Crise econômicas ou pedaladas fiscais não afetaram o lucro bilionário dos banqueiros. Relatório do DIEESE e balanços divulgados pelas…

Com lucros bilionários, bancos negam aumento real de salário e bancários entram em greve

Com lucros bilionários, bancos negam aumento real de salário e bancários entram em greveCrise econômicas ou pedaladas fiscais não afetaram o lucro bilionário dos banqueiros. Relatório do DIEESE e balanços divulgados pelas…


Com lucros bilionários, bancos negam aumento real de salário e bancários entram em greve

Foto: Sergio Koei

Crise econômicas ou pedaladas fiscais não afetaram o lucro bilionário dos banqueiros. Relatório do DIEESE e balanços divulgados pelas empresas indicam que o lucro líquido das cinco maiores instituições financeiras do país desde janeiro de 2015 deve superar a marca de 100 bilhões de reais. Enquanto isso, de acordo com o Banco Central, no mês de agosto os bancos chegaram a cobrar 16% de juros no cheque especial e mais de 23% no cartão de crédito e as empresas do setor cortaram mais de 10.000 postos de trabalho.


Por Filipe Olivieri

Mesmo sangrando a população com altas tarifas e taxas de juros exorbitantes, em reunião com representantes dos trabalhadores realizada na segunda-feira (29) os bancos propõem corte de benefícios, parcelamento de férias e reajuste salarial de 6,5%, inferior à inflação de 9,5% no período medida pelo IBGE. Em assembleias realizadas por todo o país, os bancários não aceitam a proposta e aprovam greve a partir da próxima terça-feira (6).

O funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo Marcos do Amaral diz que a proposta é desrespeitosa e demonstra descaso com clientes e trabalhadores, mas não está surpreso. “Não é novidade que os banqueiros não tenham responsabilidade social, não queiram gerar emprego e atender o público da forma que merece”.

Os bancos também ignoram outras reivindicações como a igualdade de oportunidade para homens e mulheres, proteção dos empregos e questões de saúde e segurança. Os bancos avançam, porém, ao propor 20 dias de auxílio paternidade.

Em assembleia realizada no dia 1°, em São Paulo, mais de 1.500 bancários aprovaram por unanimidade greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira (6).

Foto: Sergio Koei

Luta unificada

Proposta dos bancos não foi a única que não oferece aumento real. “80% das categorias que fecharam acordo esse ano não repuseram a inflação”, diz Edson Carneiro, também diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Trabalhadores dos Correios e do setor de petróleo, por exemplo, negociam seus acordos com as empresas neste mês.

A proposta apresentada pelos Correios é semelhante à dos bancos, com reajuste de 6,7%, redução no vale alimentação e corte de outros benefícios. Já a Petrobras também se reuniu no dia 1° com os trabalhadores para receber a pauta de reivindicações, mas os petroleiros já se mobilizam contra a privatização e demissões. No Paraná, empregados da petrolífera estão em greve por questões específicas.

Juliana Donato, representante dos funcionários no Conselho de Administração do Banco do Brasil, defende a unificação do movimento das três categorias.

“Os trabalhadores terão que unir suas forças para resistir e conquistar vitórias. Bancários, trabalhadores dos Correios e petroleiros, juntos, podem parar o país! Isso é possível e necessário”, explica.

Funcionário da Petrobras e ativista sindical, Pedro Augusto acredita que a proposta das empresas de petróleo devem seguir a mesma linha dos Correios e bancos e também defende a união entre as categorias.

“[A união] é fundamental não só para que cada categoria consiga arrancar aumento real, mas, principalmente, para fortalecer a luta contra as reformas de Temer e privatizações, que só podem ser derrotadas com a unificação das lutas”, diz o petroleiro.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Governo Temer

Para Juliana Donato, o impeachment da presidenta Dilma Roussef piora a situação dos bancários. “A troca de Dilma por Temer se deu para aprofundar ainda mais os ataques que os trabalhadores já vinham sofrendo, e nos bancos não é diferente”.

Já o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo Marcos do Amaral prevê que a categoria enfrentará no governo Temer as mesmas dificuldades que enfrentou durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

“Na época do Fernando Henrique nós ficamos 10 anos sem aumento, com arrocho salarial e repressão militar, e isso só mudou do governo Lula para cá”, conta Amaral.

A ativista e funcionária aposentada do Banco do Brasil Rosmari do Prado diz que a gestão do PT já favorecia os bancos e por isso acredita que a situação não vai mudar.

“Nosso país é regido pelas instituições financeiras há muito tempo, e os banqueiros continuam no poder. O governo anterior não mexeu nisso e o atual pode deixar como está que vai continuar bom para os empresários e acionistas”.


Filipe Olivieri é bancário e repórter pela Agência Democratize em São Paulo

By Democratize on September 3, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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