O deputado estadual Fernando Capez (PSDB) diz “ser o mais interessado” na instauração de uma CPI para averiguar a Máfia da Merenda — mas…

Capez alega inocência e prega por CPI — mas nos bastidores pratica o oposto

Capez alega inocência e prega por CPI — mas nos bastidores pratica o opostoO deputado estadual Fernando Capez (PSDB) diz “ser o mais interessado” na instauração de uma CPI para averiguar a Máfia da Merenda — mas…


Capez alega inocência e prega por CPI — mas nos bastidores pratica o oposto

Foto: Alice V/Democratize

O deputado estadual Fernando Capez (PSDB) diz “ser o mais interessado” na instauração de uma CPI para averiguar a Máfia da Merenda — mas enquanto isso, seu partido atua para brecar investigações, além de sua defesa que ganhou um novo aliado: o ministro do STF, Gilmar Mendes, autorizando o acesso à delação premiada por seus advogados.


Por inúmeras vezes em coletivas de imprensa, o deputado estadual e presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) Fernando Capez, do PSDB, disse estar disposto a ajudar na abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a Máfia da Merenda — esquema que o colocou no olho do furacão por desvio de verba da merenda para pagamento de propina.

Durante a ocupação dos estudantes secundaristas na Alesp, no começo do mês de maio, Capez prestou pelo menos duas coletivas para jornalistas, se defendendo das acusações dos estudantes e criminalizando o movimento de ocupação do prédio.

Segundo o deputado, “ele é a pessoa mais interessada” nas investigações, porque o escândalo teria “colocado sua reputação em risco”.

“Eu sou membro do Ministério Público a 28 anos, entrei por concurso, tenho 62 obras publicadas, faço palestras pelo Brasil e em outros países também […] E de repente, tenho o meu nome envolvido, sinceramente, em um negócio de merenda!? É humilhante”, disse Capez em entrevista na Alesp durante a ocupação dos estudantes no prédio.

Sobre a sua possível participação no esquema, o presidente da assembleia minimizou o “tamanho” do escândalo — “Está se falando em merenda, merenda, merenda… Foi um contrato para fornecimento de suco de laranja, no valor de R$10 a R$12 milhões de reais, em que foi feito o chamamento processual, onde as empresas vencedoras venderam o suco e o preço foi pago, o Estado distribuiu o suco”. Capez ainda afirmou durante essa coletiva “não ter procuração para defender o Estado”, mas se posicionou claramente ao lado da defesa do governador Geraldo Alckmin, seu colega de partido.

Para o deputado, a cooperativa responsável pelo esquema “foi vítima” do próprio esquema.

Mas toda essa defesa e posicionamento moral de Capez existe por cima dos panos. Porque por baixo a situação é diferente.

Prova disso é a autorização que sua defesa ganhou por parte do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes para ter acesso aos depoimentos da delação premiada de Marcel Ferreira Julio, na Operação Alba Branca, que investiga o caso da Máfia da Merenda.

Segundo Ferreira Julio, que foi apontado como lobista no desvio da merenda escolar no estado, o deputado Fernando Capez era destinatário de parte da propina.

Mais cedo, o desembargador Sérgio Rui atendeu ao pedido do Ministério Público e negou o acesso à delação, requerido pela defesa de Capez. Apenas agora, com o caso nas mãos do STF, que o ministro Gilmar Mendes resolveu em decisão provisória (liminar) que os elementos justificam a liberação do material para os advogados do tucano.

Com caras e bocas diferentes, Capez atua de forma “moral” na frente das câmeras, pregando pela neutralidade e transparência das investigações. Mas do outro lado, nos bastidores com advogados e lobby político, o deputado tucano conseguiu através de seus advogados ter o acesso às delações, antes negada pelo MP — posteriormente aceita por Gilmar Mendes, ministro reconhecido pelo seu posicionamento conciliador com políticos ligados ao PSDB, e bastante autoritário contra membros do Partido dos Trabalhadores.

Agora, resta saber qual é a verdadeira cara de Capez.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize
Vídeo-Reportagem por Alice V e Francisco Toledo

By Democratize on May 31, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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