Depois de um ano agitado, repleto de reuniões e ações brutais da Guarda Municipal, moradores das malocas do centro de São Paulo protestam…

As malocas de São Paulo contra o higienismo da prefeitura

As malocas de São Paulo contra o higienismo da prefeituraDepois de um ano agitado, repleto de reuniões e ações brutais da Guarda Municipal, moradores das malocas do centro de São Paulo protestam…


As malocas de São Paulo contra o higienismo da prefeitura

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Depois de um ano agitado, repleto de reuniões e ações brutais da Guarda Municipal, moradores das malocas do centro de São Paulo protestam mais uma vez contra a falta de diálogo com a prefeitura de Fernando Haddad (PT) na capital.

Como noticiado pelo Democratize meses atrás, uma série de agressões partindo da Guarda Civil Municipal contra os moradores das malocas de Alcântara e Cimento acabaram ocorrendo nos meses de agosto e setembro deste ano. A partir dai, os moradores começaram a exigir melhores condições de vida e respeito pela gestão pública. Receberam o apoio do Catso (Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais) e da Pastoral do Povo de Rua. Juntos ocuparem a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social na Mooca. A exigência era o diálogo com a prefeitura, que pretendia locar quartos em hotéis, uma espécie de abrigo para retirar os moradores de suas malocas.

Segundo os moradores, a gestão petista vem tratando o assunto de forma vertical, deixando de consultar os principais interessados no tema, que são os próprios moradores das malocas.

Segundo o Catso, após a ocupação, havia ficado claro que “a população das comunidades desejavam por moradia de fato, e não bolsa aluguel conforme o planejado pela gestão petista em São Paulo”. Além disso, os moradores reclamam do fato de que a prefeitura não respeita as malocas, através da sua política de higienização com a GCM. Já a prefeitura argumenta que atualmente está em construção um espaço na rua Cajuru (Belém), que recebia as populações de rua da tenda Bresser/Cimento, Alcântara e Mooca, onde além do oferecido nas tendas, o espaço ainda contaria com alimentação. Além disso, a prefeitura pontua que locais como o viaduto não são adequados para serviços como moradia.

Já os moradores, argumentam que as medidas da prefeitura visam apenas em afastar os moradores das malocas do Centro — uma medida higienista que partiria da gestão de Haddad, que já tem ganhado uma certa fama em afastar casos parecidos do Centro para outros locais mais afastados, como os próprios moradores de rua e a população da Cracolândia.

Após a ocupação em setembro, foi agendada uma reunião com o Secretário de Direitos Humanos da capital, o ex-senador Eduardo Suplicy. A reunião ocorreu em uma das malocas, mas não foi bem sucedida. A prefeitura não conseguiu chegar a um consenso com os moradores, que continuaram reclamando da falta de diálogo com a gestão petista, que não oferece as condições exigidas por eles, e nem parece se interessar em construir coletivamente uma alternativa viável para ambos os lados.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Diante de tal cenário, meses depois, os moradores voltaram a protestar contra o prefeito Fernando Haddad, em frente ao prédio da prefeitura no centro da capital, na tarde desta quinta-feira (26).

Mais recentemente, o Democratize entrevistou um dos mais importantes apoiadores da luta dos moradores das malocas, o padre e ativista Julio Lancellotti.

Veja na íntegra:

Mesmo com o protesto e exigindo uma reunião com algum representante da prefeitura, os moradores foram mais uma vez ignorados, em um dos capítulos mais tristes da gestão de Fernando Haddad no comando da capital paulista.

By Democratize on November 27, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: