Apesar da decisão do ministro do STF, Teori Zavascki, de afastar Eduardo Cunha de seu cargo como presidente da Câmara e deputado, ainda não…

Com o Eduardo Cunha não existe como comemorar antes do gol

Com o Eduardo Cunha não existe como comemorar antes do golApesar da decisão do ministro do STF, Teori Zavascki, de afastar Eduardo Cunha de seu cargo como presidente da Câmara e deputado, ainda não…


Com o Eduardo Cunha não existe como comemorar antes do gol

Foto: Lula Marques

Apesar da decisão do ministro do STF, Teori Zavascki, de afastar Eduardo Cunha de seu cargo como presidente da Câmara e deputado, ainda não existem motivos para comemorar. Conhecendo a trajetória de Cunha, tudo é possível — literalmente.

A Internet foi ao delírio após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, de afastar Eduardo Cunha (PMDB) de seu cargo como presidente da Câmara e também do seu mandato como deputado federal.

A hashtag #TchauQuerida já se tornou viral. Gifs e memes se espalham pelo Facebook e Twitter.

Só faltam os rojões e os gritos de torcida.

Mas calma, esquecemos de quem estamos falando? É o Eduardo Cunha.

Com ele não existem motivos para se comemorar “antes do gol”.

Quem não se lembra dele na presidência da Telerj? Antes, tesoureiro na campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Sua passagem pela estatal de comunicações do Rio foi marcada por denúncias de fraudes em licitações. O caso começou a ganhar dimensão em novembro de 1991, quando seis empresas contestaram na Justiça uma concorrência para produção e comercialização das listas telefônicas no estado.

Na época, Cunha respondeu que o certame não era restritivo porque permitia a formação de consórcio entre empresas nacionais e estrangeiras. O edital foi modificado por Cunha mas, os vícios do primeiro certame não foram superados e o presidente da Telerj continuava vedando a participação de alguns grupos. Cunha beneficiava a Listel, do grupo Abril.

Em reportagem da Folha em 1993, Cunha foi reconhecido como “o marajá”.

“O novo presidente da Telerj e ex-advogado-geral da União, José de Castro Ferreira, em seu primeiro dia no novo cargo, ontem, descobriu que o antecessor, Eduardo Consentino Cunha, servia-se de um carro especialíssimo, todo blindado e munido dos melhores requintes. Castro Ferreira mandou desativá-lo e dar-lhe destino que ressarça os cofres da Telerj.”

Pra variar, Cunha se livrou de qualquer investigação e punição na época.

Da mesma forma, ele tem aplicado suas manobras políticas no Congresso desde o ano passado, para se manter no cargo pelo qual foi eleito pelos seus camaradas — a presidência da Câmara.

Fazendo o jogo da oposição e ao mesmo tempo o do governo, Cunha representa aquilo que de pior existe na política brasileira: a falta de politização ideológica das siglas e representantes políticos do Brasil. Não se importam com ideologias e ideias, não defendem propostas. Costumam seguir a onda do senso comum, onde mais conseguem votos e popularidade: seja com religião ou pautas “pela família”, que pregam valores clássicos. O direito “do homem de bem se defender contra bandidos armado”, por exemplo. Ou o direito de odiar uma minoria específica.

Cunha é apenas um reflexo disso.

Foto: Alice V/Democratize

Apesar da suspensão do mandato, Cunha mantém os direitos de parlamentar, como o foro privilegiado. Teori destacou que a Constituição assegura ao Congresso Nacional a decisão sobre a perda definitiva do cargo de um parlamentar, mesmo que ele tenha sido condenado pela Justiça sem mais direito a recursos.

O que torna essa “novela” que se tornou o #HouseOfCunha algo provavelmente sem fim. Cunha terá em suas mãos toda a possibilidade de defesa, e com isso tempo e espaço para realizar suas manobras políticas. Para alguém que já fez votação na Câmara ser feita mais de uma vez para conseguir atingir seus objetivos, isso é não é nada demais.

Cunha ainda conta com o apoio “silencioso” de quem ajudou a derrubar a presidenta Dilma Rousseff.

As manifestações pelo impeachment de Dilma, utilizando o disfarce da “anti-corrupção” conseguiram tornar Cunha uma espécie de herói — um vilão necessário, como diria o deputado Marco Feliciano (PSC).

O vice-presidente Michel Temer e seus aliados no Congresso já fizeram questão de demonstrar solidariedade ao deputado após a votação do impeachment pela Câmara dos Deputados, no dia 17 de abril.

Portanto, muita calma nessa hora.

O “vilão favorito” de alguns ainda tem tempo — ao contrário da presidenta Dilma. E com esse tempo, como político profissional que é, Cunha deve fazer aquilo que ele faz de melhor: tirar sarro do povo brasileiro.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on May 5, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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