Foto: Wesley Passos/Democratize

Com fraca adesão, MBL perde espaço em protesto do domingo

O caminhão de som do grupo Vem pra Rua dominou mais da metade dos 15 mil manifestantes que ocuparam a avenida Paulista neste domingo (4) em São Paulo. Já o Movimento Brasil Livre, enfraquecido por seu relacionamento próximo ao presidente Michel Temer (PMDB), reuniu poucos seguidores em frente ao prédio da Gazeta, rebaixando-se ao nível dos grupos pró-intervenção militar, com menos de mil pessoas.

Meses após assumir oficialmente a presidência da República, o presidente Michel Temer (PMDB) enfrentou seu primeiro domingo de protestos organizados por grupos de direita no Brasil.

Porém, diferentemente das passeatas que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff, a adesão neste dia 4 foi considerada abaixo do esperado pelos grupos organizadores. Em São Paulo, por exemplo, cerca de 15 mil pessoas ocuparam a avenida Paulista, segundo dados fornecidos pela própria Polícia Militar.

Segundo analistas, a baixa adesão é resultado da proximidade desses grupos com o governo atual em Brasília, além da participação de lideranças no processo eleitoral deste ano em partidos com histórico em corrupção, como é o caso de Fernando Holiday, do Movimento Brasil Livre, eleito pelo DEM.

E foi o próprio MBL quem mais sofreu com a baixa adesão neste domingo. Enquanto o caminhão do Vem pra Rua ocupava praticamente toda a base de manifestantes em frente ao Masp, os membros do MBL se concentravam em frente ao prédio da Gazeta, com menos de mil seguidores acompanhando os discursos de lideranças como Kim Kataguiri – que havia dito anteriormente não concordar com o grito por “Fora Temer”, além de esperar que as pessoas que desejam o impeachment do presidente não comparecessem ao ato.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize
Grupos que pregam pela intervenção militar tiveram a mesma adesão que o Movimento Brasil Livre neste domingo (4) – Foto: Felipe Malavasi/Democratize

O enfraquecimento do MBL tem explicação

A relação direta com o governo de Temer, principalmente no Ministério da Educação, além da forte defesa ao projeto da PEC 55/241, acabaram afastando seguidores do grupo, que durante a semana chegou a cogitaram não participar da manifestação, temendo que a bandeira pela saída do presidente Michel Temer acabasse ganhando força.

Depois de uma enorme propaganda nos grupos contra a presença de grupos de esquerda neste domingo, o resultado foi a baixa adesão. O foco do protesto acabou se tornando o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB), além do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).

Grupos minoritários acabaram levando bandeiras e faixas contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, de tirar de clandestinidade a prática do aborto até 3 meses de gestação. Em um dos carros de som na Paulista, um homem chegou a discursar criticando a decisão dos ministros. Uma manifestante discordou com o homem, e acabou sendo cercada pelos demais manifestantes, quase sendo agredida.

Apesar do foco em figuras do PMDB e DEM, não faltaram criticas ao ex-presidente Lula (PT) e sua colega Dilma Rousseff.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize
Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Além do anti-petismo habitual, em São Paulo e em outras cidades uma das figuras mais exaltadas foi a do juiz Sérgio Moro, comparável ao culto à personalidade dos regimes comunistas do século XX – tão criticado pelos próprios manifestantes.

Não por acaso, uma das principais bandeiras do ato também se tornou a defesa da Operação Lava Jato, colocada em risco pelos deputados federais nesta semana após a aprovação das 10 medidas anti-corrupção com várias alterações no texto principal.

Outro fator que motivou os protestos foi a tentativa de Rodrigo Maia, com aval de Michel Temer, de anistiar a prática do caixa dois. Após a pressão da opinião pública, o governo decidiu por recuar na decisão.

Protesto Contra A Corrupção Leva 15 Mil Para A Paulista

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