A polícia brasileira mata cerca de 8 pessoas por dia, e a situação é ainda mais grave no Rio de Janeiro, onde a grande maioria das vítimas…

Black Lives Matter visita o Rio para falar sobre brutalidade policial antes da Olimpíada

Black Lives Matter visita o Rio para falar sobre brutalidade policial antes da OlimpíadaA polícia brasileira mata cerca de 8 pessoas por dia, e a situação é ainda mais grave no Rio de Janeiro, onde a grande maioria das vítimas…


Black Lives Matter visita o Rio para falar sobre brutalidade policial antes da Olimpíada

Foto: Reuters

A polícia brasileira mata cerca de 8 pessoas por dia, e a situação é ainda mais grave no Rio de Janeiro, onde a grande maioria das vítimas são homens negros. Por isso, o grupo que ficou mundialmente conhecido por denunciar o racismo institucional nos Estados Unidos, #BlackLivesMatter, chega ao Brasil para debater sobre violência antes dos Jogos Olímpicos.


Os membros do movimento Black Lives Matter e do Brazil Police Watch, instalado em Boston, anunciaram planos de chegar ao Brasil nesta semana, um mês antes dos Jogos Olímpicos começarem no Rio de Janeiro, em solidariedade com as comunidades negras que sofrem com a brutalidade policial.

Liz Martin, que fundou o Brazil Police Warch depois de seu sobrinho, um jovem branco, ter sido assassinado por um policial enquanto vivia no Rio de Janeiro em 2007, disse ao site de notícias Telesur que a visita será “muito oportuna”, dada a onda de indignação nos Estados Unidos sobre as mortes cometidas por policiais contra homens negros desarmados, em paralelo aos casos de brutalidade policial no Brasil.

“A intersecção do que está acontecendo nos Estados Unidos e o que está acontecendo no Rio durante os preparativos das Olimpíadas é apenas uma indicação da ‘globalização da brutalidade policial’ e sua letalidade”, disse Liz.

A polícia brasileira mata oito pessoas por dia, e a situação é ainda mais grave no Rio, onde a maioria das vítimas são homens negros.

“Quando você olha para os dados, é muito claro que os jovens negros estão morrendo nas mãos da polícia”, disse Martin, cujo pai era um policial nos Estados Unidos. “E quando você tem um grupo inteiro de pessoas que estão morrendo, isso é um genocídio”, continuou ela, acrescentando que não há uma definição “moral” do genocídio que ajuda a explicar a extensão da crise que enfrenta a camada pobre da sociedade, sendo os homens negros um alvo em potencial da violência letal.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

A delegação dessas duas organizações visa estabelecer conexões, solidários com as comunidades que sofrem sob violência policial, que tem aumentado no período que antecedeu os Jogos Olímpicos, de acordo com associações de direitos humanos, semelhante ao que aconteceu antes da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, visando uma limpeza nas favelas e comunidades mais pobres.

O grupo planeja se reunir com diversas organizações locais que representam as comunidades da favela, além de jovens, mães e grupos de direitos humanos, como a Rede de Comunidades Contra a Violência, o Fórum da Juventude do Rio de Janeiro, e outros ativistas no Brasil.

“Estamos ansiosos para nos reunir com ativistas negros dos Estados Unidos e compartilhar ideias e experiências”, disse Debora da Silva, fundadora da sede de São Paulo do grupo Mães de Maio. “Antes da Copa do Mundo, os dados sobre assassinatos partindo de policiais aumentou 45%. No Rio, com os Jogos Olímpicos, está acontecendo a mesma coisa”.

De acordo com um relatório recente de uma comissão do Senado brasileiro, um jovem negro é morto a cada 23 minutos no país, em uma “guerra civil não declarada”, além de um “genocídio” contra jovens negros.

O relatório constatou que mais de 23 mil jovens negros são mortos a cada ano e que os homens negros contam com três vezes mais chances de ser morto do que os homens brancos.

Além disso, o Comitê da ONU sobre Direitos da Criança, relatou no ano passado que a polícia brasileira estava matando crianças de rua como parte de uma campanha para “limpar as ruas”, em preparação para os Jogos Olímpicos.

Os Jogos Olímpicos começam no dia 5 de agosto, e vai até o dia 21, no Rio de Janeiro.


Publicado originalmente pelo Telesur, traduzido pela Agência Democratize

By Democratize on July 14, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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