Durante o debate entre os candidatos para a prefeitura de São Paulo nesta segunda-feira (22), o transporte público ficou mais uma vez no…

As eleições e a individualização do transporte público

As eleições e a individualização do transporte públicoDurante o debate entre os candidatos para a prefeitura de São Paulo nesta segunda-feira (22), o transporte público ficou mais uma vez no…


As eleições e a individualização do transporte público

O ex-secretário de Transportes de São Paulo, Lucio Gregori | Foto: Wesley Passos/Democratize

Durante o debate entre os candidatos para a prefeitura de São Paulo nesta segunda-feira (22), o transporte público ficou mais uma vez no último plano. Pior do que isso, a classe política insiste em individualizar a mobilidade urbana. Para o ex-secretário de Transportes da capital, Lucio Gregori, trata-se de uma tendência que representa o medo do Estado em aplicar a Tarifa Zero.


Por que as manifestações do Movimento Passe Livre continuam sendo alvo de criminalização por parte do poder público e grande mídia, enquanto os protestos contra e a favor do impeachment de Dilma Rousseff seguem outra linha de tratamento?

Esse foi um dos principais questionamentos no debate sobre a Tarifa Zero e a Repressão do Estado neste domingo (21), com o ex-secretário de Transportes Lucio Gregori, durante a festa de aniversário da Agência Democratize em São Paulo.

Um dia depois, a Rede Bandeirantes realizou um debate entre os candidatos para a prefeitura de São Paulo, reunindo apenas o atual prefeito Fernando Haddad (PT), a senadora Marta Suplicy (PMDB), o empresário João Doria (PSDB), o deputado estadual Major Olimpio (SD) e o deputado Celso Russomanno (PRB). Durante o debate, para ambos, o transporte público se tornou um tema secundário — e quando abordado, foi individualizado.

Durante o evento deste domingo, Lucio Gregori já havia tocado nesse assunto em particular.

“Hoje existe o passe livre para estudante, o passa livre para idoso, o passe livre para desempregado, daqui a pouco vão inventar o passe livre pra quem tem cabelo branco, mas nunca se fala sobre tarifa zero. E por que? Porque o poder público não trabalha com os interesses de um coletivo. Ele precisa individualizar cada questão, como o transporte público, em detrimento ao coletivo”, disse o ex-secretário da gestão de Luiza Erundina, no final dos anos 80.

Foto: Wesley Passos/Democratize

Tanto na gestão de Marta Suplicy (ainda no Partido dos Trabalhadores) quanto na atual de Fernando Haddad, o transporte público acabou se tornando uma pauta importante. Porém, não da forma como esperado.

Se com Marta foi criado o chamado Bilhete Único, facilitando a compra de passagens nos ônibus, Haddad teve de sofrer sua primeira crise meses após assumir o mandato por causa dos protestos contra o aumento da tarifa (de R$3 para R$3,20). Depois disso, parecia ter aprendido a lição, dando destaque para os corredores de ônibus.

Mas foi em 2015, com o projeto do Passe Livre Estudantil, que Haddad conseguiu “brecar” as manifestações do Movimento Passe Livre, aumentando as passagens de R$3 para R$3,50. Neste ano, replicou novamente a mesma tática, com mais um aumento para R$3,80.

Desta forma, o prefeito petista justificava os aumentos com base na inflação, afirmando que o passe livre estudantil e o bilhete único mensal já seria o suficiente para que os jovens e os trabalhadores não sentissem na pele o aumento nas passagens. Desta forma, a mobilização dos movimentos sociais acabou sendo neutralizada — como sempre, com a ajuda dos grandes meios de comunicação.

Sobre a repressão ao Movimento Passe Livre e suas manifestações, o ex-secretário tocou nos interesses de grupos específicos da sociedade, que perderiam espaço no mercado com um projeto como a Tarifa Zero, e até mesmo com as reduções nos valores. “Não é apenas a Tarifa Zero, é o que ela tem de significados ocultos, significados que podem romper com o controle do establishment”, disse.

By Democratize on August 23, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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