Foto: Jorge Ferreira / Mídia NINJA

Com mais violência, PM desabriga 700 famílias e prende Guilherme Boulos, em São Mateus, zona leste

Na manhã desta terça-feira (17), a Polícia Militar do Estado de São Paulo despejou 700 famílias da ocupação Colonial, localizada na rua André de Almeida, em Jardim São Mateus, zona leste de São Paulo. Aproximadamente 3 mil pessoas ficaram sem casa, entre elas, crianças e idosos. Durante tentativa de mediação do conflito gerado pela Polícia Militar, Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) foi detido.

As famílias estavam no terreno há quase dois anos, sem movimento de moradia coordenado. Na última semana, após o anúncio da reintegração, os moradores procuraram pelo MTST, que não tem atuação na região, para receber apoio.

Segundo informações da Rede Brasil Atual, “as famílias da Ocupação Colonial queriam o adiamento da reintegração para que pudessem ser inscritas em programas de habitação da Prefeitura”. Entretanto, uma ação do Ministério Público que também pedia o adiamento foi ignorada pela PM, antes mesmo de ser avaliada pela Justiça.

Durante a reintegração, a tropa de choque utilizou gás lacrimogênio, spray de pimenta, jatos d’água e muita violência. Outra liderança do MTST, Natália Szermeta, disse que para prender Boulos, a polícia alega que ele causou e incentivou desobediência civil. No entanto, imagens de jornalistas que acompanhavam o momento mostram que a liderança apenas estava mediando o conflito.

Para justificar a prisão sem causa, policiais também citaram sua perseguição política contra a liderança, citando a participação de Guilherme Boulos em manifestações populares, como os protestos contra o governo Temer. “Estamos nos reunindo para pensar ações caso o ele não seja solto ainda agora de manhã, entre elas, voltarmos às ruas”, comentou à Agência Democratize.

Boulos tem recebido forte apoio público. Estão no 49º Distrito Policial, localizado na Rua Râguebi Choffi, 830, em São Mateus, os deputados Alencar e Luís Turco (PT-SP), o ex Secretário Municipal da Saúde, Alexandre Padilha (PT), equipe da vereadora Sâmia Bonfim (PSOL), os vereadores Eduardo Suplicy e Juliana Cardoso (ambos PT-SP), o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, além de lideranças de movimentos sociais, como o Pe. Julio Lancellotti, entre outros.

Colaboraram Wesley Passos, Victor Amatucci, Gabriel Lindenbach

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