Enquanto a França vive uma situação de paralisação desde o mês de março, o novo governo em Brasília parece se “inspirar” no fracasso franc…

Causa de protestos na França, mudança em lei trabalhista deve chegar ao Brasil

Causa de protestos na França, mudança em lei trabalhista deve chegar ao BrasilEnquanto a França vive uma situação de paralisação desde o mês de março, o novo governo em Brasília parece se “inspirar” no fracasso franc…


Causa de protestos na França, mudança em lei trabalhista deve chegar ao Brasil

Foto: Felipe Paiva/RUA Foto Coletivo

Enquanto a França vive uma situação de paralisação desde o mês de março, o novo governo em Brasília parece se “inspirar” no fracasso francês, querendo repetir a experiência da nova Lei Trabalhista. Tanto Michel Temer quanto empresários do CNI pregam por uma mudança na carga horária de até 60 horas semanais e de 12 horas diárias para os trabalhadores.


Protestos violentos, paralisações em quase todos os setores públicos no país, ocupações em praças e em universidades. O dia-a-dia na França mudou radicalmente desde o mês de março deste ano, quando os principais sindicatos franceses resolveram declarar guerra contra o governo de François Hollande, do Partido Socialista.

O motivo? Uma nova proposta de modificação na Lei Trabalhista, que colocaria em risco diversas conquistas históricas da classe trabalhadora francesa.

A nova lei trabalhista conta com termos polêmicas como: deixar de haver um valor mínimo de indenização em caso de demissão sem justa causa; por acordo, os trabalhadores poderem passar a trabalhar o máximo de 44 a 46 horas por semana e de 10 a 12 horas por dia; os acordos coletivos de trabalho com negociação anual passam a ser negociados a cada três anos, a duração máxima de acordos coletivos será de 5 anos, sem garantia de retenção dos direitos adquiridos, entre outros.

A paralisação no país, que começou 4 meses atrás, quase colocou em risco a realização do evento mais importante para o país neste ano: a Eurocopa, que teve como país sede neste ano a França.

Foi durante a própria Eurocopa que mais de 1 milhão de franceses ocuparam as ruas de Paris, em uma manifestação histórica contra as medidas de austeridade aplicadas pelo governo de Hollande.

Mas apesar de toda a impopularidade do governo, e da tendência desumana por trás do neoliberalismo e de tais medidas, o governo interino brasileiro parece encontrar uma fonte de inspiração na França da austeridade. Pelo menos é o que empresários do CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o próprio presidente Michel Temer pensam.

Durante uma longa reunião na semana passada, cerca de 100 empresários do CNI e do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) pediram ao presidente interino uma série de medidas que “devem melhorar a situação de déficit fiscal”. Nessas medidas, que para alguns dos empresários são “inovadoras”, estão mudanças drásticas na Previdência Social e nas leis trabalhistas.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Presidente do CNI, Robson Andrade, que estava na reunião e se demonstrou um forte aliado de Michel Temer, disse que o empresariado brasileiro está “ansioso” para a série de mudanças trabalhistas que devem surgir nos próximos anos com o governo do PMDB. “O mundo é assim e temos de estar aberto para fazer essas mudanças. Ficamos ansiosos para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possível”, disse o empresário sobre a situação na França — a qual ele chama de “inovadora” constantemente.

Caso o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ser oficializado no próximo mês de agosto, Temer deve ganhar espaço para colocar em prática as necessidades do mercado — algo já estava sendo aplicado de forma mais moderada pelo governo petista, com medidas pontuais no ajuste fiscal.

Centrais sindicais e movimentos sociais já demonstram estar em alerta contra medidas de austeridade do novo governo.

By Democratize on July 11, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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