Em poucos dias de governo, o tucano João Doria descumpriu a promessa de campanha de não subir o preço da passagem. Foto: Wesley Passos

Aumento da tarifa marca primeira manifestação contra quebra de promessas do governo Doria

O fim da tarde de ontem (12) foi marcado pelo primeiro ato contra o aumento das tarifas de transporte municipal de São Paulo. A manifestação começou na Praça do Ciclista (avenida Paulista com rua da Consolação) e  terminou na avenida Brasil. O trajeto levaria à casa do novo prefeito de São Paulo, João Doria Jr (PSDB), no Itaim Bibi, mas o grande contingente policial impedindo o percurso fez com que os manifestantes finalizassem o protesto em frente à Paróquia Nossa Senhora do Brasil, há poucas quadras da casa do político.

O ato foi convocado porque, em menos de 10 dias de governo, Doria descumpriu a promessa feita durante sua propaganda eleitoral de não aumentar o preço da passagem, o que vai prejudicar, pelo menos, um em cada quatro passageiros do sistema municipal de ônibus e um terço dos usuários de metrô e trem. Para se ter uma ideia, só no sistema de ônibus, mais de 450 mil pessoas serão impactadas com o aumento do preço, por dia.

Para driblar a insatisfação popular, Doria não subiu os R$3,80 da passagem unitária, no entanto, aumentou o valor do bilhete único mensal para ônibus e também o valor do tíquete mensal de integração entre ônibus, metrô e trens da CPTM. Nos dois casos, o reajuste pactuado com o governador Geraldo Alckmin (também PSDB) foi acima do valor da inflação.

O segundo ato contra o aumento da passagem deve acontecer na próxima semana. Foto: Wesley Passos.

O bilhete único mensal, que vale para uso exclusivo em ônibus e trens, subiu de R$ 140 para R$ 190, o que representa um aumento de 35,7% (se seguisse a inflação, seria 26,6%). Desde que foi criado, em 2013, por Fernando Haddad (PT), o valor da tarifa nunca havia subido.

Já o tíquete mensal que integra ônibus e metrô e trens da CPTM passará de R$ 230 para R$ 300, um aumento de 30,4% (também se seguisse a inflação seria de 26,6%). Desta forma, os maiores impactados serão os trabalhadores que usam o sistema de transporte público diariamente, em especial os que moram longe de seu local de trabalho e, por isto, utilizam mais de um meio de transporte.

No entanto, não é raro encontrar pelas ruas quem ainda não tenha percebido a rasteira, visto que o valor da tarifa unitária segue o mesmo. Esta é mais uma das ações de política e marketing de João Doria, que tem marcado seus primeiros dias na Prefeitura com forte preocupação em não demonstrar fissuras em sua forma de governar. Consciente da fragilidade de sua imagem de playboy, o prefeito tem repetido, em entrevistas, selfies e links ao vivo, a imagem de quem se coloca em pé de igualdade com os trabalhadores de São Paulo. Doria não vai para o trabalho de transporte público.

Youtuber do canal “Mamãe Falei”, Arthur Moledo Do Val. Do lado esquerdo, o policial que ele trata como sua babá. Foto: Wesley Passos.

Mamãe, me protege

Completou, ontem, um ano que o jornalista Francisco Toledo, da Agência Democratize, teve um estilhaço de bomba em sua perna, também em manifestação contra o aumento da tarifa. Francisco foi atingido por uma bomba de efeito moral e, até hoje, o estilhaço que possui 2,5cm encontra-se encravado em sua perna. Ironicamente, ontem, estava presente na manifestação o youtuber do canal “Mamãe Falei”, Arthur Moledo Do Val, que ironiza manifestantes de esquerda, depreciando as pautas levantadas. Arthur foi hostilizado por alguns manifestantes, no entanto, em seguida, correu para a polícia militar, para receber carinho e cuidados. Nada de novo no fronte.

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