Funcionários do BB no Rio de Janeiro realizam ato contra cortes (Reprodução/Facebook)

Banco do Brasil força aposentadoria de 9.300 e ameaça reduzir salário

Com lucro líquido de quase 8 bilhões de reais no primeiro semestre de 2016, o Banco do Brasil divulgou através de comunicado ao mercado no último domingo (20) que quer economizar 750 milhões à partir do ano que vem com o corte de 9.300 postos de trabalho e fechamento de 781 agências*. O banco desmentiu em outubro informação semelhante divulgada pelo Correio Braziliense.

“No dia da assinatura do acordo [coletivo, em 13/10] tinha saído no Correio Braziliense que teria a demissão de 18 mil funcionários. O banco negou, disse que era coisa de jornal, que a imprensa não poderia falar por eles”, conta Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo. “Agora estão dizendo que não serão 18 mil, mas 9.300”, diz ela.

Os trabalhadores também não sabiam da mudança até domingo (20), quando a informação foi divulgada pela imprensa, e foram surpreendidos na manhã de segunda-feira (21) com corte de cargos e vagas nos sistemas internos.

Bento José Ferreira, que trabalha no setor de compensação do banco em São Paulo, explica que os salários e funções atuais serão mantidos até fevereiro, prazo para os trabalhadores concorrerem a outras vagas. “A partir daí, se salva quem puder”, diz ele.

Para reduzir o quadro, o Banco do Brasil lançou o Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada e oferece adiantamento de 12 salários para os voluntários. Na prática, o banco pressiona pela adesão com assédio moral e ameaças de redução de salário.

Na instituição, trabalhadores são contratados por concurso público como escriturários e as promoções são realizadas através do pagamento de comissões de acordo com a função exercida, mas continuam registrados como escriturários. A comissão pode ser retirada pelo banco a qualquer momento e o funcionário volta a receber o salário de escriturário.

Um gerente de contas que volte a receber o salário base por exemplo tem redução de mais de 5 mil reais no salário. Para os gerentes de agência a diferença pode superar os 10 mil reais.

“Do meu setor, 3 [funcionários] irão se aposentar por mais que não tenham tempo suficiente de INSS. Irão pagar por fora 1 ou 2 anos que faltam. Sairão apenas com o benefício da Previ [previdência privada dos funcionários do Banco do Brasil]  pois não têm expectativa de realocação com o mesmo salário”, diz Vania Gobbeti, que trabalha na Gerência Regional de Controles Internos do BB no Rio de Janeiro. O setor será extinto pelo banco.

“Conseguirão se manter em função equivalente apenas as pessoas que têm disponibilidade de morar em outro estado: Minas, São Paulo ou Paraná . Os demais devem ser realocados em agências, como escriturários”, explica Gobbeti.

Maria Valeria da Paz, do setor de infraestrutura do banco em São Paulo, acha injusto o banco jogar a conta da queda de lucratividade na conta do trabalhador. “Quem deu prejuízo? Aquela Setebrasil, OAS, a Oi… Deixaram dívida no banco e não pagaram. É problema deles, porque jogar nas costas do funcionalismo? Os culpados não somos nós” diz.

Para ela a política de cortes torna claro que o banco não está preocupado com atendimento de clientes de baixa renda. “É um novo modelo de gestão: já faz um tempo que pobre não entra no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal o pobre entra, no Banco do Brasil não. Depois da reestruturação vai ficar impossível”, explica.

 

Falta de perspectiva

 

Diversos empregados do banco procurados pela reportagem só aceitaram falar sob anonimato por temer represálias. Muitos relataram insegurança, medo e falta de perspectiva de carreira. Nas redes sociais, funcionários de todo o país expressaram o mesmo sentimento.

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Juvandia Moreira chama a atenção para a falta de transparência do banco não só com os sindicatos mas com os empregados na ativa. “Estão fazendo isso dessa forma, sem informação nenhuma sobre o futuro dessas pessoas das agências que vão fechar. As pessoas ligavam para a GEPES e eles não sabiam dar informações”, conta.

“Hoje, reina uma grande tristeza. As pessoas não conseguem mais realizar o serviço. Ficou tudo sem sentido” diz Vania Gobbeti.

 

ERRATA: A economia de R$750 milhões se refere somente ao corte de despesas administrativas como redução do número de agências exceto despesas de pessoal. Com relação a este ítem, o banco anuncia que “os impactos financeiros do plano de aposentadoria serão divulgados ao mercado após o encerramento do período de adesão”.

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