Segundo pesquisa do instituto de pesquisas Data Popular, a preocupação das classes C, D e E não são em relação impeachment da presidenta…

Classe C não se importa com o impeachment: a preocupação é com os programas sociais

Classe C não se importa com o impeachment: a preocupação é com os programas sociaisSegundo pesquisa do instituto de pesquisas Data Popular, a preocupação das classes C, D e E não são em relação impeachment da presidenta…


Classe C não se importa com o impeachment: a preocupação é com os programas sociais

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Segundo pesquisa do instituto de pesquisas Data Popular, a preocupação das classes C, D e E não são em relação impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e sim o encolhimento dos programas sociais do governo federal na atual gestão.

Em reportagem da Revista Piauí, da jornalista Malu Gaspar, ficou claro o sentimento de indignação da população brasileira com o atual governo federal, de Dilma Rousseff. Porém, a reportagem foi um pouco além: diferente do que pensam os manifestantes que lotaram as avenidas de todas as capitais do Brasil no dia 13 de março, não é a corrupção e o impeachment que anda na boca das classes C, D e E. E sim outro fator.

O instituto de pesquisas Data Popular, especializado em buscar a opinião dos brasileiros com renda familiar abaixo de R$3.500 por mês, o sentimento de indignação da maior parte da população brasileira com o governo Dilma se situa no que se refere aos programas sociais, como o Bolsa Família:

“A defesa do impeachment se dá na mesma proporção em todas as classes sociais. Mas as razões de cada grupo para pedi-lo são diametralmente opostas”, disse para a Revista Piauí o presidente do instituto Data Popular, Renato Meirelles.

O motivo é o encolhimento nos investimentos da União para tais programas sociais, que vão além do Bolsa Família, como o Minha Casa Minha Vida, Pronatec e Prouni.

Segundo a pesquisa, tal parcela da população que a presidenta Dilma Rousseff já não merece mais seu cargo por conta das “promessas não cumpridas”, e não pelos casos de corrupção na Petrobras.

Essa pesquisa é determinante para o argumento que a oposição e os movimentos de rua — MBL e Vem Pra Rua — tem utilizado para defender a saída de Dilma Rousseff do Planalto. Segundo lideranças do MBL, como Kim Kataguiri, um dos motivos da indignação da população com o governo federal é “a política econômica que visa barrar a livre iniciativa”, além dos gastos do governo com programas sociais e benefícios trabalhistas. O movimento, de cunho liberal, não esconde seu posicionamento — assim como a oposição tucana do PSDB, que defende uma “mão mais pesada” do Estado no que se refere ao ajuste fiscal, privatizações e cortes de gastos.

A reportagem ainda diz:

Esse público, portanto, defende o Estado eficiente, mas provedor — que Meirelles chama de “estado vigoroso” –, enquanto nos estratos de maior renda ocorre justamente o oposto. “Os 20% mais ricos, em geral, querem um estado enxuto.” É aí que está o fosso ideológico que realmente importa, e é com esse tema que o país terá de lidar assim que o impasse do impeachment for resolvido. Como o Estado brasileiro está quebrado e o ajuste será inevitável, o embate fatalmente será traumático.

A pesquisa é um sinal de alerta para os setores de esquerda que tentam ensaiar uma possível mobilização por novas eleições gerais, utilizando uma plataforma política de esquerda que tenha como foco exatamente as classes C, D e E, como o PSOL, Rede ou PSTU.

Ainda segundo a reportagem, segundo o presidente do instituto de pesquisas, 89% dos entrevistados não sabiam “qual nome seria capaz de contornar a crise política e econômica” — ou seja, quase todos os 3.500 entrevistados não enxergam em nenhuma figura política da oposição de direita, como Aécio Neves ou até mesmo Jair Bolsonaro, uma possível liderança pós-impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Em entrevista ao Estadão, Meirelles ainda afirmou que “há uma decepção com a presidente mas não com o projeto. Por isso eles criticam Dilma, mas sem aderir à oposição”. Ou seja, estamos falando da maior parcela da população brasileira que, fora do 1% e da classe média, conta com uma capacidade de voto muito maior — e que ainda defende um Estado eficiente, que possa aplicar medidas econômicas contra o ajuste fiscal, por maior distribuição de renda e com ampliação dos programas sociais. O projeto petista, no papel, ainda é o ideal para essa parcela da população. Porém, na prática, isso já tem se demonstrado incapacitado de ocorrer nas mãos das atuais figuras políticas do Partido dos Trabalhadores.

Para ver a reportagem completa no Estadão, clique aqui.

Para os próximos dias, movimentos sindicais e de partidos de esquerda pretendem organizar uma mobilização contra o governo Dilma Rousseff e contra a oposição. Alguns grupos internos, como o CSP Conlutas, defendem novas eleições gerais. A plataforma de esquerda pode atrair essa parcela da população.

Ao mesmo tempo, a ex-presidenciável Marina Silva, que também defende novas eleições para a presidência ainda neste ano, tem em suas mãos a possibilidade de se colocar como a liderança que essa camada social sente falta.

Para o Partido dos Trabalhadores, o desgaste do governo Dilma pode atrapalhar ainda mais as eleições em 2018, caso o impeachment ou a cassação da chapa não ocorra. Com o futuro do ex-presidente Lula incerto, já não se sabe mais qual seria o próximo passo do partido para a articulação das eleições presidenciais daqui a 2 anos — e muito menos caso ocorra agora, em 2016.

By Democratize on March 28, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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