Foto: Divulgação/Requiem for the American Dream

Chomsky: EUA e seus aliados apoiam o principal impulsionador do terrorismo

“O Ocidente, com os EUA liderando, estão bem conscientes de que a monarquia árabe (Arábia Saudita) com os bolsos cheio de dinheiro, procura ampliar o seu domínio e influência na região, no entanto, mantêm-se em silêncio”, afirma o analista político e linguista norte-americano Noam Chomsky.

Em entrevista ao canal libanês Al-Mayadeen, divulgada no fim de semana, Noam Chomsky denunciou o silêncio dos Estados Unidos e de seus aliados perante o “papel destrutivo” no Oriente Médio da Arábia Saudita, que apoia ativamente organizações como o Estado Islâmico (Daesh) e a Frente Al-Nusra (recentemente rebatizada como Frente Fath al-Sham).

O linguista assinalou ainda que a resistência de Washington à chegada ao poder de governos democráticos na região resulta do fato de esta mudança ser “contrária aos seus interesses”.

Em maio, durante entrevista ao programa Democracy Now, dirigido pela jornalista a ativista Amy Goodman, Chomsky referiu que o apoio dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido à Arábia Saudita, identificada como “o centro do extremismo islâmico radical”, se deve às suas grandes reservas de petróleo, e ao fato destes países venderem à monarquia árabe “dezenas de milhões de armas e equipamentos militares”.

A Arábia Saudita representa territorialmente a maior parte da Península Arábica, sendo o segundo maior país árabe do mundo. Ele divide fronteiras com a Jordânia e o Iraque.

Trata-se da segunda maior reserva de petróleo do planeta, além da sexta maior reserva de gás natural. O país conta com o 19º maior PIB do mundo. Mesmo não sendo uma democracia, a Arábia Saudita participa de organizações internacionais importantes, e com o apoio dos Estados Unidos, como é o caso do G20, da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da Organização da Conferência Islâmica.

A Arábia Saudita é o único país árabe onde nunca houve eleições nacionais desde a sua criação, sendo partidos políticos ou qualquer tipo de eleição proibidas. Segundo o Índice de Democracia de 2010, levantamento feito pela revista The Economist, o governo saudita é o sétimo regime mais autoritário do mundo, entre os 167 países avaliados na pesquisa.

Qualquer tipo de manifestação política ou oposição ao regime não são tolerados pelo governo saudita.

Além disso, carrega outros fatores considerados desumanos e irracionais em países do Ocidente, como o fato de mulheres serem proibidas de dirigir — sendo o único país do mundo a ter essa exigência. Só em 2011 o rei Adbullah permitiu a participação das mulheres nas eleições locais, totalmente controladas pelo governo nacional.

Apesar do apoio norte-americano, a Arábia Saudita até hoje não aceita a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU — que liberou recentemente um relatório sobre a violência doméstica, notando a ausência de leis que criminalizem a violência contra as mulheres no país. Outro relatório produzido pelo Fórum Econômico Mundial de 2010 sobre igualdade de gênero classificou a Arábia Saudita no 129º lugar entre os 134 países avaliados.

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