Um grito abafado pelo silêncio da mídia e dos governos: na noite deste dia 17, centenas de pessoas protestaram em São Paulo por justiça ap…

Bandeirantes de ontem: os ruralistas de hoje

Bandeirantes de ontem: os ruralistas de hojeUm grito abafado pelo silêncio da mídia e dos governos: na noite deste dia 17, centenas de pessoas protestaram em São Paulo por justiça ap…


Bandeirantes de ontem: os ruralistas de hoje

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Um grito abafado pelo silêncio da mídia e dos governos: na noite deste dia 17, centenas de pessoas protestaram em São Paulo por justiça após os confrontos entre fazendeiros e indígenas Guarani-Kaiowá no Mato Grosso, que resultou na morte de Semião Vilhalva Fernandes, morto a tiros no dia 29 de agosto por capangas de fazendeiros.

O protesto aconteceu com diversas intervenções artísticas em frente ao Masp, na noite desta quinta-feira. Com um grande cartaz escrito: “Bandeirantes de ontem, ruralistas de hoje”, o grupo denunciou o silêncio dos grandes veículos de comunicação sobre o caso ocorrido no final de agosto, além da incapacidade do governo federal de intervir a favor dos indígenas na região do Mato Grosso.

O jovem Semião Fernandes Vilhalva, indígena kaiowá, ocorreu dentro de uma fazenda em Antônio João, no MS. O caso chamou a atenção até da Organização das Nações Unidas (ONU), que divulgou uma nota no começo deste mês condenando “a morte violenta do líder indígena”. O Exército teve de intervir na situação, com barreiras e monitoramento em estradas que dão acesso às áreas disputadas entre fazendeiros e indígenas. Apesar disso, a inércia e a falta de capacidade do governo federal intervir a favor dos guarani-kaiowá tem nome: Kátia Abreu.

A influência da Ministra da Agricultura dentro das decisões do governo petista é clara. Com a possibilidade do atual Ministro da Casa Civil, Mercadante (PT) cair, seu nome chegou a ser divulgado como um dos possíveis substitutos ao cargo ocupado atualmente pelo petista.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

O caso começou quando cerca de 80 indígenas ocuparam cinco fazendas vizinhas à aldeia Campestre. A FUNAI afirma que as áreas ocupadas já haviam sido homologadas como indígenas, que reivindicam as terras.

O fator mais preocupante, politicamente dizendo, é a atual crise política enfrentada pela administração federal.

Se antes da crise o governo era forçado — ou se forçava — a se aliar com grupos políticos conservadores, como a bancada evangélica e a ruralista, para se manter no poder com estabilidade o governo Dilma deve agradar cada vez mais tais setores. Com isso, a luta indígena ficaria mais uma vez em segundo plano, dando continuidade ao silêncio do governo federal sobre o genocídio dos povos indígenas no Brasil.

Foto: Wesley Passos/Democratize

É necessário, e com urgência, que os povos indígenas se tornem prioridade nos próximos anos. Com o aumento de influência de grupos do agro-negócio no governo, a única saída para evitar uma catástrofe ainda maior é o apoio nas ruas, pressionando tanto tais grupos políticos quanto o governo federal e as administrações estaduais, como a do Mato Grosso.

By Democratize on September 19, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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