Foto: Francisco Toledo/Democratize

Brasileiro que lutava na Ucrânia é preso e pode ser condenado a prisão perpétua

Rafael Lusvarghi lutava junto com os separatistas ucranianos no leste do país, quando tentou atravessar a fronteira para a Rússia em um avião. Segundo informações, o Reino Unido notificou o governo da Ucrânia, que através de seu serviço secreto, mudou a rota do avião até Kiev, onde o brasileiro foi detido. Rafael foi preso no Brasil durante os protestos contra a Copa, em 2014.

Em um vídeo divulgado nas rede sociais, é possível ver imagens de Rafael sendo detido por oficiais ucranianos no aeroporto em Kiev. A data de publicação do vídeo é de hoje, dia 6 de outubro.

Rafael foi para a Ucrânia ainda no ano de 2014, no auge do conflito civil entre militares do novo governo ucraniano e separatistas, que não aceitavam o posicionamento político e ideológico do país. Na realidade, boa parte do leste da Ucrânia fala russo, seguindo a mesma linha cultural que a Rússia. Após os protestos de 2014 na Ucrânia, que acabaram derrubando o presidente pró-Rússia Viktor Yanukóvytch — ficando conhecido como movimento Maidan — , regiões do leste do país como a Criméia se recusaram a reconhecer o novo governo. Posteriormente, esse território foi anexado a Rússia.

Desde então, outras regiões do país acabaram se rebelando contra Kiev, que hoje é comandada por um governo visto como de extrema-direita e pró-UE. A foice e o martelo, símbolo tradicional do comunismo, foi censurada no país, com penas duras para quem desobedecer a nova lei. Partidos comunistas e marxistas também foram colocados na clandestinidade recentemente. Ao mesmo tempo, movimentos nazi-fascistas como o Right Sector ganharam status de partido político, se institucionalizando no novo governo ucraniano.

O conflito ainda é realidade na Ucrânia. Porém, não mais como antes.

Mesmo assim, governos ocidentais acusam a Rússia de influenciar, financiar e enviar soldados para o leste da Ucrânia, incitando a violência e o separatismo no país, com o objetivo de anexar a região leste. O presidente russo, Putin, nega as acusações dos Estados Unidos e União Europeia.

Antes de viajar para a Ucrânia, Rafael ficou conhecido no Brasil após participar dos protestos contra a Copa do Mundo, em 2014. Na primeira manifestação, logo durante o jogo de abertura em São Paulo, sua imagem sendo agredido por policiais com spray de pimenta nos olhos rodou o mundo todo. Na segunda manifestação, semanas depois, Rafael foi detido pela Polícia Civil junto com o ativista Fábio Hideki, sendo ambos acusados de “liderar o movimento Black Bloc”. Meses depois, pela falta de provas, foram soltos.

O brasileiro tentava viajar para a Rússia quando, segundo informações de colegas brasileiros, oficiais do Reino Unido alertaram ao governo ucraniano. Assim, o serviço secreto da Ucrânia conseguiu mudar a rota do avião onde estava o brasileiro para Kiev. Lá, Rafael foi detido por vários agentes secretos. Veja o vídeo:

Boatos circulam entre os colegas de Rafael sobre a possibilidade de, ainda, o aviso ter partido do governo brasileiro sobre a presença dele na Ucrânia.

Colegas, amigos e parentes de Rafael pedem urgência sobre tentativas de contato com o Itamaraty e a Embaixada da Ucrânia e Reino Unido, além da Cruz Vermelha e Anistia Internacional, “e toda e qualquer instituição que possa ajudar no caso”.

Rafael segue preso em Kiev, e deve ser julgado em breve. Segundo informações, ele corre o risco de ser condenado a prisão perpétua no país.

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