colocada em prática neste ano, o governo tucano tem fechado classes, promovendo uma “reorganização silenciosa”. O levantamento do sindicato ainda é parcial, feito em apenas 33 das 93 subsedes da Apeoesp. Porém, o número alarmante preocupa: já são 594 classes fechadas.

Segundo o site Jornalistas Livres, se o ritmo continuar como está, neste ano corremos o risco de perder cerca de 1.674 salas de aula.

Procuramos a pasta da Educação para falar sobre o tema, porém não houve qualquer tipo de retorno ou nota oficial.

Veja a lista das classes fechadas pelo governo até o momento neste link.


O Democratize tem estado desde o final de 2015 filmando o dia-a-dia em 13 das mais de 200 escolas ocupadas em São Paulo, com o objetivo de tornar possível o documentário “Ocupar e Resistir”, que tem como foco a ação dos estudantes secundaristas contra o projeto de reorganização escolar.

Veja o segundo teaser abaixo e, caso queira financiar esse projeto, clique aqui.

By Democratize on February 5, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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