Breno Altman é editor do Opera Mundi e da Revista Samuel, colunista do Brasil 247 (também conhecido como Brasil 171) e, segundo diversas m…

Blogueiro petista sugere assassinato de Luciana Genro e causa revolta nas redes sociais

Blogueiro petista sugere assassinato de Luciana Genro e causa revolta nas redes sociaisBreno Altman é editor do Opera Mundi e da Revista Samuel, colunista do Brasil 247 (também conhecido como Brasil 171) e, segundo diversas m…


Blogueiro petista sugere assassinato de Luciana Genro e causa revolta nas redes sociais

Fotos Públicas

Breno Altman é editor do Opera Mundi e da Revista Samuel, colunista do Brasil 247 (também conhecido como Brasil 171) e, segundo diversas mídias, amigo próximo de José Dirceu, de quem parece ter adotado o tom belicoso e a falta total de ética, noção e limites.

A maior parte dos que acessam o Facebook e possuem relações com gente de esquerda (de esquerda, não petistas, que fique claro) já devem ter visto a singela postagem de Altman incitando ódio, violência e mesmo o assassinato de Luciana Genro, uma das principais lideranças do PSOL.

Se destacadas figuras do entorno do PT são capazes disso diante de uma postagem no Facebook de uma liderança de um partido em geral dócil ao PT e disposto a colocar a própria ética e bandeiras de lado para, sempre que necessário, salvar o PT das enrascadas que se meteu, imagina o que não reservam para os “inimigos”. A postagem de Luciana eleva um pouco o tom das críticas ao PT, mas não vem acompanhado de reais ações ou de um — necessário — afastamento dos dois partidos, mas foi suficiente para tirar do sério um (ou na verdade vários) saudoso dos campos de trabalho forçado e assassinatos políticos da era Stalinista. Como escreveu o Samuel Braun, Altman e o PT não aceitam “que seja apontado que esquerda e PT são opostos irreconciliáveis por engenharias eufemísticas”.

Pra quem não sabe: 1940 foi quando Trotsky, rival de Stalin e refugiado no México, foi assassinado por um agente estalinista. A picaretadas.

Eu não sou nenhuma besta quadrada, e sei bem qual é o tipo de retórica que um sujeito pode usar pra justificar o que está dito: 1. “Não fui eu que disse, e sim um amigo”. 2. “Meu amigo não disse que Luciana deveria ser morta a picaretadas e sim que isso acontecia em 1940, mas felizmente estamos em 2016”. Temos ainda a opção patética de número 3, que é argumentar que o amiguinho não estava se referindo ao assassinato de Trotsky, mas a algum outro evento qualquer. Bullshit. Anotem todas, quero ver se o cara vai usar alguma delas. Porque o que eu quero saber é o que ELE acha dessa abominação que o amiguinho dele disse. via Alexey Magnavita.

Não tem muito tempo um dos milhares de perfis petistas fanatizados incitou o assassinado do Juiz Moro nas redes (para depois recuar covardemente e com desculpas esfarrapadas), assim como são recorrente casos de racismo, defesa de violência policial contra manifestantes de esquerda, manipulação, Reductio ad Hitlerum e outras tosquices entre a militância petista e governista nas redes.

Curioso que estas mesmas pessoas são as que reclamam do “ódio da direita”. E mais curioso ainda, esta última pérola de Breno Altman veio horas antes de declaração de Dilma Rousseff afirmando que “lamenta profundamente aqueles que vem destilando o ódio no país e diz que a intolerância é a base da violência.”. Será que ela não sabe o que fazem seus apoiadores nas redes sociais? Ela não sabe o que e quem seu partido financia?

Curioso (sim, uma sucessão de “curiosidades”) que a diretora da agência Peppr, aquela que contratou a Dilma Molada, tenha acabado de acertar uma delação premiada por ter recebido milhões do PT (para atacar adversários e financiar a guerrilha virtual, imagino). Há algumas semanas vazou de um dos vários grupos no Facebook onde a militância petista se organiza, materiais de divulgação feitos pelo PT (seriam feitos pela Pepper? Pelo João Santana?) para páginas e perfis nas redes sociais, muitas que se dizem “independentes” ou simplesmente não indicam claramente sua filiação (ou seu financiamento, nem de onde vem a grana para os milhares de bots e robôs à serviço do partido).

Breno Altman é, como seu ídolo e amigo José Dirceu, stalinista. Adepto da tese de fazer o que for necessário para chegar e se manter no poder. De mensalão à incitação de assassinato nas redes sociais. O pacote completo. Enquanto petistas esperam uma “guinada à esquerda” sobram mostras de que, na verdade, a guinada é ao fascismo.

Vamos resumir a posição de amplos setores da esquerda nos últimos anos, atentando para o masoquismo dominante:

2013: PT Maldito, nos reprimindo.
2014: VIVA DILMA! VOTO CRÍTICO!
2015: Nossa, o governo Dilma é um horror
2016: VIVA DEMOCRACIA! VIVA LULA

Eu não consigo ver diferença, volto a repetir, entre sair lado a lado com Bolsonaro e seus Bolsominions ou monarquistas e sair às ruas com Eduardo Guimarães, PHA, Edu Goldenberg, vulgo “Boilesen” da Av. Brasil, e cia. Texto no Huffington Post.

Como se vê, o PT não tem outro objetivo senão o de se manter no poder à qualquer custo. Não há “defesa da democracia”, mas da Dilmocracia. A entronização do partido no poder tendo Lula como messias e Dilma (por enquanto, porque Ele voltará!) como representante de suas vontades.

E a esquerda, infelizmente e pese uma ou outra declaração mais corajosa, embarca no roteiro escrito pelo partido. Entra de cabeça na luta contra o “golpe”, quando tantos golpes foram dados por Dilma e pelo o PT, como Belo Monte, a lei antiterrorismo ou o oferecimento de tropas para reprimir os protestos de Junho de 2013 (para ficar em poucos exemplos, pois estes não faltam).

O PT perdeu o jogo. Jogou, abandonou a ética e investiu na realpolitik das mais sujas e agora perdeu — enquanto grita contra outros que usam e abusam da mesma realpolitk, mas tem anos a mais de experiência. E dá sinais claros de desespero e descontrole. E fará de tudo pra levar a esquerda inteira junto. Por enquanto está conseguindo.

Entrementes alguns conhecidos tem informado que estão recebendo mensagens intimidadoras por não se colocarem contra o “golpe”. As táticas que nos lembram os ídolos de Altman continuam mais presentes do que nunca.

Fica um pensamento final: De nada adianta repudiar os comentários de Breno Altman e de tantos outros para, no fim, desfilar pelas ruas de braços dados com estas mesmas pessoas pela mesma causa e pelo mesmo partido.


Texto por Raphael Tsavkko Garcia, jornalista, blogueiro, ativista e doutorando em direitos humanos (Universidad de Deusto)


Abaixo, a nota oficial do blogueiro Breno Altman sobre o caso:

“Nos meus tempos de movimento estudantil, entre os anos 70 e 80, os grupos trotsquistas costumavam celebrar suas vitórias em eleições e assembleias com eufóricos gritos de “Leon, Leon, Leon!”, enaltecendo o sócio-fundador de seu clube.

Os comunistas não deixavam barato e respondiam em alto e bom som: “Ramon, Ramon, Ramon!”, homenageando o agente soviético que liquidou Trotsky no México.

Era puro e divertido rito de enfrentamento simbólico, que quase sempre terminava em risos e cervejas, mesmo que antes ocorresse alguma troca de tapas.

Os brados das duas torcidas não eram entendidos como ameaças à vida de quem quer que seja.

Foi esse meu espírito quando difundi, em post na minha página do Facebook, piada contada por um amigo de esquerda, muito crítico do PT, pela qual as barbaridades ditas por Luciana Genro em entrevista na Folha de S. Paulo deveriam ser tratadas pela fórmula de 1940.

A líder do PSOL, ao seu modo, tinha gritado “Leon, Leon, Leon”. Ao difundir a piada, meu grito era “Ramon, Ramon, Ramon”.

Mas fui surpreendido com a reação intempestiva de militantes ligados à ex-petista, inúmeros com palavrório, agressões e mentiras da mesma estirpe dos jovens dourados que partilham a cartilha patenteada por Olavo de Carvalho.

Reconheço, porém, que estes não foram os únicos a se sentirem ofendidos. Alguns amigos meus consideraram que a piada era de mau gosto e inapropriada para o momento no qual estamos vivendo, marcado pela necessidade da mais ampla e generosa unidade de esquerda contra o golpismo.

De fato, deixei-me levar por uma invenção de Andre Bréton, dileto amigo de Trotsky: o humor negro. Meu tempo de vida e militância deveria ter me orientado a ser mais atento e cuidadoso, mas cedi à chance de provocação, um dos mais deliciosos quitutes da política.

O que não posso aceitar é a tentativa alucinada de apresentar a piada que recontei como incitação ao assassinato de Luciana Genro, ato de misoginia ou gesto de intolerância.

Versões desse naipe não passam de destempero ou má fé. Talvez sirvam a algum propósito de vitimizar ou absolver a autora das declarações estapafúrdias, que se chocam contra a defesa da ordem democrática ora ameaçada, em atitude repudiada até pela direção de seu próprio partido. Mas aí já seria outra conversa…

Aliás, me arrependo de ter indiretamente ajudado os seguidores de Luciana, com meu comentário, a fugirem do tema principal, qual seja, seu alinhamento objetivo com o conservadorismo no movimento pela derrubada de um governo democrático e constitucional.

De toda forma, a quem se sentiu genuinamente desconfortável com meu post, peço desculpas.

Não vivemos em época de guerras e revoluções. Os fatos dos anos 40, qualquer que seja o julgamento que deles se faça, pertencem à história e evidentemente não servem para ler os dias atuais.

Humor à parte, às vezes mau humor, considero que o debate democrático de ideias e divergências é o melhor caminho para a classe trabalhadora construir seu presente e seu futuro. Mesmo quando se trata de combater posições que se confundem com o golpismo.”

By Democratize on March 30, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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