Foto: Youtube/Reprodução

Candidato ambientalista é perseguido no interior de São Paulo

Candidato do PSOL para a Câmara dos Vereadores de São Carlos, interior de São Paulo, Djalma Nery se posiciona em defesa da reforma agrária em uma cidade controlada por coronéis do agronegócio. Através da difamação e das ameaças, sua candidatura sofre um grave risco.

Na madrugada do dia 25 deste mês, o Horto Municipal de Itirapina sofreu um grande incêndio. Não demorou muito para começar a circular boatos e informações através das redes sociais, principalmente pelo WhatsApp.

Na manhã daquele dia, o candidato a vereador por São Carlos (SP), Djalma Nery (PSOL), foi para o local sem saber o que havia ocorrido. Foi pego de surpresa pelo resultado drástico do incêndio. Porém, a surpresa maior ainda estava por vir.

O candidato havia sido comunicado por seus seguidores sobre os boatos que circulavam nas redes sociais. O alvo: o próprio Djalma. Segundo os boatos, o candidato do PSOL teria iniciado o incêndio no Horto. Em resposta, ele gravou o vídeo abaixo, denunciando o caso.

A base das informações era o fato de existir uma ocupação de um grupo sem-terra nas proximidades do terreno, encabeçada pela Frente Nacional de Luta (FLN). Assumidamente pró-reforma agrária em uma cidade onde as grandes lideranças do agronegócio vivem, Djalma já havia se tornado alvo de boatos e até mesmo de ameaças antes deste caso.

Nas mensagens do WhatsApp, a denúncia tentava vincular a figura do candidato do PSOL com o FLN — na realidade, os boatos não citavam o movimento, e sim o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), que não fazem parte da ocupação.

Na versão apresentada pelos acampados para o candidato, homens encapuzados em uma moto haviam começado o incêndio criminoso na madrugada do dia 25.

Veja as mensagens abaixo.

Candidato ambientalista é perseguido no interior de São Paulo

Candidato ambientalista é perseguido no interior de São Paulo

Candidato ambientalista é perseguido no interior de São Paulo

Segundo Djalma, o objetivo do incêndio e das acusações parte de “uma narrativa que se busca construir de criminalização dos movimentos sociais e de luta pela terra, da qual, um dos elementos constituintes, é promover uma opinião pública negativa através de sabotagens, mentiras e desinformações apoiadas pela mídia hegemônica e diversos outros atores”.

Para a equipe que cuida da campanha de Djalma em São Carlos, as ameaças e sabotagens ocorrem após sua candidatura se fortalecer na cidade, tendo chances de reais de ser eleito.

A influência dos grandes proprietários de terra no interior de São Paulo e, em especial em São Carlos, não é novidade. E muito menos a forma de atuação deles.

É o caso envolvendo o assassinato do casal Sundermann, por exemplo. No dia 12 de junho de 1994, o casal que era formado por dirigentes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), foram executados no interior da própria residência, no bairro do Jardim Nova Estância em São Carlos. Na época, o delegado titular do 1º Distrito Policial havia descartado a possibilidade de latrocínio, já que nada havia sido roubado e não havia sinal de arrombamento ou luta corporal na casa.

O casal era conhecido pela sua militância política ativa em São Carlos, principalmente no que se refere aos direitos trabalhistas na cidade e ao direito do trabalhador no campo, priorizando a reforma agrária em detrimento dos interesses dos grandes proprietários.

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